segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Dê fala às palavras. - Give words a voice


Dê vez de fala às palavras e elas chegarão

onde vivente algum consegue chegar, 

liberte às palavras e elas um dia, quiçá,

vos libertará.


Tire às amarras das palavras e, livres,

elas visitarão os tolhidos da fala, libertarão

as lágrimas reprimidas, e colocarão um 

sorriso nos lábios da tristeza.  


Respeite a liberdade das palavras e, livres, 

elas darão vozes ao mudos, trarão a

verdade à luz, libertarão o mundo do frio 
triste do silêncio..


Dê às palavras o que elas esperam que

lhes seja dado, respeito.

Respeite o direito das palavras de voar 

como pássaro, e viajar como os ventos.


Respeite a vez de fala das palavras e, se 

preciso for elas darão suas vidas para dar 

voz a tua voz e fala às tuas falas. 

Dê vez de fala às palavras!


O Mensageiro - Chuy, setembro de 2026.



            &

Give words a voice

Give words a voice, and they will reach
places that no living being can reach;
set words free, and one day, perhaps,
they will set you free.

Unbind the words, and, once free,
they will visit those silenced, release
suppressed tears, and bring a
smile to the lips of the sadness.

Respect the freedom of words, and, once free,
they will give voice to the voiceless, bring the
truth to light, and free the world from the cold,
sad silence.

Give words what they hope to
be given: respect.
Respect the right of words to fly
like a bird and travel like the winds.

Respect the words’ turn to speak, and if
necessary, they will give their lives to give
voice to your voice and speak your words.
Give the words their turn to speak!

             &

domingo, 13 de setembro de 2026

Os percalços - The Setbacks

 

Diante dos percalços experimentados

ultimamente o povo, atônito,

se benze e exclama "cruz credo",

mas cético que incrédulo. 


Eu, cismado que sou, só observo

porque há muito deixei de crer que 

alguma mudança pode vir para 

mudar esta situação.


Digo o que digo porque as cismas me

mostram que há um grupo satisfeito

dizendo "cruz", enquanto o outro

grupo diz "credo".


Amadurecido que sou, seis que 

divisões só dividem, e divididos,

tanto o grupo que diz “cruz”, quanto

o que diz “credo” será vencido.


Diante dos percalços experimentados 

ultimamente as cismas, cismando, 

recomendam ponderação, dobremos

os nossos joelhos, façamos oração.


O Profeta - Chuy, setembro de 2026.


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The Setbacks

Faced with the setbacks experienced
lately, the people, stunned,
cross themselves and exclaim, “Good heavens,”
but they are more skeptical than unbelieving.

I, pensive as I am, simply observe,
because I long ago stopped to believe that
any change could come to
alter this situation.

I say what I say because my musings
show me that there is one group content
to say “cross”, while the other
group says “creed”.

Mature as I am, I know that
divisions only divide, and once divided,
both group, the one that says “cross” and
the one that says “good heavens” will be defeated.

In the face of the setbacks experienced
lately, these musings, as I ponder,
recommend reflection; let us bend
our knees and say a prayer.

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sábado, 12 de setembro de 2026

Não critico o silêncio - I don't criticize the silence



Não critico a fala do silêncio,
até porque não sou dado a
comentar temas os quais
não tenho domínio.

Ontem a noite, enquanto eu
esperava pelo sono, ouvi
o silêncio falar coisas que
mexeram muito comigo.

A fala do silêncio me
perturbou, despertou o meu
senso de dúvidas, e me fez
perceber a minha ignorância.

Quando a madrugada
chegou me encontrou
acordado, eu ainda
ruminava a fala do silêncio.

Quando a luz do sol bateu em
minha janela o silêncio calou,
se despediu prometendo
voltar à noite.

O Mensageiro - Chuy, setembro de 2026

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&

I don't criticize silence

I don’t criticize what silence says,
especially since I do not use to
comment on topics that I
don’t fully understand.

Last night, while I
was waiting to fall asleep, I heard
the silence speak words that
moved me deeply.

The voice of the silence
unsettled me, awakened my
sense of doubt, and made me
to realize my ignorance.

When dawn
arrived, it found me
awake; I was still
mulling over the silence’s words.

When the sunlight hit on
my window, the silence fell silent,
said goodbye, promising
to return at night.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Mais um dia, outro dia. - Just another day.


Mais um dia, outro dia,
me distancio do início, me aproximo
do fim, o fim onde tudo o que deixei
para depois me espera.

O meu sorriso na chegada,
a minha lágrima no adeus,
tudo que parecia não valer nada,
mas me custou muito quando se perdeu.

Mais um dia,
menos um dia,
me distanciando do prometido,
me aproximando do esquecido.

Mais uma chuva,
o dia frio, em oração, diz amém,
eu que me acreditava sendo muito,
e me descubro, agora, sendo quase ninguém.

Os dias passaram e levaram
tudo o que eu acreditava ser, forte,
bonito, o meu vigor e as amizades que
deixei de viver, só me restou o adeus.


O Mensageiro - Chuy, setembro de 2026

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Just another day.

Another day, yet another day,
I drift further from the beginning, I draw closer
to the end—the end where everything I put off
until later awaits me.

My smile upon arrival,
my tear at the farewell,
everything that seemed worthless,
but cost me so much when it was lost.

Another day,
one day less,
moving away from what was promised,
drawing closer to what was forgotten.

Another rain,
the cold day, in prayer, says “Amen,”
I who believed myself to be so much,
and now find myself to be almost no one.

The days passed and took with them
everything that I believed myself to be, strong,
handsome, my vigor and the friendships that I
no longer nurtured; all that remained was a farewell.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O soluço do soluçar - The hiccup of hiccups


O soluço soluça o soluçar dos
inocentes.
São gente que sofre sem ter
a quem reclamar.

As lágrimas desafogam o
soluçar, mas não ameniza o
sofrimento daqueles que 
estão a chorar.

As preces dobram os seus e se
põem a orar, oram e suas
orações vão ao encontro dos
inocentes para lhes confortar.

O soluço, com o seu olhar fixo
no céu, implora por uma
intervenção divina que espera
que cedo ou tarde virá.


O Observador - Chuy, setembro de 2026.

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The hiccup of hiccups

The sob echoes the sobbing of 
the innocent.
They are people who suffer 
without any way to protest.

Tears give vent to the
sobbing, but do not ease the
suffering of those who have
reasons to weep.

The faithful fold their hands 
and begin to pray; they pray, 
and their prayers reach out to
the innocent to comfort them.

The sob, with its gaze fixed
on the horizon, hopes for a
divine intervention that it 
knows will occur sooner or 
later.

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domingo, 6 de setembro de 2026

As paredes falam. - The walls speak.

 

Não sei o que as paredes falam,
muito menos se elas falam, mas
a vida me ensinou que elas
veem e ouvem tudo o que se dá
ao seu redor e os guarda por
segredos, segredos só seus.

O silêncio da noite, em segredo,
me contou que as paredes, em
todos os evento que se dão
diante seu olhos, atuam senão
como protagonistas, o faz como
coadjuvantes.

O tempo me mostrou que,
independente do que demore,
a parede traz à luz tudo o que
foi vivido em seu ambiente.
O tempo me alertou que as
paredes não guardam segredos.

Ainda hoje não sei se as paredes
veem, e escutam os eventos que
se dão ao seu redor, mas não
tenho dúvidas de que não é
seguro guardar segredos entre
quatro paredes.

O Observador - Chuy, setembro de 2026.
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The walls speak.

I don’t know what the walls say,
much less if they speak at all, but
life has taught me that they
see and hear everything that happens
around them and keep it as
secrets, secrets all their own.

The silence of the night, in secret,
told me that the walls, in
every event that takes place
before their eyes, act if not
as protagonists, then as
supporting characters.

Time has shown me that,
no matter how long it takes,
the wall brings to light everything that
has been experienced in its surroundings.
Time has warned me that
walls do not keep secrets.

Even today, I don’t know if walls
see and hear the events that
unfold around them, but I have
no doubt that it is not
safe to keep secrets within
four walls.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O vendedor de ilusões. - The illusions seller.

 

Não tome os meus devaneios por

tuas verdades, pois somente eu 

sei dos medos que me assolam 

enquanto devaneando.


As minhas ilusões são minha 

ilusões e sou eu que as choro

quando estas, iradas, se

transformam em desilusões.


Sou um vendedor de ilusões e

vendo ilusões para os incautos

que se deixam iludir,

independente das lágrimas que

eu possa lhes causar.


Não tome os meus devaneios

por teus devaneios, pois só eu

os vivo e sei onde os estes

podem levar.


Não queira ser mais um

desavisado que visita as

minhas linhas para ouvir as

loucuras que, em devaneios,

costumo contar.


Sou um vendedor de ilusões e

só ilusões tenho para entregar.

Cuida as ilusões,

invariavelmente, costumam

machucar.


O Mensageiro - Chuy, setembro de 2026

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The illusions seller.

Don’t take my daydreams as 
your truths, for only I
know the fears that plague me
while I daydream.

My illusions are my illusions,
and it is me who mourn them
when they, in their fury,
turn into disappointments.

I am a seller of illusions, and
I sell illusions to those who
allow themselves to be 
deceived, regardless of the 
tears I may cause them to 
shed.

Do not take my daydreams
for your own, for only I
experience them, and I 
know where they may lead.

Don’t be just another
unsuspecting soul who visits
my pages to hear the 
madness that, 
in my daydreams, 
I tend to recount.

I am a seller of illusions,
and I have only illusions to 
offer to you.
Be careful with illusions 
they, invariably, tend to
hurt.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Se eu compreendesse a noite - If I understood the night



Se eu compreendesse a noite como
sempre acreditei compreendê-la eu
jamais a deixaria dormir só.
Se eu entendesse a solidão da noite
eu estaria sempre ao seu lado quando
no silêncio da madrugada.

Se eu amasse a noite como sempre
acreditei amá-la, eu a ninaria nas
gélidas madrugadas de inverno, e
cuidaria para que ela nunca provasse
o cálice da solidão.
Se eu amasse a noite!

Se eu compreendesse a noite como
sempre profecei compreende-la, eu
estaria com ela onde quer que ela
estivesse e jamais a deixaria
entregue à sua solidão quando na
solidão da madrugada.

O Mensageiro - Chuy, agosto de 2026

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If I understood the night

If I understood the night as
I’ve always believed I did, I
would never let her sleep alone.
If I understood the night’s loneliness,
I would always be by her side in
the silence of the early morning.

If I loved the night as I’ve always
believed I loved her, I would lull her to sleep in the
freezing winter dawns, and
I would make sure she never tasted
the cup of loneliness.
If I loved the night!

If I understood the night as
I have always claimed to understand it, I
would be with her wherever she
might be and would never leave her
at the mercy of her loneliness in the
loneliness of the early morning.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Santa Vitória do Palmar - Saint Victoria of Palmar

 

Tarde de verão, dentre outros tantos
senãos, às margens da lagoa mirim
nasceu uma nova paixão em mim.
Foi assim, o sol brilhando no céu, os
pássaros cantarolando, e o aroma
gostoso da lagoa me abraçando.

A lagoa mirim veio me encontrar em
Santa Vitòria do Palmar, extremo sul
do Rio Grande do sul, terra onde os
ventos do outono cumprimentam o
verão cantando as mais lindas
canções.

Santa Vitória do Palmar, santa 
morena, pele cor de canela, cabelos
anelados, sorriso misterioso.
Santa, menina, moça, mulher que
me abraça, minha Santa,
Santa Vitória do Palmar.

Tarde de verão, dentre outros tantos
senãos, eu pescando na lagoa mirim
e assim, me dou conta do quanto 
me encantam os voos das garças 
que sobrevoam o céu como se 
voando só para mim.

O Observador, Santa Vitória do Palmar, agosto de 2026.

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Saint Victoria of Palmar

An afternoon summer, among so many
other things, on the shores of Lagoa Mirim,
a new passion was born within me.
That’s how it was: the sun shining in the sky, the
birds chirping, and the delightful scent
of the lagoon enveloping me.

The little lagoon came to find me in
Santa Vitória do Palmar, at the southernmost tip
of Rio Grande do Sul, a land where the
autumn winds bid farewell to
summer by singing the most beautiful
songs.

Santa Vitória do Palmar, holy
brunette, cinnamon-colored skin,
curly hair, mysterious smile.
Saint, girl, young woman, woman who
embraces me, my Saint,
Santa Vitória do Palmar.

A summer afternoon, among so many
other things, I’m fishing in the little lagoon
and so, I realize just how much
I’m enchanted by the flight of the herons
that soar through the sky as if
flying just for me.

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domingo, 16 de agosto de 2026

As minhas loucuras. - My crazy moments.




Não vivo as minhas loucuras
como um louco.
Se me desse tomar as minhas
loucuras por guia, sorriria
quando tomasse a minha vida
por vadia.

As vadias, se loucas, não
seriam tão loucas como as
coisas do meu dia a dia.
Há uma semana não faz
sol e eu, em minha loucura,
vivo as nostalgias.

Não tomo a minha loucura
por mulheres da rua.
Louco respeito a sua nudez
e em vez de critica-la busco
a compreensão, ainda que
esta se recusa a
testemunhar o momento.

Não vivo as minhas loucuras
como deveria vivê-la sendo
um louco.
A lucidez, mulher sensata,
de vez em quando me
visita e sorri ao me encontrar
sano.


O Observador - Indaial, agosto de 2026,

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My crazy moments.

I don’t live my madness
like a madman.
If I were to let my
madness be my guide, I’d smile
when I took my life
as a slut.

Sluts, if they were mad, wouldn’t
be as mad as the
things in my daily life.
It hasn’t been sunny
for a week, and I, in my madness,
live in nostalgia.

I don’t mistake my madness
for streetwalkers.
Madly, I respect her nakedness,
and instead of criticizing her, I seek
understanding, even though
it refuses to
bear witness to the moment.

I don’t live my madness
the way I should, given that
I’m a madman.
Lucidity, that sensible woman,
visits me from time to time
and smiles when she finds me
sane.

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Manifestar - To express.


Transbordando medo, invento uma
desculpa para justificar a minha
culpa por não falar quando o
mundo pede para eu me manifestar.

Aterrorizado dobro o meu joelho em
oração mas a oração não me ouve,
ela não aceita a minha desculpa
para me guardar calado e me culpa.

Num descuido o terço me escapa,
me cai da mão e o chão o apara, ele
o apara e me olha de soslaio, olhar
que me acusa, não me desculpa.

Uma lágrima me cai dos olhos, mas
a desculpa não se apieda de mim e
me culpa, ela não entende o porquê
do meu medo de me manifestar.


O Mensageiro - Chuy, agosto de 2026.

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To express


Overflowing with fear, I make up an
excuse to justify my
guilt for not speaking up when the
world asks me to speak out.

Terrified, I bend my knees in
prayer, but prayer does not hear me;
it does not accept my excuse
for staying silent and blames me.

In a moment of carelessness, the rosary slips from my grasp,
falls from my hand, and the floor catches it; it
catches it and looks at me sideways, a gaze
of accusation, and offers me no forgiveness.

A tear falls from my eye, but
the excuse takes no pity on me and
blames me; it does not understand the reason
for my fear of speaking out.

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Manifestare

Travolto dalla paura, invento una
scusa per giustificare il mio
senso di colpa per non aver parlato quando il
mondo mi chiede di farmi sentire.

Terrorizzato, piego il ginocchio in
preghiera, ma la preghiera non mi ascolta,
non accetta la mia scusa
per restare in silenzio e mi biasima.

In un momento di distrazione il rosario mi sfugge,
mi cade dalla mano, il pavimento lo raccoglie, lo
raccoglie e mi guarda di sbieco, con uno sguardo
accusatorio, e non mi perdona.

Una lacrima mi scende dagli occhi, ma
la scusa non ha pietà di me e
mi incolpa, non capisce il perché
della mia paura di farmi sentire.

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Dê fala às palavras. - Give words a voice

Dê vez de fala às palavras e elas chegarão onde vivente algum consegue chegar,  liberte às palavras e elas um dia, quiçá, vos libertará. Tir...