terça-feira, 30 de abril de 2013

Tão pouco



Por pouco, 
Por quase nada caio!
No susto equilibrei-me em meus
Passos trôpego enquanto um
Sorriso maroto sorria de um
Pensamento tosco que me 
Ocorreu.
Enquanto um tropeço traiçoeiro 
tentava me derrubar, o não 
tenho nada a ver com isto
segurava o seu sorriso zombeteiro.
Por pouco, a maldade que
Esperava a sua hora de acontecer,
Não aconteceu.
O bem, coitado, tímido  guardou-se
De lado para não ofender 
Sentimentos irados que buscavam
Alento no que nunca se deu.
O é quase nada, achando-se pouco
De mais para se manifestar, 
Calou-se.
O pega e larga discute com
O leva e traz enquanto o 
Para com isto, desajeitado 
Apazigua os ânimos. 
O tão pouco achando-se pouco
De mais, quase desiste do que é
E deixa de acontecer.
Por pouco, 
Por quase nada caio tentando 
Equilibrar-me nos copos que 
Nunca bebi.

   O Observador - Brasílai, abril de 2013.

               *


segunda-feira, 29 de abril de 2013

A ira do silêncio



Se em sua ira, o silêncio não me tratasse com
tanto descaso,  eu jamais protestaria contra a
sua presença em meu dia a dia.
Não!
Eu não me angustiaria ao ouvir, no meio da 
noite, os gemidos da saudade suplicando-me
para gritar o teu nome.
Se em sua frigidez o silêncio não maltratasse
tanto o meu coração, eu sufocaria cada grito
que escapa do meu peito, e evitaria estes de
acordarem os gritos adormecidos na garganta
da noite.
Se a tristeza do silêncio não findasse
em meu coração, eu não protestaria tanto 
contra o que penso ser a solidão.
Se o silêncio não adormecesse em meus 
lábios, se o calar não fizesse seca à minha 
boca, eu não protestaria, eu jamais me 
oporia à escuridão da noite onde mora o 
silêncio.
Se as noites silenciosas não fossem tão 
longas e frias, se o inverno sem a tua 
presença não fosse tão parecido com tudo 
que o silêncio é, e se os meus lábios não
insistissem em chamar o teu nome eu não
protestaria contra a vida, que me encosta 
na parede sempre que penso em chorar as
minhas tristezas.
Se o silêncio não fosse o meu único 
conforto, quando a angústia toma o meu
coração, eu não teria tanto medo dos 
gritos que gritam em meio ao meu silêncio 
e gritaria com eles.
Se em sua ira o silêncio não gritasse 
comigo, se ele me deixasse em paz eu 
jamais pronunciaria o teu nome.

             Lido da Silva - Brasilia, setembro de 2012.

                                  *

sábado, 20 de abril de 2013

O meu retrato




O meu retrato!
O meu eu do jeito que sou, previsível até que o 
previsível se torne tão evidente que me obriga a crer 
ser eu este que vejo quando diante do espelho.
Sou o sol que brilha nos dias de chuva, sou a chuva
que chora as tristezas da vida, e sou a brisa que beija
os beijos dos apaixonados.
O meu retrato, um sorriso que sorri sem graça achando
graça dos infortúnios da vida.
Que vida?
O que será a vida?
Terá alguém vivido o bastante para ter aprendido, de
fato, o que é a vida?
Não creio!
O meu retrato sorri da ignorância daqueles que 
acreditam entender a vida, sem se dar conta de que a 
mão fria da morte os esta tirando para dançar. 
Quando o meu retrato, mundo, canta a sua canção, ele 
o faz até que a luz que não brilhava, brilhe e dê 
sentido a vida.
A vida!
O que será a vida, caso ela de fato exista?
Há pouco me referi a vida que vivo como se esta fosse
algo que me pertencesse, e então ela de imediato 
zombou da minha prepotência. 
Não tenho vida, a vida alojou-se em meu coração sem 
nunca tornar-se parte de qualquer evento que eu possa
considerar que me pertença.
O meu retrato sorri da minha ilusão de ser o "dono" da
que considero a minha vida.
Que vida?
O que é a vida se não uma sequência de fatos? 
O meu retrato, sarcástico, guarda-se ao perceber o 
vento sopra uma nuvem sobre o meu sol, e me vestir 
de frio. 
O meu retrato, o meu eu, o jeito que sou, a vida que
vivo.
A vida e suas imprevisibilidades que me desconcertam
sempre que me deixo acreditar que tenho uma vida
para viver. 
Tudo acaba assim; um adeus, as lágrimas, e o sorriso
sem graça da tristeza estampado nos lábios a se
despedirem da pessoa que aparece em meu retrato.
Retrato! 
A foto do meu retrato, eu. 
Acredito que sou apenas o fruto de um beijo, o último 
beijo antes das cinzas.

                       O Observador - Chuy, abril de 2013

                               *

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Minha fé - My faith



A minha fé!
Pobre da minha fé, tão confiante de si, mas 
fraqueja diante dos trovões da ferocidade 
das adversidades da vida.

Minha fé!
Criatura de personalidade forte que diante
da Cruz jura fidelidade e constância, mas 
que diante das dúvidas duvida. 

Minha fé! 
Mulher destemida, obstinada, corajosa, 
criança miúda, chorona, medrosa e
busca da fé.

A minha fé! 
Fé que se prostra diante da Cruz e pede 
forças para manter a sua fé.

Fé!
A minha fè que jura, promete nunca 
vacilar em sua fé mas que em meio às 
adversidades treme.

A minha fé!
Ora cheia de fé admira mas titumbeia
com medo de não ter as suas preces 
ouvidas.

Pobre da minha fé!
Ela crê, mas não acredita em sua 
capacidade de ser ouvida.
 
A minha fé!
Mulher forte, mas tão fraca quando a fé  
de qualquer pecador.
 
A minha fé! 
Pobre do meu espírito se dependesse só
da minha!
Ainda bem que Deus é pai!
 
A minha fé!
Fé que nunca me desampara, mas que 
sinto sua falta sempre que em meio às    
tempestades.

A minha fé! 
Pobre da minha!
Tão forte em mim, mas terrivelmente 
fraca diante das agruras da vida.
 
A minha fé, a minha fé!

O Profeta -  Brasília, Abril de 2013.

             *


My faith

My faith!
Poor faith of mine, so sure of itself, yet 
it falters in the face of the thunderous fury 
of life’s adversities.

My faith!
A creature of strong character who, before
the Cross, swears fidelity and constancy, yet 
who, in the face of doubts, wavers. 

My faith! 
A fearless, stubborn, courageous woman, 
a little child, tearful and fearful, 
in search of faith.

My faith! 
Faith that prostrates itself before the Cross and asks 
for strength to keep its faith.

Faith!
My faith that swears, promises never 
to waver in its faith, yet trembles 
amidst adversity.

My faith!
Now full of faith, it marvels, yet stumbles
in fear that its prayers 
will not be heard.

Poor is my faith!
It believes, but does not trust in its 
ability to be heard.
 
My faith!
A strong woman, yet as weak as the faith  
of any sinner.
 
My faith! 
Poor is my spirit if it depended only
on my own!
Thank goodness God is a father!
 
My faith!
Faith that never forsakes me, yet 
I miss it whenever I’m in the midst of    
storms.

My faith! 
Poor thing!
So strong within me, yet terribly 
weak in the face of life’s hardships.
 
My faith, my faith!

            *

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Causa-me cismas



Causa-me cismas o nada.
Sim! O nada pelado como nasceu.
O nada, simplesmente o nada, ele é tudo
Que mais me incomoda. 
Causa-me cismas o cinismo do nada que
Interfere em tudo em minha vida como
Se fora a sua vida.
O nada, desavergonhado como nasceu,
Influi até nos meus pecados inocentes 
Que, ignorantes, desconhecem a verdade
Das verdades que lhes foram escondidas.
Cismo! Cismo sempre que vejo o nada,
Como um bêbado vadio, sentar-se
Sorrateiramente ao meu lado.
A presença do nada me desconcerta,
Ela rouba-me a paz, me angustia e
Obriga-me a voltar a um tempo que
Pensei haver esquecido.
Causa-me cismas o silêncio resmungão
Do nada. Nada! Nada me angustia mais
Que a busca daquilo que o nada
Transformou em nada com o passar do
Tempo. Imagine eu ser obrigado a aceitar
Uma  grande paixão transformar-se em
Nada como se nada tivesse acontecido!
Que lástima eu ter que concordar que um
Lindo e intenso amor  que em algum tempo
Habitou o meu coração transformou-se
Em nada! Não! Causa-me cismas a
Simplicidade com que o nada trata  a
Minha vida. Causa-me cismas o nada não
Lamentar as lágrimas perdidas. Causa-me
Cismas conviver com o nada como se nada
Ele  fosse. Causa-me cismas a presença do
Nada em meu dia a dia. Causa-cismas.

                                     Abril, 17 de 2013

                                *


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Entendimentos - Understanding



Não sou o criador do entendimento de que
O nada é algo morto, vazio, é nada.
Não é meu o pensamento de que o silêncio
É mudo, não participativo. Ainda ontem,
Enquanto caminhava numa das tantas ruelas
Da vida, deparei-me com o nada matutando
Sobre a sua suposta invalidez, sobre o vazio
A que o seu nome induz enquanto o silêncio,
Abraçado à mudez do grito calado,
O observava em sua meditação.

Não é meu o conceito de que o nada, ainda
Que a sua razão induza a acreditar que nada
Significa, seja a inexistência de qualquer coisa.
Ainda ontem, conversando com a insensatez,
Percebi que é loucura acreditar que o nada
Seja um personagem que não existe. Percebi,
Também que quando o nada defronta-se
Consigo mesmo ele desmente-se e enche-se
De vida.

Não fui eu quem gerou o entendimento de
Que o nada é evitável. Não faz muito assisti,
Surgindo do nada, o fogo que destrói os
Pensamentos bons. Não gosto do silêncio
Debochado do nada! O nada quando,
Equivocadamente, é abandonado em sua falsa
Insignificância zomba dos que  acreditam em
Sua incapacidade, em sua irracionalidade.
Não é minha a percepção de que o nada seja
Nada.

        O Mensageiro - Brasília, abril, 2013


                        *



Understanding


I am not the creator of the understanding
That the nothing means something dead,
Empty, nothing.
It isn't my the thought that the silence is
Dumb, not participative. Yesterday,
While I was walking in one of those
Many alley of the life, I came across with
The nothing wondering about his alleged
Disability, about the emptiness on which
His name induces, as the silence
Embraced the dumbness of the dead cry,
Observing it in his meditation.

It is not my concept that the nothing, even
All the reason induces us to believe that
It means nothing, be the absence of
Anything. Just yesterday, by talking with
The insanity, I realized that it is insane to
Believe that the nothing is a character that
Does not exist. I realized, too, that when
The nothing is facing himself, he denies
What he really means and comes out full
Of life.

It was not me who generated the
Understanding that the nothing is
Preventable. Not long ago, I watched
Surging out from nowhere, the fire that
Destroys the goods thoughts. I don't like
Mocking silence of the nothing! ´
The nothing, when mistakenly abandoned
In its false insignificance, mocks those
Who believe in its inability, in its
Irrationality. It is not my perception that
Nothing is none.
                                           
April 15, 2013
                             *



As dúvidas - The doubts

As dúvidas são a angústia das angústia. A dúvida é uma aflição sem início,  meio e fim. Pobre do angustiado, escravo das  dúvidas e de tudo ...