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Causa-me cismas a indiferença do nada.
Sim!
O nada, pelado como ele nasceu, me
causa cisma.
O nada, simplesmente o nada, é
tudo
que mais me incomoda.
Causa-me cismas o cinismo do nada que
interfere em minha vida como se fora a
sua vida.
O nada, influi até nos meus pecados que,
ignorantes como são, desconhecem a
verdade das verdades que lhes são
escondidas.
Cismo!
Cismo sempre que vejo o nada, como
um bêbado vadio, sentar-se ao meu lado.
A presença do nada me desconcerta, me
rouba a paz, me angustia e me obriga a
voltar a um tempo que pensei haver
esquecido.
Causa-me cismas o silêncio resmungão
do nada.
Nada!
Nada me angustia mais que a busca
daquilo que o nada transformou em
nada com o passar do tempo.
Imagine eu ser obrigado a
aceitar uma
grande paixão transformar-se em nada
como se nunca houvesse existido!
Que lástima eu ter que concordar que
um lindo e intenso amor que em algum
tempo habitou o meu coração se
transformou em nada!
Não!
Causa-me cismas a simplicidade com
que o nada trata a minha vida.
Causa-me cismas o nada não lamentar
as lágrimas perdidas.
Causa-me cismas conviver com o nada
como se
nada ele fosse.
Me causa cismas a presença do nada
no meu dia a dia.
Causa-me cismas.
O Observador - Brasília, Abril de 2013
*
It makes me wonder
The indifference of nothingness gives me pause.
Yes!
Nothingness, stripped bare as it was born,
gives me pause.
Nothingness—simply nothingness—is
what troubles me most.
The cynicism of nothingness gives me pause, as it
interferes in my life as if it were
its own.
Nothingness even influences my sins, which,
ignorant as they are, are unaware of the
truth of truths that are
hidden from them.
I ponder!
I ponder whenever I see nothingness, like
a drunken vagrant, sitting beside me.
The presence of nothingness baffles me,
robs me of my peace, distresses me, and forces me to
return to a time I thought I had
forgotten.
The grumbling silence
of nothingness gives me pause.
Nothing!
Nothing distresses me more than the search
for that which nothingness has turned into
nothing over the passage of time.
Imagine being forced to accept that a
great passion has turned into nothing
as if it had never existed!
What a pity that I have to accept that
a beautiful and intense love that once
dwelt in my heart has
turned into nothing!
No!
It troubles me how casually
nothingness treats my life.
It troubles me that nothingness doesn’t mourn
the tears that have been lost.
It troubles me to live with nothingness
as if it were nothing at all.
It troubles me that nothingness is present
in my daily life.
It troubles me.
*
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