domingo, 16 de agosto de 2026

As minhas loucuras. - My crazy moments.




Não vivo as minhas loucuras
como um louco.
Se me desse tomar as minhas
loucuras por guia, sorriria
quando tomasse a minha vida
por vadia.

As vadias, se loucas, não
seriam tão loucas como as
coisas do meu dia a dia.
Há uma semana não faz
sol e eu, em minha loucura,
vivo as nostalgias.

Não tomo a minha loucura
por mulheres da rua.
Louco respeito a sua nudez
e em vez de critica-la busco
a compreensão, ainda que
esta se recusa a
testemunhar o momento.

Não vivo as minhas loucuras
como deveria vivê-la sendo
um louco.
A lucidez, mulher sensata,
de vez em quando me
visita e sorri ao me encontrar
sano.


O Observador - Indaial, agosto de 2026,


               #


My crazy moments.

I don’t live my madness
like a madman.
If I were to let my
madness be my guide, I’d smile
when I took my life
as a slut.

Sluts, if they were mad, wouldn’t
be as mad as the
things in my daily life.
It hasn’t been sunny
for a week, and I, in my madness,
live in nostalgia.

I don’t mistake my madness
for streetwalkers.
Madly, I respect her nakedness,
and instead of criticizing her, I seek
understanding, even though
it refuses to
bear witness to the moment.

I don’t live my madness
the way I should, given that
I’m a madman.
Lucidity, that sensible woman,
visits me from time to time
and smiles when she finds me
sane.

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Manifestar - To express.


Transbordando medo, invento uma
desculpa para justificar a minha
culpa por não falar quando o
mundo pede para eu me manifestar.

Aterrorizado dobro o meu joelho em
oração mas a oração não me ouve,
ela não aceita a minha desculpa
para me guardar calado e me culpa.

Num descuido o terço me escapa,
me cai da mão e o chão o apara, ele
o apara e me olha de soslaio, olhar
que me acusa, não me desculpa.

Uma lágrima me cai dos olhos, mas
a desculpa não se apieda de mim e
me culpa, ela não entende o porquê
do meu medo de me manifestar.


O Mensageiro - Chuy, agosto de 2026.


                #


To express


Overflowing with fear, I make up an
excuse to justify my
guilt for not speaking up when the
world asks me to speak out.

Terrified, I bend my knees in
prayer, but prayer does not hear me;
it does not accept my excuse
for staying silent and blames me.

In a moment of carelessness, the rosary slips from my grasp,
falls from my hand, and the floor catches it; it
catches it and looks at me sideways, a gaze
of accusation, and offers me no forgiveness.

A tear falls from my eye, but
the excuse takes no pity on me and
blames me; it does not understand the reason
for my fear of speaking out.

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Manifestare

Travolto dalla paura, invento una
scusa per giustificare il mio
senso di colpa per non aver parlato quando il
mondo mi chiede di farmi sentire.

Terrorizzato, piego il ginocchio in
preghiera, ma la preghiera non mi ascolta,
non accetta la mia scusa
per restare in silenzio e mi biasima.

In un momento di distrazione il rosario mi sfugge,
mi cade dalla mano, il pavimento lo raccoglie, lo
raccoglie e mi guarda di sbieco, con uno sguardo
accusatorio, e non mi perdona.

Una lacrima mi scende dagli occhi, ma
la scusa non ha pietà di me e
mi incolpa, non capisce il perché
della mia paura di farmi sentire.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A política - Politics.



Se existe uma mulher pela qual
não nutro nenhuma simpatia,
está mulher é a política, daí eu
querer tê-la sempre à vista, 
e saber o que ela anda fazendo.

A política é aquele tipo de
mulher para a qual não confio
virar as costas, ela é traiçoeira,
ela se mete em tudo.

A política se mete tanto em
minha vida, que determina até
onde posso ou não posso
morar, não dá para ignorá-la.

Apesar de todo o meu desprezo
pela política, me obrigo a ser
atencioso com ela.
Para que brigas?

A política é vaidosa, ela gosta de
ser percebida, daí não ser 
inteligente ignorá-la sob os risco
de ser ignorado por ela.

Ser ignorado pela política não é
de boa sorte, não quero ter a 
mesma sorte dos abandonados,
dos que ignoraram a política 
qundo esta os procurou.

O Mensageiro - Chuy, agosto de 2026


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Politics.


If there’s one woman for whom
I have absolutely no sympathy,
that woman is politics—which is why I
want to keep her in sight at all times,
to know what she’s up to.

Politics is the kind of
woman I don’t trust
enough to turn my back on; she’s treacherous,
she meddles in everything.

Politics meddles so much in
my life that it even determines
where I can and cannot
live—there’s no way to ignore it.

Despite all my contempt
for politics, I force myself to be
considerate toward it.
Why fight?

Politics is vain; it likes to
be noticed,  so it’s not
smart to ignore it, at the risk
of being ignored by it.

Being ignored by politics isn’t
good luck; I don’t want to share the
fate of the abandoned, of those
who ignored politics when it
sought them out.

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sábado, 1 de agosto de 2026

Não reclamo das dores - I don't complain about the pain.


Não reclamo da dor com a qual o
desprezo em que me guardas
castiga o meu corpo, pior seria
se açoitasse o meu espírito.

Chorar escondido não faz o menor
sentido, e verter lágrimas sabendo
poder ser ignorado não tem razão.

Viver reclamando da solidão não
cura e aborrece, melhor é seguir
adiante, não lhes dar atenção.

O frio do desprezo em que me
guardas machuca, e o seu sabor é
amargo, daí eu não reclamar do frio
que o frio do que vivo me impõe.


O Filósofo - Chuy, agosto de 2026


             &


I don't complain about the pain


I do not complain about the pain with which the contempt in which you hold me punishes my body; it would be worse if it lashed my spirit. Crying in secret makes no sense at all, and shedding tears knowing I might be ignored is pointless. Living while complaining about loneliness does not heal and is tiresome; it is better to move on, to pay them no attention. The cold of the contempt in which you hold me hurts, and its taste is bitter; that is why I do not complain about the cold that the cold of my existence imposes on me.

&

Non mi lamento dei dolori

Non mi lamento del dolore con cui il disprezzo con cui mi trattieni punisce il mio corpo; sarebbe peggio se flagellasse il mio spirito. Piangere di nascosto non ha alcun senso, e versare lacrime sapendo di poter essere ignorato non ha ragione d’essere. Vivere lamentandosi della solitudine non guarisce e infastidisce; meglio è andare avanti, senza prestare loro attenzione. Il freddo del disprezzo con cui mi tratti mi ferisce, e il suo sapore è amaro; ecco perché non mi lamento del freddo che il freddo di ciò che vivo mi impone.

&

O amor não morre. - Love never dies.



O amor não morre no
adeu.
As lágrimas não
secam por serem 
choradas.
A tristeza não acaba
no vazio da distância.
O sono nem sempre
chega com o 
anoitecer.

A angústia ampara os
desiludidos. 
Ela é a companheira
fiel dos que são 
entregues à solidão.
Ela conhece as
palavras que 
consolam qualquer 
coração.

O amor não morre por
causa de decepções.
O amor não guarda
ressentimento por
causa de desilusões.
Por mais machucado
que esteja, o coração
sempre chora quando 
na hora do adeus.


O Filósofo - Chuy, agosto de 2026.


          @ 



Love never dies.

Love doesn't die with a
goodbye.
Tears don't
dry up just because they've been
cried.
Sadness doesn't end
in the emptiness of distance.
Sleep doesn't always
come with
nightfall.

Anguish sustains the
disillusioned.
It is the faithful companion
of those who are
surrendered to loneliness.
It knows the
words that
comfort any
heart.

Love does not die
because of disappointments.
Love does not hold a
grudge because
of disappointments.
No matter how wounded
it may be, the heart
always cries when
it is time to say goodbye.

           @

As desavenças - The Disagreements.


Não guardo as desavenças como
desavenças, desentendimentos
chegam sempre que encontram
portas abertas.

Coração contrariado tende magoar,
e a mágoa nunca abandona o lugar
em que nasce, não gosto das 
desavenças, opto por ficar calado.

Não guardo as desavenças como
desavenças, prefiro tê-las como
estrada caminhada, e/ou situações
vividas.

Coração ressentido, se não
cuidado, se faz rancoroso.
Não guardo rancor, ele não é meu,
não nasceu comigo.

Guardo a desavença como mulher
vaidosa, evito mexer com seu ego,
fujo dos seus argumentos, ignoro
a suas vaidades.


O Profeta - Chuy, agosto de 2026.


          @ 


The Disagreements

I don’t hold onto disagreements as
disagreements; misunderstandings
always arise when they find
open doors.

A troubled heart tends to hurt,
and the hurt never leaves the place
where it was born; I don’t like
disagreements, so I choose to remain silent.

I don’t hold onto disagreements as
disagreements; I prefer to see them as
a path I’ve walked, and/or situations
I’ve experienced.

A resentful heart, if not
carefully tended, becomes bitter.
I don’t hold a grudge—it isn’t mine;
it wasn’t born with me.

I handle disagreements like a vain woman:
I avoid hurting her ego,
I steer clear of her arguments, and I ignore
her vanity.

                 @

As minhas loucuras. - My crazy moments.

Não vivo as minhas loucuras como um louco. Se me desse tomar as minhas loucuras por guia, sorriria quando tomasse a minha vida por vadia. As...