quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Desenganados.

 


Que o desengano não engane um

pobre descuidado.

Lá fora, ao desabrigo do amor, o

frio é tão intenso que não se

sente dor. 


Morrer de frio é o mesmo que

viver ao desabrigo da pessoa

amada.

Para o apaixonado pouco 

importa se a paixão traz mais

tristezas que alegria.


Que o desengano não 

desengane os enganados, de

lágrimas o mar está

transbordando e os sonhos se

desmanchando. 


Não deixarei de amar por temer

os desenganos.

Que o engano não se engane,

não me condenarei a conviver

eternamente com o pesadelo da

solidão.


Lido da Silva, Chuy, novembro de 2023


                   @ 


O silêncio das ovelhas

 

Pobre massa, hipnotizada pela cuca,

como ovelhas, não se dá conta de

sua situação e ainda que algum dia   

desperte, será tarde para ação. 


O mundo se transformou em pasto

de ovelhas desgarradas.

Rebanho, malta de muitas faltas,

coisa de predadores. 


Rebanho arredio, sem noção de

parentela, vaga sem rumo. 

Armentio sem pascigo, presa fácil

para a cuca. 


A cuca dominou as querências e

do alto do seu trono observa seu 

alfeire que pasta distenso sem a 

ciência de já ser vincular.


Sob a hipnotize da cuca, ainda

que tosquiadas constantemente,

as borregas guardam silêncio,

o silêncio das ovelhas. 

               Lido da Silva - Chuy, novembro de 2023


                     @ 


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

O descuido - The carelessness


No descuido, vive o abandono,
existe a falta de interesse
e o desinteresse de coexistir.

Não quero estar aqui quando
o sol se fizer frio, e o
desinteressado deixar de sorrir.

O adeus é o prelúdio do
desespero do desinteressado
deixado para trás.

Que chore o descuidado, pois
não foi eu a abrir a porta para
o descuido entrar.

Que o descuidado apague a
luz quando sair, não aceito
descuido, não vou esperar.

Que o descuido descuide,
mas o faça, sem esperar eu
opinar.
  

Lido da Silva - Chuy, 27 de novembro de 2023.


                @ 


The carelessness 


In the carelessness, lives the 
abandonment, there is a lack
of interest and the lack of 
interest in to live together.

I don't want to be here when
the sun gets cold, and the
disinterested stop to smil.

The goodbye is the prelude 
of the despair of the 
disinterested left back.

Let the careless cry, since 
it
wasn't me who opened the 
door for to allow the  
carelessness to get inn.

May the careless turn off 
the light when it comes out, 
I don't accept carelessness, 
I won't wait.

Let carelessness to 
neglect, but do it without 
me.

               @

sábado, 25 de novembro de 2023

Vozes - Voices


Ontem, bem ali na esquina, vi uma voz
ser calada.
O medo que reina no momento é tão
intenso que nem os cachorros, que
naquele momento passavam pelo local,
rosnaram.
Os cachorros não latiram, fingiram não
haver testemunhado o ocorrido, não
emitiram sequer um rosnar,
amedrontados, optaram por calar.

Os cães não latiram!
A prudência os calou, então me 
sentindo desprotegido, optei por 
calar-me também.
Sim, diante do silêncio amedrontado 
cães, optei por calar-me.
Sem a proteção dos cachorros me senti
vulnerável, desprotegido, e então 
guardei silêncio.

Se os cães que nasceram para rosnar 
diante de situações atípicas guardam
silêncio, quem sou eu para resmungar?
Até os gatos que costumeiramente 
descem dos telhados e passeiam pelas
ruas agora já não descem dos telhados,
observando o ambiente ao seus 
entorno, astuto como são, se 
recolheram.

Tomados pela cismas, e sem querer
arriscar algumas de suas sete vidas,
os gatos desceram dos telhados se 
recolheram aos seus aposento e se 
recusam a comentar o momento.
Ainda que com a minha consciência
me condenando, faço como os gatos,
me guardo calado.

Me calei, mas este meu silêncio me
consome, me doí muito.
Choro a dor de ver vozes caladas!
Choro, também, a incerteza de saber
que outras tantas vozes ainda serão ser
caladas antes de os cachorros
entenderem que precisam voltar a 
latir.

 O Observador, Chuy, novembro de 2023


                   @ 


Voices


Yesterday, right there on the corner, 
I saw a voice fall be silented.
The fear that reigns at the moment is so
intense that not even the dogs, who
were passing by at that moment,
growled.
The dogs didn’t bark; they pretended not
to have witnessed what happened, didn’t
utter even a growl,
frightened, they chose to remain silent.

The dogs didn’t bark!
Prudence silenced them, so, 
feeling unprotected, I chose to 
remain silent as well.
Yes, in the face of the dogs’ fearful 
silence, I chose to remain silent.
Without the dogs’ protection, I felt
vulnerable, unprotected, and so 
I kept silent.

If the dogs, that was born to growl 
in the face of unusual situations, keep
silent, who am I to grumble?
Even the cats that usually 
come down from the rooftops and stroll 
through the streets no longer come down 
from the rooftops; observing their 
surroundings, cunning as they are, they 
have withdrawn.

Lost in thought, and not wanting
to risk any of their seven lives,
the cats have come down from the rooftops, 
retreated to their rooms, and 
refuse to comment on the moment.
Even though my conscience
condemns me, I do as the cats do,
I keep silent.

I have fallen silent, but this silence of mine
consumes me, it hurts me deeply.
I weep at the pain of seeing silenced voices!
I weep, too, at the uncertainty of knowing
that so many other voices will still be
silenced before the dogs
understand that they need to start
barking again.

                  @


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Passado a tempestade

 

Não tenho razão para reclamar.

Você nunca prometeu me amar nem

disse ter amor para me dar. 

 

Te amei acreditando que, te 

amando, conseguiria fazer você me

amar.

Não aconteceu.

 

Me entreguei a ti convencido de que,

me entregando, o tempo se 

encarregaria de te convencer a se 

entregar a mim também.

Me enganei. 

 

Agora que o que nunca existiu entre

nós dois acabou, percebo que só eu 

choro.

Você sequer ligou. 


Passado a tempestade da desilusão,

agora mais sereno, creio ter 

aprendido a lição.

Em relação de amor não há lugar

para gratidão.


Querer não garante que serei 

querido.

Amar não garante que serei amado, 

se assim fosse não teríamos 

terminado. 


     Lido da Silva - Chuy, 21 de novembro 2023


                 @ 


sexta-feira, 17 de novembro de 2023

O fim dos tempos - The end of times

 

                                                                      Foto: Olavo D. Neto


Como te atreves a falar do fim dos tempos?

Terá Deus, realmente, te entregue esta

missão?

Cala-te! Não conheces nada além do que

se deu no dia de ontem!


Como te atreves a profetizar a volta do

Senhor Jesus Cristo? 

Cuida! Não confies em tudo que os teus 

olhos te veem, até porque o que eles veem

nem sempre representa a verdade.


Atenção! Não creia em tudo que os teus 

ouvidos ouvem.

Às vezes os cochichos mentem e os 

sussurros enganam.

Sonhos são só sonhos, nada mais.


Cuida!

Os sonhos são tão reais quanto os 

pesadelos.

Os sonhos, se mal interpretados, são tão

assustadores quanto os piores pesadelos. 


Não profetize o que não te foi dado a 

profetizar.

A falsa profecia é tão perniciosa quanto

a mentira. 

Ela é a própria mentira.

 

            Habacuc, Chuy, nobembro de 2023


                               @

 

 

The end of times

How dare you to talk about the end of the times?
Has God really given to you this mission?
Shut up! You don't know anything more than
what happened yesterday!

How dare you to prophesy the return of
Lord Jesus Christ?
Takes care! Don't trust in everything your
eyes see you, most of the time what they see
does not represent the truth.

Attention! Don't believe everything your
ears hear.
Sometimes whisperers lie and
whispers deceive.
Dreams are just dreams, nothing else.

Takes care!
The dreams are as real as nightmares.
Dreams, if misinterpreted, are so
Scary as the worst nightmares.

Do not prophesy what has not been given to you
To prophesy.
False prophecy is as pernicious as
the lie.
It is a lie.

                       @








quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Poetizando a razão

 

                                                                      Foto:Olavo D.Neto

Eu poetizo!

Poetizo a “Razão”, essa mulher tresloucada

que, em sua loucura lúcida, é a mais sana 

das sanas, e a mais sábia das sábias.


Poetizo!

Poetizo a “Razão” porque ela é a mãe das 

razões. 

É ela quem guarda o entendimento de tudo,

inclusive do pós vida.


Poetizo!

Eu poetizo a “Razão” e, até mesmo, os seus 

descalabro nos seus momentos mais insanos. 

Os poetizo porque, se só sanos fossem, 

não seriam a “Razão”.


Eu poetizo!

Poetizo a “Razão” mesmo quando esta, 

ensandecida, me induz a refletir sobre a 

existência ou não da sanidade.


                         Habacuc - Chuy, novembro de 2023




quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Psiu! - Psst!!!

Psiu!!!
Atenção, ouçam!
Estou ouvindo crianças chorando!
Vocês não ouvem?
Ouçam! Ouçam! Ouçam!!!
Há choro clamando clemência.

Psiu!!
Ouçam! ouçam!
É choro sofrido,
pouco mais que um gemido,
é um pedido mudo de socorro.
Ouçam!

Ouçam!
De onde será que vem estes
choros?
É choro de criança,
choro de criança sofrida
São muitas feridas.

Psiu!!!
Calem, calem, calem!
O mundo precisa ouvir esses
gritos que gritam em forma
de gemido, gemido de muita
dor.

Será de onde vem esses
gemidos?
Gemidos que me provocam
muita dor.
Psiu!!!
Ouçam por favor.

  Lido da Silva -  Chuy, novembro de 2021.


                         @ 


Psst!!!

Psst!!!
Attention, listen!
I am hearing children crying!
Don't you hear?
Listen! Listen! Listen!!!
There are cries crying out for mercy.

Psst!!
Listen! listen!
It's painful crying,
little more than a moan,
It's a silent cry for help.
Listen!

Listen!
Where do these crying comes
from?
It's a child's cry,
crying of a suffering child
There are many wounds.

Psst!!!
Shut up, shut up, shut up!
The world needs to hear these
screams that scream in shape
of moaning, groaning of a lot
pain.

Where do these moans
from?
Moans that provoke me
much pain.
Psst!!!
Please listen.

                  @

As dúvidas - The doubts

As dúvidas são a angústia das angústia. A dúvida é uma aflição sem início,  meio e fim. Pobre do angustiado, escravo das  dúvidas e de tudo ...