Não creio que me odeias como
acreditas me odiar.
Penso que o que inquieta o teu
espírito é saber que já não vivo
mais sob o teu julgo, que já
não me encontro ao alcance do
teu chicote, já não podes me
chicotear.
O meu pesadelo acabou, o teu
destempero já não me aflige, e
os teus gritos não me acordam
mais no meio da noite para me
acusar.
Estou fora do alcance do teu
chicote, não podes mais me
chicotear.
Há muito não sei de ti, e quando
fico sabendo, sou avisado do
teu desprezo por mim.
Enfim, não creio em teu
desprezo, acho que o que te
angustia é saber que gosto das
coisas assim como elas estão.
O teu chicote não chegando
ainda hoje me chicotearia.
Ninguém percebeu as minhas
lágrimas, mas chorei muito
enquanto sob o teu julgo, o preço
cobrado pela minha liberdade foi
absurdo, mas valeu, estou fora
do alcance do teu chicote.
O mensageiro - Chuy, março de 2025.
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