Estou vivendo o nada, me encontro perdido em
uma imensa confusão de pensamentos,
pensamentos que me torturam.
Choro!
Choro um choro que se esconde atrás de um
sorriso frio como o sol do inverno.
Vivo o pesadelo de um pecado que não cometi,
estou experimentando uma chuva da qual me
escondo com medo de um medo que ainda não
me foi dado a viver.
Tenho os meus pés dentro de uma bacia com
água gelada, com medo de os colocar no chão
e adoecer.
Procurando os pingos da última chuva, abraço
o céu, então um cisco cai em meus olhos e me
impede de ver o teu sorriso vitorioso que sorri
da minha inocência em ter confiado em ti.
E tu me acusa.
Sob a tua acusação tenho os meus braços
ocupados, em meu colo há uma culpa que
não é minha mas que juras ser.
O meu sorriso sorrir um sorriso apagado,
sufocado por lágrimas que me recuso a chorar.
Ignorando o calor do sol, o vento sopra gélido
e fere o meu peito com a saudades, saudades
de uma felicidade que não vivi.
O Observador - Brasília, abril de 2012.
*
Responsibility
I am living in a void, lost in
a vast jumble of thoughts,
thoughts that torment me.
I weep!
I weep tears that hide behind a
smile as cold as the winter sun.
I live the nightmare of a sin I did not commit,
I am experiencing a rain from which I
hide, afraid of a fear I have not yet
been given to experience.
My feet are in a basin of ice-cold water,
afraid to put them on the ground and get sick.
Searching for the drops of the last rain,
I embrace the sky, then a speck falls into my
eyes and prevents me from seeing your
victorious smile that mocks my innocence in
having trusted you.
And you accuse me.
Under your accusation my arms are
occupied; in my lap lies a guilt that is not
mine but which you swear that it is.
My smile is a faint smile, smothered by the
tears that I refuse to cry.
Ignoring the sun’s warmth, the wind blows
icy and pierces my chest with longing,
longing for a happiness that I never knew.
*
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