
Que desatino!
O meu destino, desvairado, zomba da minha sorte.
Que desalento, sentir lágrimas frias e
escorregadias despencarem dos meus olhos
dizendo não suportarem mais viver comigo.
Desatino, revolta!
Voltar para braços que nunca quiseram me abraçar,
mas que ainda assim me abraçam por acreditarem
ser seus destino me abraçarem.
Que descaminho!
Eventos me garantiram que eu não choraria, que eu
não sofreria as decepções que sofro agora.
Sofro como alguém que nunca
viveu neste mundo
louco, sofro como os tolos sofrem buscando o seus
lugar ao sol.
Que destino, absurdo!
Destino desatinado, me desengana da perspectiva de
que viverei dias melhores.
Em minhas andanças encontro todas as sortes de
destinos, encontro inclusive os desanimadores, os
ávidos por
me abraçar.
Que sina!
Permitir ser governado por um desconhecido e
ainda ter de chama-lo de meu.
Que desatino, são tantas as armadilhas escondidas
em um destino que escolher um para ser o meu, me
parece mais assustador que ter de tomar um cálice
oferecido por um desconhecido.
O Mensageiro - Chuy, setembro de 2012.
*
What madness
What madness
What madness!
My fate, gone wild, mocks my luck.
What despair, to feel cold, slippery tears
plummeting from my eyes,
saying they can no longer bear to live with me.
Madness, rebellion!
Returning to arms that never wanted to embrace me,
yet still embrace me because they believe
it is their destiny to hold me.
What a wrong turn!
Events assured me I wouldn’t cry, that I
wouldn’t suffer the disappointments I suffer now.
I suffer like someone who has never lived in this
crazy world; I suffer as fools suffer, seeking their
place in the sun.
What a fate, how absurd!
A senseless fate, it disillusions me from the hope
that I will live better days.
In my wanderings I encounter all sorts of
fates; I even encounter the discouraging ones, the
ones eager to embrace me.
What a fate!
To allow myself to be ruled by a stranger and
still have to call him my own.
What folly—there are so many hidden traps
in a fate that choosing one to be mine
seems more frightening than having to drink from
a chalice offered by a stranger.
*
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