
Photo by Ana Clara
No turbilhão de palavras, as quais alimentam
os meus devaneios, há aquelas nas quais me
perco, nas quais tropeço, acredito e
desacredito.
No emaranhado de pensamentos nos quais
os devaneios atiram, percebo os olhares que
me observam, as vozes que cochicham, que
me criticam e me acusam de pecados que
nunca pequei.
Quando vivendo o turbilhão de
pensamentos, que normalmente me
empurram aos devaneios, prefiro estar só,
finjo divagar pensamentos, pensamentos
os quais nunca vagueio.
No meu cotidiano as palavras são como o
sopro do vento que empurra o meu corpo
violentamente contra a parede, o abraça, o
aperta e o obriga a confessar pecados que
nunca pecou.
No turbilhão de pensamentos habitam o
que sou há aquelas que com os seus tons
melodiosos, recitam os poemas que adornam
as minhas noites de luar e me entrega ao
devanear.
Em meio ao turbilhão de palavras que me
falam, ha aquelas que me induzem a
acreditar nos mistérios da paixão.
Na selva de devaneios nos quais viajo,
no meu cotidiano, vivo a minha razão.
O Observador - Brasília, setembro de 2012.
*
Jungle of Words
In the whirlwind of words that fuel
my daydreams, there are those in which I
lose myself, in which I stumble, believe, and
doubt.
In the tangle of thoughts into which
my daydreams cast me, I sense the gazes that
watch me, the voices that whisper, that
criticize me and accuse me of sins I
have never committed.
When caught up in the whirlwind of
thoughts that usually
push me into daydreams, I prefer to be alone;
I pretend to let my thoughts wander—thoughts
I never actually let wander.
In my daily life, words are like the
breath of the wind that pushes my body
violently against the wall, embraces it,
squeezes it, and forces it to confess sins it
has never committed.
Amid the whirlwind of thoughts dwell those
that define who I am—those whose
melodious tones recite the poems that adorn
my moonlit nights and surrender me to
daydreaming.
Amid the whirlwind of words that
speak to me, there are those that lead me to
believe in the mysteries of passion.
In the jungle of daydreams through which I travel,
in my daily life, I live by my reason.
*
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