sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Selva de palavras - Jungle of Words


                       Photo by Ana Clara

No turbilhão de palavras, as quais alimentam
os meus devaneios, há aquelas nas quais me 
perco, nas quais tropeço, acredito e 
desacredito.

No emaranhado de pensamentos nos quais 
os devaneios atiram, percebo os olhares que
me observam, as vozes que cochicham, que 
me criticam e me acusam de pecados que 
nunca pequei.

Quando vivendo o turbilhão de 
pensamentos, que normalmente me 
empurram aos devaneios, prefiro estar só,
finjo divagar pensamentos, pensamentos
os quais nunca vagueio.

No meu cotidiano as palavras são como o 
sopro do vento que empurra o meu corpo 
violentamente contra a parede, o abraça, o
aperta e o obriga a confessar pecados que 
nunca pecou.
 
No turbilhão de pensamentos habitam 
que sou há aquelas que com os seus tons 
melodiosos, recitam os poemas que adornam
as minhas noites de luar e me entrega ao 
devanear.
 
Em meio ao turbilhão de palavras que me 
falam, ha aquelas que me induzem a 
acreditar nos mistérios da paixão. 
Na selva de devaneios nos quais viajo,
no meu cotidiano, vivo a minha razão.

      O Observador - Brasília, setembro de 2012.

                    *

Jungle of Words

In the whirlwind of words that fuel
my daydreams, there are those in which I 
lose myself, in which I stumble, believe, and 
doubt.

In the tangle of thoughts into which 
my daydreams cast me, I sense the gazes that
watch me, the voices that whisper, that 
criticize me and accuse me of sins I 
have never committed.

When caught up in the whirlwind of 
thoughts that usually 
push me into daydreams, I prefer to be alone;
I pretend to let my thoughts wander—thoughts
I never actually let wander.

In my daily life, words are like the 
breath of the wind that pushes my body 
violently against the wall, embraces it,
squeezes it, and forces it to confess sins it 
has never committed.
 
Amid the whirlwind of thoughts dwell those 
that define who I am—those whose 
melodious tones recite the poems that adorn
my moonlit nights and surrender me to 
daydreaming.
 
Amid the whirlwind of words that 
speak to me, there are those that lead me to 
believe in the mysteries of passion. 
In the jungle of daydreams through which I travel,
in my daily life, I live by my reason.

                     *



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