sábado, 14 de dezembro de 2013

Luxúria - Lust


Num descuido 
me deixo tomar por pensamentos que
pensamentos sábios recomendam não pensar.
Dou de ombros, não quero escultar.

Embriagado por pensamentos que
bebem a minha capacidade de raciocínio,
sou atirado em braços nos quais, sóbrio,
jamais iria me deitar.

No afã do descabimento dos pensamentos
pervertido, embriagado pelo forte licor da 
luxúria sou induzido a me deixar seduzir. 
 Acredito nas palavras que quero acreditar, 
desprezo a sensatez.

Passada a embriagues, desperto-me da 
loucura dos pensamentos tórpidos me 
sentindo lesado, enganado, e tomado por
um sentimentos que me condenam, 
me declaro culpado.

Num descuido,
me deixo ser tentado por pensamentos
descabidos e bebo. 
Bebo bebidas como os beijos que não me 
beijam, abraços que não me abraçam ,e  
amores que jamais me amarão.

O Observador - Brasília, dezembro de 2013

                 &

Lust 

In a moment of carelessness,
I let myself be overcome by thoughts that
wise minds advise against.
I shrug it off; I don’t want to listen.

Intoxicated by thoughts that
drain my ability to reason,
I am thrown into arms in which, if sober,
I would never have laid myself down.

In the eagerness of perverted, unfounded thoughts,
intoxicated by the strong liquor of 
lust, I am led to let myself be seduced. 
 I believe the words I want to believe, 
I scorn reason.

Once the intoxication has passed, I awaken from the 
madness of torpid thoughts, 
feeling wronged, deceived, and overcome by
feelings that condemn me; 
I declare myself guilty.

In a moment of carelessness,
I let myself be tempted by
unwarranted thoughts and drink. 
I drink drinks like the kisses that do not 
kiss me, hugs that do not embrace me, and  
loves that will never love me.

                    &

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