Acho que já li Jorge Amado!
Sei lá!
Terei lido?
O tempo, pervertido que é, faz
a gente esquecer as coisas.
É!
Mas, acho que o li sim.
Há poucos
dias, passeando nos trilhos da minha memória,
o encontrei me
contando uma de suas histórias.
Nem me lembro bem sobre o que ele
falava!
Mas, certamente, era sobre algo belo.
Era alguma coisa que, ainda
que eu deixasse perder-se no
tempo, não esqueceria.
Era sensibilidade pura, talvez não fosse sobre as Marias,
mas era sobre as mulheres, as mulheres da Bahia, sei lá!
De repente era só uma poesia.
Um dia, quase que de repente, alguém me disse que, se
vivo, Jorge Amado estaria com cem anos.
Então lhe perguntei: - O Jorge morreu?
Quando?
Não!
O Jorge Amado não morreu!
Ainda ontem, passeando nas ruelas da minha memória,
o encontrei num bar, ali, numa das
mil esquinas de
Salvador proseando com alguns de seus velhos amigos.
Contava-lhes histórias da velha cidade.
Na ocasião ele falava dos pretos
velhos e dos pretos
moços, falava das morenas cor de canela, das pretas e de
toda a gente que pisavam às pedras do Pelourinho.
Ai que dor!
Pensar que alguém pode acreditar que o Jorge Amado
morreu me causa tristeza, causa muitas lágrimas.
Se o Jorge partir quem vai contar as histórias de vida que
é a vida da velha Bahia?
O Jorge Amado, é amado, e ele foi batizado assim,
Amado.
O Jorge não morre, ele é como a lua que no fim da noite
se pões, para se levantar na noite seguinte.
Ainda ontem, o encontrei em uma
banca de revistas
enquanto eu comprava um jornal.
Sempre o
encontro nas livraria que visito.
Interessante, mesmo quando
viajo ao exterior, o que faço
com relativa frequência, alguém me pergunta por ele ou
menciona seu nome.
É o senhor Jorge!
Sujeito muito amado, muito querido por todos de todas
as
línguas.
Um dia desses, vi uma emissora de televisão dedicar uma
programação inteira
ao senhor Jorge Amado.
Falavam de sua inteligência aguçada, de sua sensibilidade
bem como de sua grandeza.
Falaram, também da beleza da sua simplicidade, de sua
genialidade e capacidade de descrever os personagens de
sua cidade.
Quando, então, o tema da conversa enveredou-se para o
colorido da gente da Bahia, da gente do seu Jorge, então
eu vi o Jorge Amado tomar conta daquele ambiente e a
programação ganhou vida, ganhou luz.
Jorge Amado!
Jorge muito mais que amado!
Jorge querido, Jorge admirado por todos que amam ler.
O Senhor Jorge não morreu!
Há pouco o encontrei tomando café, numa das passagens,
de um dos seus tantos romances.
Sim, ele estava logo ali, perto de uma esquina, numa
livraria, que agora, não me recordo o nome.
Me deparei com ele sentado ao redor de uma das mesa
que fica lá num canto sossegado.
Eu o vi sendo, avidamente lido, por um vivente, enquanto
ele lia o seu jornal.
Mauro
Lucio - Brasília, agosto de 2012
#
Jorge Amado
I think I've read Jorge Amado!
I don't know!
Have I?
Time, pervert that it is, makes us forget things.
Yes!
But I think I have read him.
A few days ago, strolling down memory lane,
I found him telling me one of his stories.
I can't even remember exactly what he was talking about!
But it was certainly about something beautiful.
It was something that, even if I let it get lost in time,
I wouldn't forget.
It was pure sensitivity, maybe it wasn't about the Marias,
but it was about women, the women of Bahia,
I don't know!
Suddenly it was just poetry.
One day, almost out of the blue, someone told me that if
were alive, Jorge Amado would be a hundred years old.
So I asked him: - Is Jorge dead?
When did he die?
No!
Jorge Amado didn't die!
Just yesterday, strolling through the streets of my memory,
I found him in a bar, there, on one of the thousand corners of
Salvador, chatting with some of his old friends.
He was telling them stories about the old city.
At the time, he was talking about the old blacks and the young blacks,
the cinnamon-colored brunettes,
the black women and everyone who walked on the stones of
the Pelourinho.
What a pain!
To think that someone could believe that Jorge Amado is dead
makes me sad, it brings me to tears.
If Jorge leaves, who will tell the stories of life that is the life of old
Bahia?
Jorge Amado is loved, and he was baptized like that, Amado.
Jorge doesn't die, he's like the moon that sets at the end of the night
and rises the next night.
Just yesterday, I came across him at a magazine stand while
I was buying a newspaper.
I always find him in the bookshops that I visit.
Interestingly, even when I travel abroad, which I do fairly often,
someone asks me about him or mentions his name.
It's Mr. Jorge!
A very well-liked guy, well-liked by everyone from all languages.
The other day, I saw a television station dedicate an entire program
to Mr. Jorge Amado.
They talked about his sharp intelligence, his sensitivity and his
greatness.
They also spoke of the beauty of his simplicity,
his genius and his ability to describe the characters of his city.
When, then, the topic of conversation turned to the colorful
people of Bahia, the people of Jorge,
then I saw Jorge Amado take over that environment and the
program came to life, gained light.
Jorge Amado!
Jorge much more than loved!
Jorge beloved, Jorge admired by all who love to read.
Mr. Jorge is not dead!
A little while ago I met him having coffee, in one of the passageways,
of one of his many novels.
Yes, he was just around the corner, in a bookshop,
which I can't remember the name of now.
I came across him sitting around one of the tables in a quiet corner.
I saw him being eagerly read by a resident,
while he was reading his newspaper.
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Mais um belo poema Mauro. Jorge Amado ainda é uma personalidade que morre seu fisico, mas sua personalidade estará conosco por muitos anos....
ResponderExcluirMuito obrigado querida amiga pelo teu carinho pelo meu trabalho. bjs.
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