
O vento frio e seco do mês de maio remete-me a um
tempo o qual acreditei que esqueceria com o passar
do tempo mas continua vivíssimo aqui dentro do
meu coração.
O meu tempo de infância vivido nas ruas cheias de
tocos, de pedregulhos, e poeirentas do Gaminha,
hoje, Setor Oeste do Gama.
Tempo de muitas brincadeiras e de boas amizades;
havia o Jamil, havia os três irmãos Dilson, Amantino,
e o Carlos, havia os gêmeos Zé e João e, tinha
também o Paulo.
E as peladas! Os rachas que reunia sempre
a gurizada
nos fins de tarde e também nos
finais de semana lá
no campinho ao lado do
hospital de madeira, e mais
tarde lá no OPROMESO.
E as minhas paixões! Paixões que só existiam em
minhas fantasias. Cada guria que eu conhecia era
uma nova paixão. Coração pisciano!
A Lúcia, galeguinha graciosa. A Elzinha, moreninha
da cor do entardecer. A Fátima, noite de lua cheia e
a Norma, ruivinha de nariz empinado.
Nem vou mencionar aqui as outras tantas meninas
que desfilaram
na passarela das minhas fantasias.
As
fantasias de um guri de onze anos, cheio de
paixões inocentes.
Dentre as minhas tantas paixões, nenhuma amei com
tanta intensidade quanto amei a Leda
Maria.
O vento frio e seco de maio me fala também das
durezas do levantar-me de madrugada para ir
trabalhar. Sim, trabalhar. Comeceia a trabalhar muito
cedo, as artimanhas do destino não me permitiram
ter uma infancia verdadeiramente infantil.
Meu Deus! Nem gosto de me lembrar dos ônibus que
não tinham hora para passar e quando passavam
vinham tão lotados que quando passavam paravam na
parada da SHIS norte, onde eu morava.
O vento frio e seco de maio me traz de
volta
lembranças de uma infância muita dura,
mas ainda
assim, feliz.
O vento frio e seco
do mês de maio agora sopra em
mim cheio de nostalgia e remete-me a um tempo
distante mas muito vivo em minha memória.
Tempo que o vento frio e seco do mês de maio não
me deixa esquecer.
O tempo passou, os amigos partiram, sumiram no
tempo, foram para lugares onde, certamente, nunca
mais os irei encontra, e de tudo que vivi sobrou apenas
eu e o vento frio e seco de maio que me conta
as
nossas histórias para que eu não me esqueça do meu
tempo de infância nas ruas cheias de tocos, sujas e
poeirentas
do Gaminha, hoje, Setor oeste do Gama.
Mauro Lucio - Brasília, Maio de 2013.
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