sexta-feira, 19 de julho de 2013

Eu, vivo - I live



Eu!
O corpo, a morada, a porta
Escancarada engolindo a 
Vida que entra nova e sai
Velha, amarrotada.
Eu!
O corpo, a vontade, uma
Situação desenganada 
Que, em desengano,
Desenganou-se da vida
Restando apenas a ferida,
O restolho do que vivo.
Eu!
Um pensamento,
Sentimentos que movem
O espírito que, sem sorrir,
Chora e não vê o brilho
Do sol.
Eu!
O ontem, o agora, e um
Monte de sonhos que
Fizeram-me a acreditar 
Serem o meu futuro.
Futuro! 
Algo que iludindo-me 
Acredito que viverei.
Eu!
Uma necessidade de amar, 
Uma paixão, uma
Explicação que justifica a
Minha permanência
Neste momento que
Acredito ser a minha
Vida.

O Mensageiro - Brasília, Julho de 2013.

                  *




I live


I!
The body, the home,
The open door
Swallowing the life which
Get in new, and get out old,
Crumpled.
I!
The body, the will,
A hopeless situation which,
In disillusion, disillusioned
Itself with the life
Leaving only the wound,
The stubble that I live.
I!
A thought,
Feelings that moves
The spirit that, unsmiling,
Cries and do not sees the
Sun´s brightness.
I!
The yesterday, the now,
And bunch of dreams that
I force myself to believe
To be my future.
Future! Something that
I eluding myself to believe
That I will live it.
I!
A need of love, a passion,
One explanation that
Justifies my stay in this
Moment which I believe
To be my life.
                    July 18, 2013

                           *
 



terça-feira, 16 de julho de 2013

Não significou nada - It meant nothing



Quando fui beijado por ti, não te falei toda a verdade.
Escondi de ti pensamentos que, se ditos,
impediriam os teus beijos de me beijarem e, talvez
até me batessem.
Ao segurares a minha mão, não permiti que o meu 
coração fosse tomado por qualquer emoção, eu o 
quis vazio e longe de ti.
Quando os teus olhos me olharam evitei fita-los, não
queria que estes vissem refletido em meu olhar as 
verdades que eu não queria te contar.
Quando deitastes sobre o meu peito, cuidei para que o
meu coração não revelasse para ti a minha emoção.
Abotoei o meu peito para que o meu calor não t
abraçasse, me recusei deixa-la falar de amor.
Quando a luz da lua uniu os nossos corpos em seus 
braços, evitei que a mesma nos cobrisse sob o 
mesmo manto.
Não permiti que o seu o encanto me embriagasse, e 
recusei a poesia que ela queria deitar em meus 
lábios.
No momento do nosso encontro, só o meu corpo 
Estava lá, o meu consciente se fez ausente e não viu 
momento em que me abraçaste.
Em outra circunstância poderia ter acontecido tu e 
eu mas, naquele momento, só aconteceu uma 
estória sem princípio e sem fim.
Aconteceu algo que não estava em mim, mas
aconteceu. 
Não doeu! 
Não matou nenhum sonho de amor, não enterrou 
uma paixão, e ainda que tenha ferido, foi algo que
não significou mais que um aperto de mão.

           Mauro Lucio - Brasília, Julho de  2013.

                        *



It meant nothing


When I was kissed by you, did not I tell the truth,
I hide from you thoughts which, if said, would
Prevent your kisses to kiss my face and, maybe
Even beat me.
When you did hold my hand, I didn´t allow my
Heart to be taken by any emotion, I wanted it
Empty, I wanted it away from you.
When your eyes looked at me I avoided them,
I didn´t want them to see reflected in my eyes the
Truths that I did not want to tell you.
When you did lay on my chest, I did stop my
Heart to sing for you. I buttoned my chest in the
That my heat doesn´t embrace you, I refused to
Allow you to talk about love in my ear.
When the moonlight took our bodies her arms, I
Avoided her to cover us under the same cloak,
I didn't let her charm enchant me, I refused the
Poetry which she wanted to lie on my lips.
When I first met you, only my body was there,
My conscious was absent and didn't see the
Moment that I was embraced by you.
In a different circumstance it could happened
You and me but, at that moment, just happened
A story with no beginning and no end.
Something that was not in me happened, but
It happened. It didn´t hurt! It didn´t kill any
Love´s dream, neither buried a passion and
Even it has hurt, it was something that not
Meant more than a handshake.

                                                                         July 16, 2013

                                 *


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Morte é vida


Morte! 
Escapa-me o medo que causas aos viventes,
Escapa-me o entendimento de que não sejas vida.
Morte! 
Se como morte fosses o fim, onde iniciaria a 
Lógica da vida, do viver?
Vida! 
És atos, fatos, sonhos, desejos dentre desejos,
Possibilidades, eventos, a morte.
Morte! 
Verdade renegada, fato deixado para quando se da.
Morte!
Evento negado até o momento em que ele abraça
A matéria e a leva consigo para o além.
Longevidade!
Caminho entre os mistérios do que entendemos 
Ser a vida.
Razão!
Seria a lógica do viver? 
Justiça? 
Que justiça existe em o justo viver e morrer da
Mesma forma que vivem e morrem os impios?
Então morte! Livra-te do pavor que atormenta
O espírito dos creem no fim da vida depois da
Experiência de te viver.
Morte! 
És a inteligência, és a discrição do choro mudo,
A profundeza do silêncio do apagar da vida
És o segredo, o mistério do por do sol.
Morte! 
A vida sem ti seria enfadonha, os momentos
Seriam sempre uma eternidade.
Sem ti morte,  os viventes não reconheceriam o 
Afago da brisa, nem a delicadeza da flores,
Não veriam nenhum sentido no amanhecer.
Morte!
Ainda que o seu mistério as vezes me assuste, 
Ele me encanta. No íntimo do meu cerne creio
Em uma vida só de paz depois de ti.
Morte!
Por que calas quando questionada sobre a vida?
Por que permites que te neguem como vida?
Morte!
Realidade que transcende as verdades 
Conhecidas e transforma verdades em mistérios.
Morte!
Medo, pêsames, despedidas, reflexões.
Morte!
Lágrimas, fim das feridas, das dores, a vida 
Afinal! 
Morte.

    O Observador - Brasília, julho de 2013.

                  *

Manifestar - To express.

Transbordando medo, invento uma desculpa para justificar a minha culpa por não falar quando o mundo pede para eu me manifestar. Aterrorizado...