domingo, 1 de julho de 2018

Ave Maria




Ave Maria dos pecadores, com os
meus pecados a tantas frustro.
Peco, peco e não sinto o remorso
enquanto pecando, deixo o 
remorso para depois acreditando 
que o arrependimento virá mais 
tarde, ou virá depois.

Ave Maria dos desencanto, a 
quantas desencanto ou, ainda,
desencantarei!
Foram tantas as desilusões que
causei que, se perguntado agora, 
juro minha Mãe, não sei!

Ave Maria das dores,  tantos 
dissabores causei!
Foram promessas deixadas ao  
esquecimento, meias verdades
balbuciadas.
Com minhas mentiras a tantas
Marias magoei.

Misericórdia  Santíssima Maria!
Foram tantas as Marias que  
magoei que não sei a qual 
suplicar por perdão.
Piedade Maria, piedade!
Ave Maria! Estou a orar.

Ave Maria da compaixão!
Suplico, conceda-me o Vosso 
perdão!
Piedade o misericordiosa!
Seja a Maria mãe, a mãe d
todos nós, a nossa Ave Maria!

    Habacuc, Castries, julho de 2018

               @


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Coisa havida - Things the past



Tenho reserva com o pensar descabido, coisa
Havida já passou, foi vivido, virou história
Contada, narrada de acordo com a vontade 
Do seu narrador. 

O havido é coisa morta então é descabido o
Prolongar da sua discussão.
O evento se deu, nenhum vivente lhe presta
Mais atenção.
O pensado é passado, é como o falecido, não
Passa de mera recordação.

Os relatos das coisas havidas, se algum
Sentimento desperta, nada mais é senão 
Saudades, o resto é descabido.
O que se deu é coisa que a idade não tarda a
Esquecer se já não foi esquecido.

Coisa havida se é causo é prosa, é conversa
Acompanhado de bolacha e café. 
Cá comigo, é descabido, é agonia 
Acompanhado de aflição remoer o havido. 
O dado é narrativa cansativa, dependendo
Do tema fica parecido 
Com o sermão.

Tenho reservas em ralação ao pensar
Descabido e é descabido insistir no que se
Deu.
Escapa-me a paciência para lhe dar 
Atenção.
É caso havido, então que repouse em paz
Em sua sepultura, poupemos os 
Comentários vagos. 

O havido já está enterrado então deve ser
Esquecido.
Defunto muito chorado reclama repouso.
É fato havido, que o tempo cuide, não 
Devo citar.  
Atento não costumo ressuscitar o havido
Ou o pensar descabido irá reclamar.

                        Lido da Silva, junho de 2018.

                            @

Things the past


I have restriction to the inappropriate thinking, 
Thing that has passed, that has been lived, it 
Became history that was told, narrated 
According to the will of its narrator.

The happened is a dead thing, so it is 
Inappropriate to extend your discussion.
Since the event took place, no living being 
Lends it more attention.
The thought is past, it's like the deceased,
It goes beyond mere memory.

The history of things that passed, if any
Awakened feeling, nothing more than
Longing, the rest is inappropriate.
What happened is something that age does 
Not take long to forget if it hasn't already 
Been forgotten.

Thing the past if it is said it's prose, it's 
Conversation accompanied by cookies and
Coffee.
Here with me, it's inappropriate, it's agony
Accompanied by affliction to brood over 
What had happened.
The data is tiring narrative, depending on
The theme looks like sermon.

I have restrictions related to the
Inappropriate think and it is inappropriate
To insist on what is already in the past.
I lack the patience to give attention.
It it is in the past so, may he rest in peace.
On his grave, let us spare the vague
Comments.

The thing is already buried so it must be
Forgotten.
Mourned dead man asks for rest.
It's a fact that time takes care,
I must not quote.
Attentive, I don't usually resuscitate what 
Happened or the unreasonable thinking 
Will complain.

                      @


quarta-feira, 27 de junho de 2018

O medo das coisas - The fear of things




O medo das coisas, das coisas fingidas.
Um pouco a bebida, um tanto às feridas.
O parto, a sangria, o soluço, o 
Estrebucho, o pasmar.
Pasmo!
O medo me imobiliza.
O pânico tem seus segredos, eu os 
Vivo.
Eles se escondem no medo, engasgo.
Um susto, o ficar mudo, mudar o 
Rumo, mudar as coisas.
As escolhas, se é que posso escolher
Entre a sorte e as outras coisas, 
Destas me escondo.
O corre-corre corre vazio, o sem
Sentido quer aparecer.
Coisas da vida, o destino me 
Entrega ao medo.
Tenho medo das coisas, das 
Coisas fingidas, das surdinas.
Lambendo as feridas que me ferem,
Caminho o que me foi dado a 
Caminhar antes de morrer, quero
Viver.

                    Habacuc, junho de 2018

                       @

The fear of things


The fear of things, of the fake things.
A little drunk, a loit of wounds.
The childbirth, the bleeding, the 
Hiccups,
The astonishment.
Amazed!
The fear immobilizes me.
The panic has its secrets, I know all 
Of them.
The panic hide in fear, I choke.
A fright, the mute, the changing the
Way, the change the things.
The choices, it is if I can choose
Between luck and other things,
From all of these I hide myself.
The rush runs empty, the without
Sense wants to appear.
Things in life, fate put me in the
Hand of the fear.
I'm afraid of things, of pretended
Things, the deaf things.
Licking the wounds that hurt me,
I walk what I was given to walk
Before I die, I want to live.

                    @

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Um gole d’água - A sip of water


Deixa estar,
Pouco importa!
A sordidez está atrás da porta,
Surda, louca, grita até ficar rouca.
Tira a roupa, deixa a verdade 
Acontecer.
Atrás de cada sorriso há uma 
Lágrima escondida.
Soluços às vezes acontecem,
Toma um gole d’água, passa.
Lágrimas e sorrisos vêm e vão.
Na contramão das coisas
Estamos nós dois.
Há de acontecer com alguém,
É assim.
Aborreço-te, mas sou o que te
Convém.
De que vale a verdade que não 
Esclarece?
Deixa estar!
Esquece o que falo, não quero
Ofender.
As coisas se ajustarão, a conta
Fechará.
Nunca é tarde para ir, nem tão
Cedo para ficar.
Não sei do que falo então 
Calo.
Ainda que o silêncio grite,
Pior é o falar para enganar.
Não engana!
O engano nunca engana, é 
Igual esconder a verdade,
A verdade não se esconde
Para sempre, atrevida, ela
Aparece.
Odeio isto!
Melhor assim, deixa estar,
Soluços às vezes 
Acontecem, toma um gole
D’água, passa, tudo 
Passará.

                   Lido da Silva, junho de 2018

                     *
A sip of water

Let it be,
It does not matter!
The squalor is behind the door,
Deaf, crazy, its scream until 
Get hoarse.
Takes off your clothes, lets 
The truth to happen.
There is a hidden tear behind
Every smile.
Hiccups sometimes happen,
Have some water and it will
Be fine,
Tears and smiles come and 
Go.
Both of as are against the 
Grain of things.
It has to happen to someone, 
That is it.
My presence bothers you, 
But I am what suits to you.
It is worthless the truth 
That do not clarify?
Let it be!
Forget what I say, 
I don't want to offend.
Things will fall into place,
Everything will be fine.
It's never too late to go, 
Neither to early to stay.
I don't know what I'm 
Talking about then I just
Shut up.
Even if the silence 
Screams, worse is to 
Talk to deceive.
Don't cheat!
The deception never 
Deceives, yeah.
Its like to hid the truth,
It is impossible to hid 
The truth forever, 
Sassy she pops up.
I hate it!
It is better this way, let
It be,
The hiccups sometimes
Happen, take a sip of 
Water and it passes,
Everything soon or later
Will be gone.

                @  

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Não fogem à luta - They don't shy away from a fight


Ó minha pátria amada,
Quão desamada tens sido!
Os seus filhos que um dia juraram dar suas vidas para
Te defender, assistem inertes o seu flagelo.

Minha pátria amada!
Por onde anda os teus filhos que não vem lhe socorrer?
Por que estão mudas as vozes eleitas para falarem
Por você?
Com quem estão às armas que deveriam  te defender?

Pátria amada, vivo a sua aflição!
O meu coração se angustia diante de tantos senãos.
Os seus filho, desorientados, sem saber quem está 
Com a razão vagueiam perdidos no fogo cruzado 
Entre a situação e a oposição.

Pátria mãe!
Os teus filhos indefesos clamam por uma reação.
Procuram por uma cabeça pensante para unir o teu 
Povo em torno uma ação, e lutar a sua luta contra
A subversão.

Luta inglória, a luta contra a desinformação!
Vivemos em um tempos de mentiras dentre outras
Tantas aberrações.
É o fogo cruzado entre os mentirosos de plantão.

Ó minha pátria amada!
Que seus filhos não permaneçam inertes em berço
Esplêndido, indiferentes aos atos nefasto dos seus 
Inimigos.
Que os eleitos cumpram, com decência, os anseios
Dos seus cidadãos.

Ó pátria amada!
Até quando os seus filhos bons assistirão, inertes,  as 
Ações dos seu irmãos pervertidos?
Por que pátria amada, por que tanto medo de esboçar
Uma reação?
Calar não evita a luta, nem apazigua o teu coração.

Pátria amada!
A cautela é sábia, porem em excesso faz-se parecer
Com a covardia.
A inércia encoraja os predadores a perseguir em 
Seus intentos.
Levanta-te, ó pátria amada! 
Mostre que os filhos teus jamais fugirão à luta.

        O Mensageiro - Castries(Sta. Lucia), abril de 2018.


                           @

They don't shy away from a fight

Oh, my beloved homeland,
How unloved you have been!
Your children, who once swore to give their lives to
defend you, stand by helplessly as you suffer.

My beloved homeland!
Where are your children who do not come to your aid?
Why are the voices chosen to speak for you
silent?
With whom are the weapons that should defend you?

Beloved homeland, I feel your anguish!
My heart is distressed by so many uncertainties.
Your children, disoriented, not knowing who is 
right, wander lost in the crossfire 
between the situation and the opposition.

Motherland!
Your defenseless children cry out for a reaction.
They seek a thinking head to unite your 
people around a cause, and fight their fight against
subversion.

An inglorious fight, the fight against misinformation!
We live in a time of lies among other
many aberrations.
It is the crossfire between the liars on duty.

O my beloved homeland!
May your children not remain inert in their splendid cradle,
 indifferent to the nefarious acts of their 
enemies.
May those elected fulfill, with decency, the desires
of their citizens.

O beloved homeland!
How long will your good children watch, inert,  the 
actions of their perverted brothers?
Why, beloved homeland, why so much fear of sketching
a reaction?
Silence does not avoid the fight, nor does it appease your heart.

Beloved homeland!
Caution is wise, but in excess it resembles
Cowardice.
Inertia encourages predators to pursue
Their intentions.
Arise, O beloved homeland!
Show that your children will never flee from battle.

                        @


domingo, 8 de abril de 2018

De tudo um pouco - A little bit of everything,




De tudo um pouco.
O bobo,
A corte e,
Eu.

No tempo não há espaço ou
Se ganha ou se perde.
Não existe a simultaneidade,
Sempre algo se dá antes.

Pergunto ao sorriso o que o faz sorrir,
E ele se cala.
O sorriso não gosta das perguntas,
Assim como as perguntas odeiam os
Sorrisos.

É fato.
Antes do empurrão a intenção.
O pedido de desculpas, quando
Vem, chega somente após as feridas.
Assim sendo, de tudo um pouco,
A corte e eu.

Sorrir dos tombos dos outros é
Burrice, eu nunca sorri.
Normalmente estendo a mão e
Ajudo o caído a se levantar.

Eu não sorrio das lágrimas, ainda
Que estas sejam de felicidade, eu
Não sorrio.
As assisto calado quando não me
Cabe participar, sei que o meu
Dia chegará.

E então, de tudo um pouco, do
Pouco o muito.
Da dor a graça, do desamor ao
Amor.

De tudo um pouco,
A corte,
A situação,
E eu.

Mauro Lucio - Castries(Sta. Lucia), abril de 2018


                              *

A little bit of everything,

A little bit of everything,
The fool,
The court and,
I.

There is no space in time,
You may be win and you may be lose.
There is no simultaneity,
Something always takes place before.

I ask the smile what makes it to laugh,
And the smile shut up.
The smile does not like the questions,
Just as the questions hate the smile.

Its fact,
Before pushing the intention.
The apology, when it comes,
It come only after the wounds.
Therefore, a little bit of everything,
The court and I

To laugh when some one fall is stupid,
I never smile. Normaly I help those 
Who fall to get up.

I do not smile of the tears, although
These tears are of happiness, I never
Smile.
I watch it quiet when it´s not to me 
To participate, because certainly my
Day will come.

And then, of all a little, from little
Too much, from pain to grace,
From heartbreak to love.

A little bit of everything,
The court,
The situation
And I.

              *

Sinto-me assim - I feel this way




Sinto-me assim, como desistindo de tudo.
Sim!
Sinto-me como me dissolvendo no ar,
Me transformando em nuvens, vapor,
Voando empurrado pelo o vento ou algo 
Assim.
Acho que me cansei,
Cansei-me das coisas, das pessoas,
Ou sei lá, talvez só me cansei.
De repente penso que é hora de partir,
Que é o momento de deixar para lá
Sei lá, parece que nada faz sentido.
Há um grande vazio,
A sensação de inutilidade,
Há os “por quês”,
E também os “para quê”,
São tantas os questionamentos
Que tudo parece unitil, e então a sensação
De vazio e da inutilidade de fazer as coisas.
Para onde ir daqui?
E para quê?
Ainda que eu não queira ficar aqui,
Não encontro motivo para ir para outro lugar,
E a sensação de desistindo de tudo.
Sinto-me como me misturando com o ar,
Desaparecendo no meio das nuvens.
Sem motivo para prosseguir,
Os questionamentos: por que? Para que?
Tudo parece tão inútil,
Parece tão igual,
Igual uma estrada sem fim.
É assim.
Assim me sinto como desistindo de tudo,
Sinto-me como se já tivesse vivido tudo,
Feito de tudo,
Vejo tudo tão igual.

Mauro Lucio  - Castries(Sta. Lucia), abril de 2018.

                   *

I feel this way

I feel like this, giving up everything.
Yes!
I feel like dissolving myself in the air,
Turning me into clouds, steam,
Flying like the wind or something like it.
May be I just got tired,
Tired of things and people as well,
Or I do not know, maybe I just got tired.
Suddenly I think it's time to leave,
It's time to let it go.
I do not know, nothing seems to make sense.
There is a great emptiness,
The sense of worthlessness,
There are "why",
And also the “what for,"
There are so many questions
That everything seems useless, and then the sensation
Of emptiness and the uselessness of doing things.
Where to go from here?
And what for?
Although I do not want to stay here,
I cannot find reason to go elsewhere,
And so, the feeling of giving up of everything.
I feel like I'm mingling with the air,
Disappearing in the clouds.
For no reason to proceed,
The questions: why?
Everything seems so useless,
It seems so equal,
Just like an endless road.
And so.
So I feel like giving up of everything,
I feel like I've lived through everything,
It like I have already done everything in life,
I see everything so much the same.

                              *

Manifestar - To express.

Transbordando medo, invento uma desculpa para justificar a minha culpa por não falar quando o mundo pede para eu me manifestar. Aterrorizado...