sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O pressuposto



Pressupondo que o pressuposto
Ao pressupor que a pressuposição
Pressupôs inverdades,
Descarta-se a presunção como
Hipótese evitável e tome o  
Pressupus como pressuposto e
Lavre os autos antevendo as
Presunções que condenam os
Inocentes.
Pressupondo porem que; sendo a
Presunção do pressuposto cabível,
A presunção deixa de constar
Dos autos e passa a alçada do
Pressuposto e em esfera superior
Age como pressuposição e, como
Tal, atear-se-á ao que pressupôs
O pressuposto.
Resumindo: Pressupondo que o
Pressuposto ao pressupor que a
Pressuposição antevê o que a
Presunção desconhece, fica
Evidenciado que a presunção
Acusa sem provas e, assim sendo,
O pressuposto pode pressupor
Que ela age de má fé e acusa-la
Por falso testemunho e daí 
Leva-la às barras dos tribunais
Sob a acusação, ainda que 
Descabida, de pressupor, sem 
Provas, que as presunções são 
Todas infundadas até que o 
Pressuposto prove o contrário.

                                          Fevereiro 15, 2013

                 *



O teu olhar



Sei lá! O teu olhar me
Inquieta. Ele me empurra
Para o mundo dos devaneios
E devaneio.
Devaneando acredito que
Me queres e então; eis as 
Incertezas angustiando o
Meu coração.
Ontem, ao passar por ti,
Pensei ver o teu sorriso me
Sorrindo. Foi algo sutil, tão
Sutil que não tive tempo de
Sorrir para ti, any way, o 
Teu sorriso ficou em mim
Como perfume.
Sei lá! O teu olhar me
Inquieta. Ele me enche de
Incertezas e me joga nos
Braços da ansiedade que 
Me deixa sem saber o que
Te falar.
Te olho em cismas e, são
Tantas a cismas que sinto o
Teu olhar me abraçar.
Sei lá! Quando o teu olhar
Me abraça, até sinto o
Balbuciar dos teus lábios,
Mas desacredito. Não
Consigo crer que ele expressa
O anseio do teu coração.
O teu olhar tira o meu para
Dançar e dançam, rodam,
Rodopiam até misturarem-se
A ilusão. A minha ilusão de
Ter visto os teus olhos
Piscarem, tocarem o meu
Coração.
                           
                                  Janeiro 15, 2013


                    *


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Sonhos - Dreams



Sonhos, desejos, vontades,
As minhas verdades.
Mentiras que conto sem o
Constrangimento de estar
Mentindo.

As minhas mentiras, 
Sonhos, meus sonhos, 
Necessidades da minha  
Materia, faltas pelas quais
O meu subconsciente 
Reclama, chora.

Devaneios, sonhos, desejos
Frustrados que no descuido
Do meu sono reclamam 
Suas vontades.

Sonhos, ilusões, anseios,
Vontades contidas, 
Desejos.
Coisas que somente as 
Coisas não explicam.

Sonhos, meus sonhos, 
Minhas mentiras, 
Fantasias, estórias que 
Conto como se fossem 
Verdades.

Sonhos, beijos que não
Dei, amores que não amei,
Paixões que não vivi, 
Mas que viveram em 
Minha ilusão.

Sonhos, meus sonhos!
Insanidade, risos, 
Galhofas, mentiras.

Sonhos, ilusões, 
inverdades que, quando 
Alucinado, transformo em
Verdade, e na ausência de 
consistência chamo de 
sonho, meus sonhos!

Sonhos, fantasias que 
conto como se fossem 
Verdades e alucinado creio 
Serem fatos tangíveis, 
Possíveis de serem  
Vividos.

Sonhos, ilusões, mentiras,
Devaneios.
Anseios que habitam o 
meu sono e eu os chamo 
de sonhos.

Meus sonhos, sonho os 
Quais anseio com tanta 
Intensidade que acredito 
Tê-los vivido.
As minhas verdades, as
Minhas mentiras.

Sonhos!
Meus sonhos!
Apenas meus sonhos.
As minhas ilusões.
Devaneios.

O Filósofo - Brasília, Fevereiro de 2013

           *


Dreams

Dreams, desires, wishes,
My truths.
Lies I tell without the
Embarrassment of
Lying.

My lies, 
Dreams, my dreams, 
The needs of my  
Being, the lacks for which
My subconscious 
Cries out, weeps.

Daydreams, dreams, desires—
Frustrated, they demand 
Their fulfillment
in the carelessness
of my sleep.

Dreams, illusions, longings,
Suppressed desires, 
Wishes.
Things that 
Things alone cannot explain.

Dreams, my dreams, 
My lies, 
Fantasies, stories that 
I tell as if they were 
Truths.

Dreams, kisses I never
Gave, loves I never loved,
Passions I never lived, 
But that lived on in 
My illusion.

Dreams, my dreams!
Madness, laughter, 
Jokes, lies.

Dreams, illusions, 
untruths that, when 
I’m delirious, I turn into
Truth, and in the absence of 
substance I call them 
dreams, my dreams!

Dreams, fantasies that 
I recount as if they were 
truths, and in my delirium I believe 
them to be tangible facts, 
possible to be  
lived.

Dreams, illusions, lies,
Daydreams.
Longings that inhabit 
my sleep, and I call them 
dreams.

My dreams—I dream of 
the ones I long for with such 
intensity that I believe 
I have lived them.
My truths, my
lies.

Dreams!
My dreams!
Just my dreams.
My illusions.
Daydreams.

           *




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Tem razão - You're right!


Sei não! 
Tem razão!
A solidão tem um jeito estranho
De tratar os sentimentos que já
Viveu.

Eu!
Um olhar meigo, o sorriso e o
Desassossego cúmplice de tudo
Que o tempo escondeu.
Nunca me respondeu!

Sei não! 
Tem razão!
Ainda ontem encontrei a razão 
Comentando sobre as coisas do 
Coração.

Das mentiras às desilusões, 
Dentre outras, a mania de se 
apaixonar. 
Eu!
Hábito do destino, decidir tudo 
Sem consultar.

Sei não! 
Tome a minha mão mas não me
Tire para dançar.  
Só pretendo dançar a valsa da 
Despedida quando a vida me 
Abandonar.

E, se abandonado, só danço o 
Tema do "se não", aquele em 
Que o abandono se resume em
Conclusões.
Não me sinto abandonado,
Não dançarei.

Acho que sei! 
Apesar de ponderar sobre tudo
Também sou atirado à vala do
Que o tempo esqueceu.
Estou me sentindo assim.

Esquecido, sou tido como tudo
Que as circunstância despreza. 
Acho que sei! 
Até supliquei pelo perdão d
Pecado que tantas vezes pecou
Contra mim. 

    O Observador - Brasilia, Janeiro de 2013

               *

You're right!

I don't know! 
You're right!
Loneliness has a strange way
Of dealing with the feelings you've
Already experienced.

Me!
A tender gaze, a smile, and the
Complicit restlessness of everything
That time has hidden.
You never answered me!

I don't know! 
You're right!
Just yesterday I found the reason 
Talking about the things of the 
Heart.

From lies to disappointments, 
Among other things, the habit of 
falling in love. 
Me!
Destiny’s habit, deciding everything 
Without consulting.

I don’t know! 
Take my hand but don’t
Ask me to dance.  
I only intend to dance the waltz of 
Farewell when life 
Abandons me.

And, if abandoned, I’ll only dance the 
Theme of “if not,” the one in 
Which abandonment boils down to
Conclusions.
I don’t feel abandoned,
I won’t dance.

I think I know! 
Though I ponder everything, 
I too am cast into the ditch of
What time has forgotten.
That’s how I’m feeling.

Forgotten, I am regarded as everything
That circumstances despise. 
I think I know! 
I even begged for forgiveness for the 
Sin that so often sinned
Against me. 

                 *


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Uma gota - A drop



Uma gota perdida! 
Uma história, uma vida dada. 
Gesto havido, decidido jogado a sua 
própria sorte que, para a sua falta de
sorte, não houve um desfecho que 
possa ser dado como o seu último 
suspiro.

Uma gota desprendida!
Num piscar de olhos tudo acontece.
Chove, molha a solidão que faz frio
em sua vida e esta adoece.
Nostálgica, tomada pela saudade que
veio sabe-se lá Deus de onde,
então chora.

Era só uma gota, e secou! 
Como uma lágrima perdida ela caiu
sobre o solo sedento e sumiu.
Escondeu-se nas entranhas da terra 
e de lá nunca mais voltou, não disse
adeus.
Foi sepultada num abraço fatal.

Uma gota!
É uma vida dada, havida, decidida, 
jogada a própria sorte que, para 
sua falta de sorte não a quis, não
permitiu que ela fosse engolida pela
terra que não rejeita um só corpo, e
a tomou com um belo sorriso de 
adeus.

Foi uma gota! 
Uma lágrima em um enterro que não
aconteceu. 
Um desterro, a soberba do muito 
triste finge ser feliz.
Um caso que o tempo ainda não 
teve tempo para apreciar, e quando
o contar o fará como se fora algo 
que agrada o seu paladar.


O Observador - Brasília, janeiro de 2013.


                          *
 

A drop

A lost drop!
A story, a life given.
A gesture made, decidedly thrown to its
own fate which, due to its lack of
luck, did not have an outcome that
could be considered its last
breath.

A detached drop!
In the blink of an eye, everything happens.
It rains, wetting the loneliness that makes her life cold
and sick.
Nostalgic, overcome by longing that
came from God knows where,
she cries.

It was just a drop, and it dried up!
Like a lost tear, it fell
on the thirsty ground and disappeared.
It hid in the bowels of the earth
and never returned, it didn't say
goodbye.
It was buried in a fatal embrace.

One drop!
It is a life given, lived, decided,
thrown to its own fate, which,
unfortunately for it, did not want it, did not
allow it to be swallowed by the
earth that does not reject a single body, and
took it with a beautiful smile of
farewell.

It was a drop!
A tear at a funeral that did not
take place.
An exile, the pride of the very
sad pretends to be happy.
A case that time has not yet
had time to appreciate, and when
it tells it, it will do so as if it were something
that pleases its palate.

                   *



O vendedor de ilusões. - The illusions seller.

  Não tome os meus devaneios por tuas verdades, pois somente eu  sei dos medos que me assolam  enquanto devaneando. As minhas ilusões são mi...