domingo, 1 de setembro de 2013

Eu amei! - I loved!


Eu amei!
Quantas vezes me foi dado amar, amei!
Caí! 
Caí muitas vezes e outras tantas me
levantei. 
Andei! 
Olhei para trás e contei as estórias dos 
amores que perdi, e repeti essas 
mesmas estórias tantas vezes que, 
depois de muitas quedas já não me 
lembrava qual delas eram verdades e 
quais eram apenas estória.
Eu amei!
Amei tantas vezes que por muito 
tempo acreditei ser capaz de amar. 
Caí! 
Algumas quedas me feriram, outras 
tantas me bateram, algumas 
zombaram de mim e todas me 
desprezaram.
Eu amei!
Amei como poucos viventes amaram.
Fui sincero e nas poucas vezes que 
fingi soube me fazer acreditar estar 
sendo verdadeiro e, então amei.
Eu amei!
Amei tantas vezes me foi dado amar.
Dormi em todos os braços que 
aceitaram me abraçar, aqueci o meu 
corpo junto aos corpos que 
concordaram em me aquecer, e 
aqueci aqueles que diziam necessitar
do meu calor.
Eu amei!
Ainda ontem me descobri acreditando
ser capaz de amar mais uma vez. 
Olhei no espelho e os meus cabelos 
brancos sorriram ao perceber a ponta
de um sorriso maroto que repousava
em meus lábios.
Eu amei!
Amei e estou disposto a amar tantas 
vezes mais me for dado a amar.
Não temo as quedas que espreitam
à  beira desta estrada, ainda que este
seja um caminho que nunca aprendi
a caminhar.  
Eu amei!
Amei tantas vezes me foi dado a amar.
Eu amei!

O Mensageiro, Brasília, Setembro  de  2013.

                 *

I loved!

I loved!
As many times as I was given the chance to love, I loved!
I fell! 
I fell many times, and just as many times I
got back up. 
I walked! 
I looked back and told the stories of the 
loves I lost, and I repeated those 
same stories so many times that, 
after so many falls, I could no longer 
remember which ones were true and 
which were just stories.
I loved!
I loved so many times that for a long 
time I believed I was capable of loving. 
I fell! 
Some falls hurt me, others 
beat me down, some 
mocked me, and all of them 
despised me.
I loved!
I loved as few living people have loved.
I was sincere, and on the few occasions when 
I pretended, I knew how to make myself believe I was 
being true—and so I loved.
I loved!
I loved as many times as I was given the chance to love.
I slept in every pair of arms that 
agreed to hold me, I warmed my 
body against the bodies that 
agreed to warm me, and 
I warmed those who said they needed
my warmth.
I loved!
Just yesterday I found myself believing
I was capable of loving once more. 
I looked in the mirror, and my white hair 
smiled upon noticing the hint
of a mischievous smile resting
on my lips.
I loved!
I loved, and I am willing to love as many 
more times as I am given the chance to love.
I do not fear the falls that lurk
along  the edge of this road, even though this
is a path I never learned
to walk.  
I loved!
I loved as many times as I was given the chance to love.
I loved!
                              *

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O que é falado pouco importa, o importante é o silêncio, e o que ele guarda. As palavras até podem ferir, mas nada assusta mais que silêncio...