Quantas vezes me foi dado amar, amei!
Caí!
Caí muitas vezes e outras
tantas me
levantei.
levantei.
Andei!
Olhei para trás e contei as estórias dos
amores que perdi, e repeti essas
mesmas estórias tantas vezes que,
depois de muitas quedas já não me
lembrava qual delas eram verdades e
quais eram apenas estória.
Eu amei!
Amei tantas vezes que por muito
Amei tantas vezes que por muito
tempo acreditei ser capaz de amar.
Caí!
Algumas quedas me feriram, outras
tantas me bateram, algumas
zombaram de mim e todas me
desprezaram.
Eu amei!
Amei como poucos viventes amaram.
Fui sincero e nas poucas vezes que
Amei como poucos viventes amaram.
Fui sincero e nas poucas vezes que
fingi soube me fazer acreditar estar
sendo
verdadeiro e, então amei.
Eu amei!
Amei tantas vezes me foi dado amar.
Dormi em todos os braços que
Eu amei!
Amei tantas vezes me foi dado amar.
Dormi em todos os braços que
aceitaram me abraçar, aqueci o meu
corpo junto aos corpos que
concordaram em me aquecer, e
aqueci aqueles que diziam necessitar
do meu calor.
Eu amei!
Ainda ontem me descobri acreditando
Eu amei!
Ainda ontem me descobri acreditando
ser capaz de amar mais uma vez.
Olhei no espelho e os meus cabelos
brancos sorriram ao perceber a ponta
de um sorriso maroto que repousava
em meus lábios.
Eu amei!
Amei e estou disposto a amar tantas
vezes mais me for dado a amar.
Amei e estou disposto a amar tantas
vezes mais me for dado a amar.
Não temo as quedas que espreitam
à beira desta estrada,
ainda que este
seja um caminho que nunca aprendi
a caminhar.
Eu amei!
Amei tantas vezes me foi dado a amar.
Eu amei!
Amei tantas vezes me foi dado a amar.
Eu amei!
O Mensageiro, Brasília, Setembro de 2013.
I loved!
I loved!
As many times as I was given the chance to love, I loved!
I fell!
I fell many times, and just as many times I
got back up.
I walked!
I looked back and told the stories of the
loves I lost, and I repeated those
same stories so many times that,
after so many falls, I could no longer
remember which ones were true and
which were just stories.
I loved!
I loved so many times that for a long
time I believed I was capable of loving.
I fell!
Some falls hurt me, others
beat me down, some
mocked me, and all of them
despised me.
I loved!
I loved as few living people have loved.
I was sincere, and on the few occasions when
I pretended, I knew how to make myself believe I was
being true—and so I loved.
I loved!
I loved as many times as I was given the chance to love.
I slept in every pair of arms that
agreed to hold me, I warmed my
body against the bodies that
agreed to warm me, and
I warmed those who said they needed
my warmth.
I loved!
Just yesterday I found myself believing
I was capable of loving once more.
I looked in the mirror, and my white hair
smiled upon noticing the hint
of a mischievous smile resting
on my lips.
I loved!
I loved, and I am willing to love as many
more times as I am given the chance to love.
I do not fear the falls that lurk
along the edge of this road, even though this
is a path I never learned
to walk.
I loved!
I loved as many times as I was given the chance to love.
I loved!
*

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