quarta-feira, 18 de julho de 2012

Muito longe



Bates em meu amor, como se batesses
em alguém que te magoa muito.
Corres e te escondes em ti e, não me
permites te ver. 
Te vejo muito longe, tão longe que em
alguns momento penso que nunca 
estivestes perto de mim.

Quando a tua presença fria me abraça,
sinto o teu "me abraçar" tão distante 
que os teus braços nem tocam em 
mim.
Ultimamente tens batido em minha 
porta tão raramente, que perdi a 
esperança algum dia voltar a te viver.

Corres!
Te escondes, foges do meu amor como
se este só te cause dor. 
A dor que o teu descaso, causa em meu
coração, é como uma canção triste que
canta em meus ouvidos e, cujo cantar, 
não sei como calar.

                     Lido da Sillva - Brasíllia, julho de 2012


             *


terça-feira, 17 de julho de 2012

A seca nordestina



O calor é inclemente, o vento, sonolento, 
quase não consegue soprar.
O sol, espetado no céu, olha para os 
viventes, como se esses fossem folhas 
penduradas no varal para secar.
Agarrados às suas ramas, descrentes e 
dependentes, os viventes não percebem 
quem é/são o(s) causadores da sua dor.

A seca seca tudo, inclusive os sonhos!
A poeira quente, soprada pelo vento faz 
os olhos chora. 
Os olhos choram à seca, e a seca chora 
os seus mortos, mas não protesta, não
protesta, até porque, a morte é a dona do 
lugar. 
 
Cansada de chorar de fome, a forme, 
viciada em vidas, devora os viventes. 
Vidas!
A fome toma a vidas dos pobres 
sertanejos que, além de suas vidas, nada 
mais tem para entregar. 
E a seca campeia! 

Há muito a chuva não visita o nordeste,
alias, ela nunca gostou de  andar por lá. 
Desesperançado o sertanejo olha para o
céu e faz mais uma oração.
Com sede, olhos vertem lágrimas, 
lágrimas vertidas que rega o solo. 
O solo, ávido de fome e sede, aceita 
qualquer líquido que lhe cai à boca.
Não importa se é água ou lágrimas, ele 
só saciar a sua sede. 

Então a terra bebe, ela bebe até as gotas
do suor que escorre da testa do sertanejo
sofrido.
Gente brava, gente valente que insiste 
em sua luta inglória contra a seca   
inclemente, sem entender que esta não 
é obra do sol, mas sim, coisa de gente. 

Sem chuva, a terra rica fica pobre e. 
sendo pobre, como todos os pobre ela 
tem fome.
Com fome, ao primeiro gemido do 
vivente, a terra abre a sua boca e o 
engole.
É o repouso de mais um valente que 
tombou diante de uma luta desigual. 
Luta inglória, luta contra um inimigo 
que, se não fosse tão amigo, há muito
haveria deixado de existir.

        Lido da Silva - Brasília, julho de 2012.

                       *



Quero - I want!



Quero, como quero!
Penso em um dia perdido no esquecimento 
e então me lembro que foi ali, 
num desses dias, que te encontrei.

Os dias passaram e eu os vivi de forma 
diferentes de como me recordava tê-los 
vivido enquanto ao teu lado. 
Dúvidas surgiram, fizeram angustiantes.
 
As dúvidas são tão angustiantes quanto ao 
frio da alma.
As dúvidas machucam tanto quanto o amor
perdido.

Quero! 
Gostaria!
Eu gostaria muito de ter aqueles dias de 
volta.

Gostaria de me desvencilhar das dúvidas 
que angustiam m´alma, e curar as feridas 
abertas, em meu coração, pelo amor que 
perdi.

       Mauro Lucio, Brasília, julho de 2012.

                     *

I want!

Oh, how I long for it!
I think of a day lost to oblivion 
and then I remember that it was there, 
on one of those days, that I found you.

The days passed, and I lived them 
differently from how I remembered 
to live them while by your side. 
Doubts arose, causing anguish.
 
Doubts are as agonizing as the 
coldness of the soul.
Doubts hurt as much as lost love.

I want to! 
I wish I could!
I would love to have those days 
back.

I wish I could free myself from the doubts 
that torment my soul, and heal the open wounds 
in my heart, caused by the love I 
lost.

                    *




quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mulher mundana


Corrupção, mulher mundana, desconhecedora de
qualquer tipo de escrúpulo, ela mata.
A corrupção contamina o caráter dos fracos e 
induz os incautos a tomá-la por amante.
Matreira, a corrupção sabe como distorce a 
verdade, ela sabe como distorcer os fatos no
intuito de induzir os viventes a acreditarem não 
ser ela tão desonesta o quanto na verdade é.
Cuidem com este tipo de mulher.

Sendo mulher vingativa, a corrupção quando 
desmascarada, veste-se de ódio e, então, persegue
e mata.
A corrupção mata, ela tanto mata àqueles que se 
deitam com ela, como os se atrevem a aponta-la 
quando ela sai às ruas.
Rancorosa, a corrupção persegue os que se 
atrevem a contradizê-la, e persegue os que a
rejeita depois de terem convivido com ela.
A corrupção odeia os entram em desacordo com 
sua vontade.
Vaidosa, ela nunca aceita o "não".

A corrupção tira crianças das escolas e as entrega
ao crime, as entrega à miséria que as escraviza.
A corrupção armas adolescentes e os ensina a 
roubar e matar. 
A corrupção, como mulher mundana, induz 
adolescentes à prostituição, a perdição e a toda 
sorte de vícios. 
Despudorada a corrupção destrói estradas, 
hospitais e famílias.   
A  corrupção, sendo mulher da vida,  circula pelas
vias das cidades em busca de incautos dispostos a 
pagar por seus serviços.  

A corrupção existe desde que o mundo é mundo,
mundana como é, ela se oferece em todos os 
lugares. 
A corrupção é um vício ao qual o seu abduzido
recorre sempre que tem oportunidade.
Como qualquer outro vício, a corrupção escraviza
o seu dependente. 
O vivente abduzido pela corrupção precisa da 
mesma ativa e/ou passivamente para sobreviver, 
é um escravo.
No caso da corrupção, o que move o viciado não 
é a necessidade do objeto almejado, mas a 
necessidade do ato de corromper ou ser 
corrompido.
Um segundo nos braços da corrupção, é o 
suficiente para o vivente se tornar seu escravo 
para sempre. 

O Mensageiro-Brasília, julho de 2012.

                 *

terça-feira, 10 de julho de 2012

Vá até lá fora - Go outside



Diga que fostes agora, diga que fostes lá fora
mas não percebestes o tempo fugir de ti. 
Diga que o tempo passou e que, lá no 
passado, se esqueceu do tudo que te 
envelheceu.
Diga, ainda que só me fales do que acreditas,
algo que me desinquiete.
Diga-me alguma coisa que me convença que
o tempo não se perdeu.

Por favor, va até lá fora e te situa como uma 
simples passante buscando informação.
Uma navegante perdida em turbilhão de
pensamentos viajando sem destino, sem 
direção.
Sai!
Não fiques em minha situação, não veja 
nada além da linha imaginária, que seria o
horizonte num dia de sol. 
Saia à rua não fique nua, como o sorriso 
que nunca aconteceu.

Quando eu te perguntar sobre o por sol, 
minta.
Me responda que não vistes a noite chegar, 
diga que a lua não está brilhando no céu, 
mesmo sabendo que estive repousando sob 
a luz do luar. 
Se por um acaso eu mentir para ti, não me 
desminta.
Admita que o sol foi se deitar sem se 
despedir de ti.

Se te perguntarem quando partirás, 
responda que vais agora.
Vá até à rua e te situa como uma simples
passante, e quando eu te perguntar sobre
o sol, não minta.
Diga que fostes lá fora e não me viste, fale
que não viste a lua esperando o por do sol
para, então, conversar comigo.
Diga que não viste a noite chegando logo 
após os últimos raios do sol.

         O Mensageiro - Brasília, junho de 2012.

                    *

Go outside

Say you went now, say you went outside but 
didn't notice the time slipping away from 
you.
Say that time has passed and that, there in 
the past, he forgot how much he aged you.
Say, even if you only speak about what you 
believe, something that unsettles me.
Tell me something that convinces me that 
the time wasn't lost.

Please, go outside and situate yourself as a 
simple passerby seeking information.
A navigator lost in a whirlwind of thoughts 
traveling without destination, without 
direction.
Go out!
Don't stay in my situation, don't see 
anything beyond the imaginary line, which 
would be the horizon on a sunny day.

Go out into the street, don't be naked, like 
a smile that never happened.
When I ask you about the sunset, lie.
Tell me you didn't see the night arrive, say 
that the moon isn't shining in the sky, even 
knowing that I was resting under the 
moonlight.
If by chance I lie to you, please don't 
contradict me.
Admit that the sun went to bed without 
saying goodbye to you.

If somebody ask you when you'll leave,
answer that you're leaving now.
Go to the street and position yourself as 
a simple passerby, and when I ask you 
about the sun, don't lie.
Say you went outside and didn't see me, 
say you didn't see the moon waiting for 
the sunset to talk to me.
Say you didn't see the night arriving 
right after the last sun´s rays.

                *


Um desafio - A challenge



Um sorriso, um desafio, a alma desnuda,
muda observa o caminhar lento das 
nuvens suspensas no ar.

O vento sopra gelado, me abraça em um
abraço do qual nunca consigui gostar.

Uma lágrima, um pranto.
Desencanto trasvestido de felicidade.

Felicidade que nunca chegou a ser uma 
verdade entre o tempo e eu.
Uma verdade, pela qual não chorei. 

O sorriso sem graça, a despedida, um
desafio, à lágrimas.

Braços se cruzam no momento em que 
nada mais  importa, então é despedida,
momento em que lábios dizem adeus.

 O Mensageiro-Brasília, julho de 2012.

              *

A challenge

A smile, a challenge, the bare soul,
silent, watches the slow drift of the
clouds suspended in the air.

The wind blows cold, embraces me in an
embrace I’ve never been able to enjoy.

A tear, a sob.
Disillusionment disguised as happiness.

Happiness that never became a  reality 
between time and me.
A reality for which I did not cry. 

The forced smile, the farewell, a
challenge to the tears.

                   *





sexta-feira, 6 de julho de 2012

Olha o picolé!



A poeira vermelha e quente, afogava os meus
pés descalços, que pisavam em seu corpo.
Sob o forte calor do cerrado, eu descia a rua 
gritando: - "Olha o picolé!"

Os passantes observavam com indiferença o 
meu chamado que, sem se importar com o 
calor reinante, saia forte da minha garganta: 
- "Olha o picolé!" 

Suas bocas secas, suplicavam por um copo 
D´água fresca, quiçá gelada, mas ali, diante
de seus olhos estava eu, um negrinho, os 
torturando com meu grito: "Olha o picolé!"

O sol escaldante queimava tudo, queimava, 
inclusive, a pele de quem o desafiava.
O negrinho, no entanto, precisava trabalhar, 
ele não podia esperar pela sombra.

Teimoso, vestido em sua pele escura, eu 
desafiava o sol gritando: "Olha o picolé!" 
Aquele negrinho parecia não perceber que 
os viventes só queriam fugir da fúria do sol.

O negrinho parecia não perceber que os 
viventes não davam ouvidos aos seus gritos 
e descia a rua gritando: "Olha o picolé!", 
ele não se importar com a fúria do sol.

Sem a ameaça da chuva, o sol era absoluto 
e a poeira vermelha, em seu eterno repouso,
odiava ser importunada pelos pés daquele
negrinho.

"Olha o picolé!", lá ia eu descendo a rua
e oferecendo o que tinha para vender.
Pouco me importava o calor do sol, ou 
a fúria da poeira, eu precisava vender.

 La ia eu, o negrinho, protegido por minha 
pele escura, ignorando a violência do sol, 
e indiferente à agonia da poeira, gritando:
"Olha o picolé!".

           Lido da Silva - Brasília, julho de 2012
 

                   *


quinta-feira, 5 de julho de 2012

A minha canção


Como é linda esta canção! 
Como é suave o seu caminhar rumo ao meu coração.
Como é especial o momento em que ela me dá a 
mão e me tira para dançar. 

Dançamos!
– " Now and forever, once and for all, now and 
forever  you and I ...  ". Dançamos, eu e a minha 
canção predileta. Dançamos.
 
Bailamos como só os sonhos apaixonados bailam,
e bailamos. 
Dançamos e sonhamos, sonhamos um mesmo sonho.

É lindo, ver a minha canção favorita caminhando 
rumo aos meus braços, como se fora ela, também, 
apaixonada por mim!
 
É motivo de júbilo ter a minha canção favorita 
batendo à porta do meu coração, pedindo para ficar 
comigo. 
Puro devaneio!

Ouvindo a minha canção predileta, viajo até onde os
sonhos apaixonados repousam, e lá, no meio do dia ,
tiro-a para sonhá-las. 

Ouvindo a minha canção favorita experimento, num
único instante,  paixão e nostalgia.
Sinto-me vestido por uma linda declaração de amor. 

A minha canção favorita canta aos meus ouvidos: 
 – " Now and forever, once and for all, now and 
forever  you and I ... " .

 Amo!  
São tantos os caminho por onde o amor me leva,
que me perco em meio a mais intensa paixão e ouço
uma vez mais – " Now and forever, once and for ...

                                   Lido da Silva - Brasília, julho de 2012.

                              *

terça-feira, 3 de julho de 2012

Meu protesto



Protesto! 
Eu protesto contra o descrédito dos que não
acreditam na possibilidade de a chuva  que 
choveu ontem, voltar a chover no decorrer 
do dia de hoje  também. 

Protesto!
Eu protesto contra a crença de que as 
estrelas cadentes, quando caindo do céu,
estejam fugindo para se esconderem n
terra, eu protesto! 

Eu protesto!
Protesto contra todos os tipos de crenças
que creem ter a vida um fim.

Eu protesto! 
Protesto contra a crença de que a paixão 
desenfreada leva à loucura, e protesto.

Protesto contra o dito popular que diz 
serem o amor e o ódio faces opostas da 
mesma moeda. 
Eu protesto!
 
Eu protesto! 
Protesto contra o entendimento de que
não há mentira que sobreviva sob a luz
dsol.

Eu protesto!
Desdenho das bondades grandiosas se 
orquestradas por alguém do mal.

Eu protesto! 
Protesto contra a mão que repousa sobre
o meu ombro e, também protesto, contra
desgosto que causo ao me abrigar em 
verdades não expressas por mim. 
Eu protesto!
 
Protesto!
Eu protesto contra o que, por medo, não 
me dizes, mas que deixas expresso em
teu olhar, quando me olhas. 
Protestos!
 
Protesto contra os pensamentos que, se 
pudesses expressar, os jogaria em minha
face. 
Protesto! 

Protesto contra as formas inúteis de existir
e protesto.
Protesto, também, contra as expressões que
escondem a sua verdadeira motivação.

    O Mensageiro - Brasília, julho de 2012.


                   *





segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ventania



É tudo! 
É quase nada se comparada ao sopro que,
pretensioso, sopra o mundo pensando ser
uma ventania. 
Uma anedota! 
Uma estória que, se não refletisse 
pensamentos descabidos, não passaria de
um caso que foi contado sem ter um 
final. 

É um pé descalço, calçado em um sapato
sem sola.
É um sapato que deixa ferir quando pisa 
sobre pedras pontiagudas. 
Pedras, são pedras que ali foram atiradas
como que para machucar, para humilhar. 
É! 
Enfim, é um pé descalço, um pé no chão,
um pé inocente para ser machucado.

O perdão! 
O perdão, se cuspido por lábios irados,
perde o seu calor. 
Perde o seu calor e, os ouvidos que o 
ouve, não o escuta e, se o escuta, o odeia.
Lábios que fecham bocas em momentos 
de fúria, se descontrolados, machucam,
ferem e depois não conseguem sorrir. 

 A ferida aberta, se caladas, sangra como 
lágrimas a escorem em faces inocentes. 
O sorriso sem graça é nada se 
comparado a uma anedota fora hora, e o 
abraço recolhido doí mais que a lágrima
reprimida.

Enfim a luz. 
É como a luz que brilha intensamente 
sobre olhos que se recusam a não 
enxergar em meio à escuridão. 
Uma mão! 
A mão que afasta para os lados os 
problemas que insistem em não 
desobstruir o caminho da vida, é mão
que caminha, é mão que apenas adia as
dificuldades.
 
O fim é quase nada, se comparado ao 
sopro da brisa que, pretensiosa, pensa
ser uma ventania, quiçá, sugerindo ser
uma tempestade. 
O fim é um juízo, uma condenação, 
uma sentença, lágrimas, solução.

    O Mensageiro - Brasília, julho de 2012.

                  *

Manifestar - To express.

Transbordando medo, invento uma desculpa para justificar a minha culpa por não falar quando o mundo pede para eu me manifestar. Aterrorizado...