domingo, 22 de março de 2020

Seria o apocalipse




Seria o Apocalipse se os dedos não tivessem para onde apontar,
mas os dedos estão apontando.
Os dedos apontam sem se importarem para onde, mas apontam,
eles apontam, ladram como cães ferozes sem se importarem
com a certeza, sem se importarem com a possibilidade com a
possibilidade de estarem equivocados.
Para os dedos não importa o apontado é culpado ou inocente 
eles acusam sem pensar no pecado, em seus pecados.

Seria o Apocalipse se o culpado apontado não fosse humano,
que importa se quem mata é a peste, os dedos precisam apontar
um culpado!
Mas importante que combater a enfermidade é apontar o
culpado da mesma, ainda que este não tenha culpa, é culpado.
Encontremos logo o culpado para então pensarmos na cura da
enfermidade.
Que loucura! 
Os dedos perderam a razão fingimos não conhecerem os
verdadeiro vilões.

Seria o Apocalipse se os viventes não estivessem ignorando a
realidade, a verdade, a verdade que sai às ruas recomendando
a união dos crentes.
Loucura ignorar a verdade que grita, que se recusa a calar 
diante dos desatino humanos, gente que desacredita em Deus
e de  gente que quando se refere ao Criador o faz para dele 
Zombar.
A ira do Divino se avolumava enquanto a festa dos viventes, 
festejava nas avenidas e então transbordou, choveu 
reclamando vidas.

Não fosse os dedos tão estúpido entenderiam tratar-se do 
Apocalipse, fiquem em casa e orem.
Não tenham ilusão, o nosso Deus é Deus de misericórdia mas
não haverá perdão para os que dele zombam.
Chorem!
Vivendo momentos de aflição!
Arrependam-se falsos profetas, profanos, difamadores do
amor de Jesus Cristo, hipócritas materialistas, a peste 
chegou.

Seria o Apocalipse se mais fúria não estivesse prevista para
desabar sobre a humanidade.
Oremos enquanto ainda há tempo para orar. 
Reconheçamos o reinado de Deus, sua glória e majestade!
Voltemos para o nosso Criador, entendamos que Ele é a
fonte do amor.
Não é homem, não vem dos homens esta enfermidade. 
Seria o Apocalipse se os dedos não tivessem para quem 
Apontar.

                                                     Habacuc, Castries, março de 2020.

                                                  @

domingo, 9 de fevereiro de 2020

O futuro - The future



Não gosto de falar do amanhã,
o prematuro é frágil, consequentemente incerto.
O medo de sofrer num futuro que nem sei se viverei me assusta,
daí tornar-me cumplice do presente por saber que no
presente não há dúvidas, ele já está aqui, é agora.

Outra noite fui surpreendido por um céu maravilhosamente
estrelado que prometia que o dia seguinte seria lindo, um dia sol,
mas amanheceu chovendo.
O mesmo se dá com os abraços guardados para uma futura 
paíxão.
As coisas incertas, que ainda virão não raro esvaicem no tempo 
sem abraçar ninguém.

Não sou discípulo do futuro,
o futuro está muito longe de ser algo com que conto.
Me dou por satisfeito com o que tenho agora, engulo os choros 
que choraria se tivesse a certeza de que o amanhã chegará para 
mim.

Na verdade, quando vejo o dia ganhar a cor da minha pele e 
tenho a oportunidade de ouvir o relógio tique taquear a meia
 noite, oro uma prece, agradeço a Deus mais um dia vivido e 
experimento a satisfação da certeza de estar vivendo mais 
uma jornada rumo a um futuro que não sei se existe.

Não sou dado a pensar nos eventos longínquos,
nas coisas que residem num tempo que não sei se viverei.
Outro dia me peguei experimentando um arrependimento por
não ter vivido um evento que me foi dado a oportunidade
de viver.
Não o vivi preocupado com um futuro que ainda hoje não sei se
viverei.
Tenho o futuro como uma ilusão.

                 O Profeta - Castries(Sta. Lucia), fevereiro de 2020.

                                @

The future

I don't like talking about tomorrow,
the premature is fragile and therefore uncertain.
The fear of suffering in a future that I don't even know if I'll live scares me,
so I become complicit in the present because I know that in the
present there are no doubts, it's already here, it's now.

The other night I was surprised by a wonderfully
starry sky that promised that the next day would be beautiful, a sunny day,
but it dawned raining.
The same goes for hugs saved for a future 
country.
The uncertain things that are yet to come often fade away in time 
without hugging anyone.

I'm not a disciple of the future,
the future is very far from being something I'm counting on.
I am satisfied with what I have now, I swallow the tears 
that I would cry if I were sure that tomorrow would come to 
me.

In fact, when I see the day take on the color of my skin and 
have the opportunity to hear the clock tick
 midnight, I say a prayer, thank God for another day lived and 
experience the satisfaction of the certainty that I am living more 
a journey towards a future that I don't know exists.

I'm not given to thinking about distant events,
about things that reside in a time I don't know if I'll live.
The other day I found myself regretting
not having lived through an event that I was given the opportunity
to live through.
I didn't live it worrying about a future that even today I don't know if
I will live.
I see the future as an illusion.

                        @




sábado, 8 de fevereiro de 2020

Espírito opaco



Tu, espírito opaco, energia sem luz, egoísta,
vagueias por todos os cantos recrutando
viventes desavisados para comporem a tua 
horda de embebidos por tuas mentiras.
Tu, não tarda, e caíras!

Tu, espírito sem luz, semeias o ódio sobre 
os viventes que, sensíveis a tua má energia
não te ouvem, não te seguem, te ignoram.
Tu, espírito frio, só seduz os fracos, os sem
convicções, os desprotegidos. 

Tu espírito desagregador, mentiroso, falso,
energia sem luz que brada, que jura 
falsamente e promete o que não pretende
entregar.
A tua ambição desmedida vai te vender e
o frio do seu desprezo vai te engolir.

Tu, energia vazia de amor ao próximo, a 
tua horda, tão falsa quanto a ti, não tarda 
te abandonará.
O teu séquito é energia vazia iguais a ti, 
é teu semelhante, energia fria, sem luz,
coisa do escuro, sinonimo do medo.

Tu, espírito enganador, tens uma horda e
não um exército.
São oportunistas os teus seguidores,
espíritos fracos enganados, sobras que 
gostam da sombra, que perderam a noção
do que é a luz.

      Habacuc - Castries, fevereiro de 2020


                   *


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Renascer no espírito - Rebirth in spirit



Não faz sentido não perceber a beleza do rio em seu curso
Rumo a morte para se fazer maior.
Ser como os rios, livres do egoísmo e das ambições,
Sem apego às coisas que este mundo oferece e
Agasalhado na certeza de que quando morreres nos
Braços do mar, serás maior,
E mais intenso.

Não faz sentido o amor vazio,
O amar que não se pode herdar.
Não se herda corpo,
O físico é terra, água, ar que,
Como fumaça, desaparece quando a vida o deixa.
O corpo sem espírito é como a lágrima sem dor,
É o enganar.

Não faz sentido,
Não faz sentido não perceberes as nuvens que em
Suas viagens silenciosas se misturam à eternidade.
É absurdo não entenderes que nesta vida nada se 
Dá por acaso.
Tu é a fatalidade que, como o curso dos rios, 
Segue rumo ao teu estágio final.

Que as lágrimas chorem a saudade e a dor das 
Despedidas.
O adeus sem data de reencontro é mistério, assusta, 
Faz frio, faz medo, muito medo, mas no entanto
Não é sábio chorar a morte.
A elevação espiritual necessariamente passa pelo
Fim desta vida.
Foi para isto que nascestes, é para isto que vives.

Observe a água da chuva sendo sugada pela terra.
Atente para o escuro absorvendo a luz,
A poeira se perdendo no firmamento e as 
Lembranças se entregando ao esquecimento.
Tal como se dá com tudo neste mundo, 
O mesmo se dará com a tua vida que segue o seu
Curso rumo a morte para se fazer melhor. 

       O Profeta - Castries(Sta. Lucia), fevereiro de 2020.

                    *

Rebirth in spirit   


It makes no sense do not perceive the beauty of the  river in its
Course towards death to become greater.
Be like the rivers, free from selfishness and ambition,
Without attachment to the things that this world offers, e 
Wrapped in the certainty that when you die in 
The arms of the sea, you will be greater,
And more intense.

Empty love makes no sense,
Love that cannot be inherited.
You cannot inherit a body,
The physical is earth, water, air that,
Like smoke, disappears when life leaves it.
The body without spirit is like a tear without pain,
It is deception.

It makes no sense,
It makes no sense not to notice the clouds that, in
Their silent journeys, blend into eternity.
It is absurd do not understand that in this life nothing
Happens by chance.
You are the fate which, like the course of rivers,
Follows its course to its final stage.

Let tears cry for the longing and pain of
farewells.
Goodbye without a date for reunion is a mystery, it frightens,
it makes you cold, it makes you afraid, very afraid, but nevertheless,
it is not wise to mourn death.
Spiritual elevation necessarily passes through the
end of this life.
This is why you were born, this is why you live.

Watch the rainwater being sucked into the earth.
Notice the darkness absorbing the light,
The dust disappearing into the firmament and the
Memories surrendering to oblivion.
As everything in this world takes place,
The same will happen with your life, which follows its
Course toward death in order to become better.
 

                              *





terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Acontece



De repente um choque explode no centro
Do meu cérebro e, num milésimo de segundo
O solo se abre e me engole.
Sou engolido e regurgitado em questão
De segundos.

Seria um espanto, se tempo eu tivesse tido para me
Espantar.
Não foi um susto, porque tudo se deu tão
Rápido, que não teve tempo para o susto chegar.
Foi assim, não me assuntou, mas ficou
Em mim, deixou em meus lábios uma oração.

De repente me descubro sendo engolido
E regurgitado pelo solo.
Sensação estranha é esta de partir, ir embora
Sem sair do lugar.
As vezes penso que em algum momento vou,
Mas não irei voltar.

Então o choque.
O meu corpo é tomado por uma descarga elétrica
Que me empurra para as profundezas do solo
E me traz rapidamente de volta.
Não há susto, não há medo, fica somente a
Incompreensão.

A ignorância do me físico não lhe permite,
Compreender o comportamento do meu abstrato.
De fato, o meu corpo debate-se num universo
Que o faz conhecer a sua insignificância diante da
Espiritualidade que realmente sou.

                            *

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Perdido nos desencontros - Lost in mismatches



Há muito me perdi nos desencontros. 
Em cada canto um conto, uma situação, um senão.
Não importa!
Ainda há pouco o acaso bateu em minha porta,
Ele me despertou, me acordou para as respostas
Mudas, para o resmungar do inconformismo.
E eu com isto? 
Por que me importar?

Um aceno, uma lágrima, a saudade,
Acabo de me dar conta de nunca ter dado ouvido ao
Tempo.
Arrependimento, arrependimento, arrependimento!
O tempo conhece todas as histórias, inclusive aquelas
Que ninguém nunca quis me contar.
Sou menino abandonado, homem desconfiado.

Se eu tivesse escutado, se eu tivesse ouvidos o
Resmungar do vento certamente não seria, como sou,
Consumido agora pela ignorância.
Perdi a minha infância chorando e a juventude
Reclamando, quando deveria ter sorrido das
Crueldades que vivi.
Estupidez! 
Perder tempo chorando quando não sabia se me seria 
Dado oportunidade para sorrir.

Há muito desconfio do acaso!
Não por acaso creio que nada nesta vida se dá sem um
Objetivo definido. 
Destino capicioso!
Sorria quando te for dado sorrir, até porque não
Sabes se  algum dia o sorriso te visitará outra vez.
Se eu tivesse escutado, se eu tivesse dado ouvidos
Ao resmungar do vento ...!

    Lido da Silva - Castries(Saint Lucia), novembro 2019.

                            @

Lost in mismatches


I have been losted in the mismatches a long time 
Already.
In each corner a tale, a situation.
It doesn't matter!
A little ago the chance knocked on my door,
It woke me up, it woke me up to the answers 
Seedlings, it woke me up to the  grumbling of 
Nonconformity.
I got nothing to do with this?
Why do I have to care about it?

A wave, a tear, a longing,
I just realized that I have never listened to the time.
Regret, regret, regret!
The time knows all stories, including those that no
One ever wanted to tell me.
I am an abandoned boy, a suspicious man.

If I had listened, if I had heard the mumbling of the
Wind I would certainly not be, as I am now, 
Consumed by ignorance.
I lost my childhood crying and my youth
Complaining, when I should have been smiling of 
The cruelties that I have been forced to lived.
Stupidity!
Wasting time crying when I didn't know even if 
I would be given opportunity to smile.

Its a long time that I suspected chance!
It is not by chance that I believe that nothing in this 
Life happens without a defined goal.
Mischievous Destiny!
Smile, smile when you are allowed to smile, because 
You never knows if you will be allowed to smile 
Again.
If I had listened, if I had listened to the grumbling 
Of  the wind...!

                        @

sábado, 2 de novembro de 2019

O renascer - The reborn



A tua estrada chegou ao fim, o que te foi
Destinado a viver viveste, o livre
Arbítrio jamais te foi negado. 
E agora?
Estás diante da razão das coisas, diante 
Da verdade, da realidade.
Agora te encontra diante do que a vida,
Neste estágio, de fato é.

A tua vida está preste a adentrar em um
Novo iniciar. 
Os teus princípios, orgulhos e vaidades
Esvaecerão no nada.
Despido da matéria e do material 
Viverás o espírito, o espiritual onde a 
Paz ou o tormento será o teu 
Conselheiro.

A tua estrada chegou ao seu final,
Escureceu diante dos teus olhos e não
Vês o que existe adiante.
Como matéria não te é mais 
Permitido seguir e nem te e dado a
Retroagir.
Dispa-se da tua matéria, a tua 
Vestimenta fica aqui.

A tua estrada chegou ao fim, agora te
Resta apenas a reflexão sobre como
Vivestes a tua vida.
É certo que não te recordas de tudo
Que vivestes mas não importa, o 
Desconhecido aguarda ansioso para
Te conduzir ao teu recomeço. 

  Habacuc - Castries(Sta. Lucia), novembro de 2019

                         *

The reborn

Your road has come to an end, what has
Been given to you to live you lived, 
Your freedom has never been denied 
You.
And now?
You are facing the reason of the things, 
You are facing the truth, the reality of 
Life.
Now you find yourself facing what the
Life, at this stage, is.

Your life is about to enter a new begin.
Your principles, pride and vanities will
Fade into nothingness.
Undress of your flesh and material you
Will live the spirit, the spiritual where
Peace or torment will be yours 
Counselor.

Your road has come to an end, it got
Dark before your eyes and you cannot
See what lies ahead.
As a flesh it is no longer allowed to
You to keep going a read and not
Even given to you to retroact.
Get rid of your body, your clothing
Must stay here.

Your road has come to an end, now
Remains only the reflection of how
You have lived your life.
It's true that you don't remember 
Everything that you have lived but
It doesn't matter, the unknown 
Looks forward to lead you to your
Fresh start.

                    *

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Insensatez - Foolishness





Que a sensatez seja insensata o suficiente 
para se permitir apaixonar-se. 
Que chorem as lágrimas!
Coisa da paixão.
Não quero, como os lúcidos, ser a morada
da precaução.
Com medo da loucura e das desilusões, 
Perdi amores, fugi das oportunidades de 
me apaixonar.
Agora chega.
Não suporto mais ser um sano! 
Incauto, jogarei com a sorte, 
experimentarei adrenalina do medo e 
das desilusões.

Que importa as feridas!
Que os deboches, debochem dos meus 
tombos!
A idade não me impedirá de amar.
Não quero morrer sem experimentar o 
sabor da paixão.
Que a sensatez me repreenda!
Que a prudência, aborrecida comigo, 
deixe de me aconselhar!
Desta feita tomarei a insensatez por 
conselheira e, se acontecer, me 
apaixonarei.
Me entregarei à paixão.

Da estrada que me foi dada a caminhar, 
há muito, mais da metade já caminhei.
A caminhei na companhia da prudência, 
esta mulher ciumenta que, sequer, me 
permitia olhar para os lados. 
A prudência me podou tanto que nem m
dei conta da monotonia do meu caminhar. 
Olhando ao meu redor desconfio que
sequer saí do lugar.

Que a sensatez seja versátil o suficiente 
para se aceitar insensata porque, da 
estrada que me foi dada a caminhar, não 
tarda, chegará ao seu final. 
Não!
Não tomarei a monotonia por 
companheira até os meus últimos dias.
Insensato, quero correr riscos!
Quero que o orvalho dmadrugada me 
encontre, embriagado de amor, nos 
braços macios da paixão.
Quero experimentar o medo da 
insensatez sobressaltando o meu 
coração.

 Lido da Silva, Brasília, setembro de 2019

             @

Foolishness

May sanity be crazy enough to
allow itself to fall in love. 
Let the tears flow!
Such is passion.
I don’t want, like the level-headed, to be the dwelling place
of caution.
Afraid of madness and heartbreak, 
I’ve lost loves, I’ve fled from opportunities to 
fall in love.
Enough is enough.
I can’t stand being sane anymore! 
Careless, I’ll take a chance, 
I’ll experience the adrenaline of fear and 
heartbreak.

What do the wounds matter!
Let the mockers mock my 
stumbles!
Age will not stop me from loving.
I don’t want to die without tasting the 
flavor of passion.
Let common sense rebuke me!
Let prudence, fed up with me, 
stop advising me!
This time I’ll take folly as my 
advisor, and if it happens, I’ll 
fall in love.
I’ll surrender myself to passion.

Of the road I was given to walk, 
I have long since walked more than half.
I walked it in the company of prudence, 
that jealous woman who wouldn’t even 
let me look to the sides. 
Prudence restricted me so much that I didn’t even 
realize the monotony of my journey. 
Looking around me, I suspect that
I haven’t even moved from the spot.

May wisdom be versatile enough 
to accept itself as foolish, because, of the 
path I was given to walk, it 
won’t be long before it reaches its end. 
No!
I will not take monotony as 
my companion until my last days.
Foolish as I am, I want to take risks!
I want the dawn’s dew to 
find me, intoxicated with love, in the 
soft arms of passion.
I want to experience the fear of 
foolishness making my 
heart leap.

                 @


                  

Doe. - Donate





As tuas necessidades são como o mar, nunca
Enche, nunca serão satisfeitas.
Ontem buscavas por uma casa simples, hoje queres
Uma mansão e amanhã essa já não te satisfará .
Quando será que a tua necessidade de mim, o teu
Deus, se manifestará?

Concedo-te o necessário para o teu conforto do dia
A dia, mas o teu dia a dia não está satisfeito com o
Que te dou, ele quer mais, sempre quer mais.
Quando te darás conta de que o teu espírito está
Morrendo de inanição, enquanto o teu ego já não da
Conta de usufruir toda a fortuna que acumulastes?
Quando perceberás que a tua infelicidade é fruto da
Tua ganância insana?

Assisto, angustiado, o desfile de vaidade que fazes
Acontecer em minha casa.
A vaidade passeia nos estacionamentos da igreja,
Exibe seus vestidos e ternos caríssimos, mostra suas
Jóias e daí vai até aos sapatos de grife.
A tristeza me consome quando ouço, no meio das 
Tuas pregações, dizeres:
 “A tua graça lhe será concedida  proporcionalmente
À quantia que doares a Deus!”.  
Como assim? 
Eu nunca preguei isto!
Doe às minhas obras somente o que entenderes que
Essas merecem! 
Somente o que mereço.

                                       Lido da Silva, setembro de  2019


                                     *

Donate


Your needs are like the sea, never
Fills, will never be satisfied.
Yesterday you were looking for a simple house, today
You want to have a mansion and tomorrow it will no 
Longer satisfy you.
When will your need for me, your God, will show up?

I grant you what is necessary for your daily comfort, 
But your daily confort is not satisfied with what 
I give to you and it wants more and more, your daily
Confort always wants more.
When will you realize that your spirit is dying by 
Starvation, while your ego no longer gets to enjoy all 
The wealth that you've accumulated?
When will you realize that your unhappiness is the 
Result of your insane greed?

I watch, in anguish, the vanity parade that you put on
At my house.
Vanity walks in church parking lots and
Show off the expensive dresses and suits, show off 
Your jewelry and the designer shoes.
Sadness consumes me when I hear you, in the middle
Of your sermons to say:
“Thy grace shall be bestowed upon the proportion of
The amount that you donate to God!”.
How is that?
I never preached it!
Donate to my works only what you understand that it
Worth!
Donete only what you understand that I do deserve.

                                       *


                         

domingo, 1 de setembro de 2019

Filhos de escravos - Children of slaves





Sou filho de escravos!
Meu sangue fertiliza cada milímetro quadrado
Deste país,
Sou da cor da noite que te amedronta, te 
Assusto, e tu me vigias.
Me vigias porque me temes como os teus 
Antepassados temiam os mistérios dos meus
Ancestrais.

Sou filho de escravos!
Escravizastes o corpo da minha gente, mas 
Nuca conseguistes escravizar os seus
Espíritos.
Livres, andamos pelas ruas observando o
Teu olhar desconfiado nos vigiando.
Nos fizestes tanto mal no passado que 
Agora temes a nossa vingança.

Sou filho de escravos!
Sou a verdade que gostarias de esquecer 
Mas não podes, não consegues.
Estou aqui, presença forte no teu dia a dia,
Sou tua família.
O teu olhar me vigia, me temes, temes 
Que eu um dia venha ocupar o teu lugar,
O lugar que pensas ser só teu.

Sou filho de escravo!!
Com o sofrimento aprendi a arte de viver, 
De sobreviver e de vencer a tua falsa 
Superioridade.
A minha vitória é apenas questão de 
Tempo, não tem jeito, vai acontecer.  
Sou filho da raça forte, sou filho da 
Sobrevivência, sou a parte da tua vida
Que gostarias de esquecer.

Sou filho de escravos!
Sou gente forjada pela dor do 
Sofrimento.
Sou gente que aprendeu com o açoite 
Do vento a arte de lutar e vou lutar 
Pelo que entendo ser meu.
Grito para que me ouças, quero o 
Meu espaço!
Quero o meu naco!
Quero o espaço que estou aqui para o 
Ocupar.
Sou filho de escravos,  mas já não vivo
Mais só de lamentar.

                   Lido da Silva, setembro de 2019

                      @

Children of slaves

I am the son of slaves!
My blood fertilizes every single square 
Millimeter of this country.
I am the color of the night that frightens
You, I frighten you, and you watch 
Over me.
You watch me over because you fear 
Me as yours ancestors feared the 
Mysteries of my ancestors.

I am the son of slaves!
You enslaved the body of my people,
But you never managed to enslave 
Their spirits.
Free, today we walked down the 
Streets watching your suspicious 
Gaze watching us.
You have done us so much harm in 
The past that now you fear our 
Revenge.

I am the son of slaves!
I'm the truth you'd like to forget
But you can't, you can't.
I'm here, a strong presence in your
Everyday life, I'm your family.
Your gaze watches over me, you
Fear me, you fear that one day 
I may take your place, a place 
That you think is yours alone.

I'm a son of a slave!!
With suffering I learned the art of 
Living, I learned to survive and 
Overcome your false superiority.
My victory is just a matter of
Time, there's no way, it will 
Happen.
I am a son of the strong race, I am 
A son of survival, I'm the part of 
Your life a part that you would be
Pleased to forget.

I am the son of slaves!
I am forged by the pain and 
Suffering.
I'm people who learned from the 
Whip from the wind the art of 
Fighting and I will fight for 
What I understand to be mine.
I scream for you to hear me, 
I want my space!
I want my piece!
I want the space I'm here for
To occupy.
I am the son of slaves, but I no 
Longer live just to lament.

                   @


sábado, 31 de agosto de 2019

Não diante dos homens - Not in front of a men





Não dobre os teus joelhos diante de homens
Quando quiseres conversar comigo.
Confesse somente a mim os teus pecados.
O que um pecador pode fazer para te livrar
Do fardo que cansa o teu espírito e rouba
A tua paz?
Fale comigo! Fale somente comigo sobre as
Tuas dores e eu as curarei!

Não te prostres diante de pecadores!
Não derrames às tuas lágrimas em ombros 
Tão fracos quanto aos teus.
Não creia que pessoas que, assim como a 
Ti mesmo vivem em busca do 
Enriquecimento material, sejam capazes de 
Entender as ansiedades do teu espírito.
Fale-me das tuas necessidades e proverei
O que realmente necessitas.

Não confesse as agruras do teu coração à 
Pessoas que não conhecem o amor, como o
Amor de fato é.
Não confie a paz do teu espírito a humanos
Tão pecadores e fracos quanto a ti. 
Fale comigo!
Me entregue o teu coração,!
Confie em mim, confie em meu amor por
Ti e te libertarei dos tormentos que te 
Afligem. 

               Habacuc - Castries, agosto de 2019

 
                            *

Not in front of a men


Do not bend your knees in front men
When you want to talk to me.
Confess only to me your sins.
What can a sinner do to deliver you
From the burden that tires your spirit and 
Steals your peace?
Talk only to me about your pains and
I will Healy them!

Do not prostrate yourself before sinners!
Don't shed your tears on shoulders
As weak as yours.
Do not believe that people who, like
Thyself live in search of
Material enrichment, be able to
Understand the anxieties of your spirit.
Tell me about your needs and I will 
Provide what you really need.

Do not confess the hardships of your heart
To people who don't know love, like
Love really is.
Do not entrust your peace of mind to 
Humans as sinful and weak as you are.
Talk to me!
Give me your heart,!
Trust me, trust in my love for you and 
I will free you from the torments that
Afflict you.

                             *

Manifestar - To express.

Transbordando medo, invento uma desculpa para justificar a minha culpa por não falar quando o mundo pede para eu me manifestar. Aterrorizado...