quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A vida na esquina - Life on the street´s corner


Ali no boteco tem um treco,
Vou lá volto já.
A pressa se acalma e encolhe as pernas,
Anda devagar.
Devagar é vida na esquina,
Coisa que gente fina,
Costuma reparar.
Meu bico alcança o copo,
E este não corre, se deixa derramar.
Um sorriso tosco, debochado,
Foi o último trago,
Andes de eu me embriagar.

Ali no boteco tem um treco,
Que vive a me chamar.
Não é bebedeira, dou bandeira,
É só brincadeira,
Coisa boa de brincar.
O meu bico alcança o copo,
Corpo mole,
O leva para vadiar.
Chego em casa conto uma historia
Mesmo sabendo que a branca
Não vai acreditar,
E durmo no sofá.

Ali no boteco tem um treco
Que me leva lá.
Boa batucada, a rapaziada,
Cachaça que nada,
Beber, desta feita, nem pensar.
O meu bico alcança o copo,
E este me rejeita, me deixa para lá.
Sorriso debochado,
Bebedeira que nada,
Vou me deitar cedo,
Sujeito ocupado,
Amanhã tenho que trabalhar.

O Observador - Chuy, fevereiro de 2017


                @

Life on the street´s corner


In the bar, has a thing,
I´m come there and I'll be right back.
The rush calms down and draws its legs,
It walks slowly.
Slow is the life on the corner,
Thing that nice people,
Usually talk about.
My beak reaches the cup,
And the cup doesn't run away, it lets itself spill.
A crooked smile, a mocking one,
It was the last drop,
Before I get drunk.

Over there at the bar, there's a thing,
Witch likes to call me.
It's not drunkenness, I give a chance,
Just kidding,
A good thing to play.
My beak reaches the cup,
Soft body,
Takes it to hang out.
Back home I tell a story
Even knowing that the white
Won't believe in it,
Then I sleep on the sofa.

Over there at the bar, there's a thing
Which takes me there.
Good drumming, the guys,
Drink! Forget it,
Drinking, this time, no way.
My beak reaches the cup,
And its rejects me, it leaves me alone.
Smirk,
To drink, don´t even think about it,
At this time I'm going to bed early
busy guy,
Tomorrow is a work day.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Sou filho da África - I am a child of Africa


Sou negro, sou,
Sou, sou, sou!
Sou homem da África,
Sou da cor do amor.

Reguei estas terras com meu sangue,
No meio do desespero meu pranto rolou,
Mas não me dei por vencido,
E, contra a tua vontade, o meu dia chegou.

Sou negro, sou,
Sou, sou, sou!
Sou filho da África,
Sou da cor do amor.

A poeira abraça o meu corpo e,
Sob o ritmo do berimbau o meu eu ginga.
Ágil como um leopardo salto
E o meu medo, com medo do meu jogo, cala.

Sou negro, sou,
Sou, sou, sou!
Sou homem da África,
Sou da cor do amor.

Vele me Santa Maria do sofrimento!
Cansei-me de ser só lamento.
Agora faço brilhar meu sorriso,
Venci os confinamentos.

Sou negro, sou,
Sou, sou, sou!
Sou filho da África,
Sou da cor do amor.

Noite de lua cheia,
Da minha cor, meu sorriso.
Na roda de capoeira,
Me sinto senhor.

Sou negro, sou,
Sou, sou, sou!
Sou filho da África,
Sou da cor do amor.

 Habacuc - Chuy, fevereiro de 2017 

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 I am a child of Africa

I'm black,Yes I'm,
I am, I am, I am!
I'm a man from Africa,
I'm the color of love.

I watered these lands with my blood,
In the midst of despair my tears rolled down,
But I didn't give up,
And, against your will, my day has come.

I'm black, yes I'm
I am, I am, I am!
I am a child of Africa,
I'm the color of love.

The dust embraces my body and,
Under the rhythm of the berimbau, my spirit swings,
Agile as a leaping leopard,
And my fear, afraid of my game, be silent.

I'm black, yes I'm
I am, I am, I am!
I'm a man from Africa,
I'm the color of love.

Saint Mary of the suffering!
I got tired of being just sorry!
Now I allow my smile to shine,
I overcome all the confinements.

I'm black, yes I'm
I am, I am, I am!
I am a child of Africa,
I'm the color of love.

Full moon night,
My color, my smile.
In the capoeira circle,
I feel being sir.

I'm black, yes I'm
I am, I am, I am!
I am a child of Africa,
I'm the color of love.

          @

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Não chuto baldes - I don't kick buckets




Dada as circunstâncias do momento,
Um sorriso, ainda que cínico, está em bom lugar.
Já lutei muitas lutas,
Protestar agora nem pensar.

Solução é coisa que não vem fácil,
Estando fora da briga, entendo melhor a situação.
Com um pouquinho mais de atinência,
Percebo as coisas como elas são. 

Na atual conjuntura,
Coçar a cabeça e dar um tempo é prudente,
Não atiçar a precipitação é sabedoria
O descontrole é fraqueza, 
E o lamento é covardia.

Não chuto baldes,
Não bravato,
Dadas as circunstâncias, saber esperar  é 
Prudente, ainda que pareça covardia, calar neste
Momento é sabedoria.

Enquanto entender-me ignorante, ainda que
Reticente,  a sabedoria não me trairá.
A soberba é burra e, na atual circunstâncias,
Não há espaço para brincar,
O erro pode ser fatal e eu não posso errar.

     Lido da Silva - Chuy, fevereiro de 2017


              @

I don't kick buckets


Considering the circumstances at this moment,
A smile, even a cynical one, is in good place.
I've fought so many fights,
To protest now, no way.

Solution is something that doesn't come easy,
Being out of the fray, I understand better the 
Situation. 
With a little diligence, perceive things as it is.

In the current situation, scratching the head 
And taking a break is wise, not stoking 
Precipitation is wisdom lack of control is 
Weakness, and the regret is cowardice.

I don't kick buckets, I don´t say tales, and 
Under the circumstances, to know to wait is 
Prudent, even if it seems cowardly, to remain 
Silent in this moment is wisdom.

As long as I understand myself as a ignorant,
Even if reticent, wisdom will not betray me.
Pride is stupid and, in the current circumstances,
There's no room to play, the mistake can be fatal
And I cannot allow myself to make mistake.

                                 @  


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Como confiar? - How can I trust in you?



Abre-se a porta,
Um passo em falso, 
Tão falso quanto o sorriso
Que sorris para mim.

Que medo!
O coração fecha-se em segredos,
Vida que não conta,
Passagens que choram.

Uma pancada seca,
A porta bate.
Derruba a cerca,
Cercado que cerca a vida.

Abrase-se a janela e a luz sai,
Esconde as estrelas que há pouco,
Serelepes, exibiam-se no céu.
Contigo tudo é tão escuro.

Que horrendo são as dúvidas!
Por favor, dá-me um copo,
Vou beber,
A porta fechou-se em mim.

E tu, tu que juras amar-me,
Mas me esbofeteias sempre que
Não estou te observando.
Como confiar? Devo?

   O Observador - Chuy, janeiro de 2017

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How can I trust in you?


The door opens,
A misstep,
As false as the smile
That you smile to me.
 
I´m so scary!
The heart closes in secrets,
Life doesn't count.
Passage that cry.
 
A dry blow,
The door slams.
Knock down the fence,
The fence that surrounds life.
 
The window are open and the light comes out,
Hides the stars that was, happily playing,
Displayed themselves in the sky.
By your side, everything is realy dark.
 
How horrible are the doubts!
Please give me a glass,
I need to drink.
The door has closed in me.
 
How about thou? You swear to love me, 
But whenever I don't watch you, you
Slap me . How can I trust you?
Shall I?

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Sou o teu tolo - I'm your fool





Sou o teu bobo,
o teu tolo,
teu jogo, o jogo
que escolhestes para jogar.

Sou teu brinquedo,
teu joguete,
teu amante
o amor que não escolhestes para amar.

O teu desamor perverso,
zomba da minha necessidade de ser teu amante,
sorris, brincas com os meus sentimentos,
me deixa pra lá.

Tudo em mim é tristeza,
mas o medo me segura e diz:
- Se te zangares ela vai nos deixar.
Mais uma vez me calo.

Me calo, mas o meu coração grita,
sufoca o amor que o mata, e o mata.
Agora sou livre,
posso te deixar.

Já não sou o teu bobo,
o teu tolo, o
teu jogo, o jogo
que escolhestes para jogar.

Já não sou o teu brinquedo,
teu joguete,
o teu amante,
o amor que nunca escolhestes para amar.

     Mauro Lucio - Chuy, dezembro de 2016.

                         @


I'm your fool


I'm your fool.
Your fool,
your game,
the game that you did choose to play.

I'm your toy
your toy,
your lover
the love that you didn't choose to love.

Your perverse lovelessness,
mock of the my need to be your lover,
its smile, its play with my feelings,
just put me on the corner.

Everything in me is sadness,
But the fear holds me and says:
- If you get angry, she'll leave us.
Once again I shut up.

I am silent but my heart screams,
it suffocates the love that kills, and kills it.
Now I'm free,
I can leave you.

I'm no longer your fool,
your fool,
your game,
the game that you did choose to play?

I'm no longer your toy,
your toy,
your lover,
the love that you never chose to love.

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Cúmplices - Accomplices



A indiferença ao descaso, a brutalidade da
força, a frieza da tortura, o açoite, a negação,
a enxovia.

Que disparate, a apatia não é solução,
a obediência cega escraviza e a indiferença
o torna cúmplice!

Desespero!
O chicote, só chicoteia, nada permite.
As vozes, com medo, calam, morrem e o 
ódio segue intimidando.

Porque cargas d´águas os viventes aceitam 
que lhes calem a voz,
que lhes tolhem sonho? 

Os calados sempre foram reféns dos que
falam mas, ainda que vítimas, se não 
reagem são cúmplices dos que os calam.

Habacuc - Chuy, dezembro de 2016.

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Accomplices

The indifference to the neglect, the brutality of
force, the coldness of torture, flogging, denial,
the humiliation.

What nonsense—apathy is no solution,
blind obedience enslaves, and indifference
makes you an accomplice!

Despair!
The whip only lashes; it allows nothing.
The voices, afraid, fall silent, die, and 
hatred continues to intimidate.

Why on earth do the living accept 
that their voices be silenced,
that their dreams be stifled? 

The silent have always been hostages of those
who speak, but even as victims, if they do not 
react, they are accomplices of those who silence them.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Não me entendes




Se não ouves o meu grito,
então cochicho em teu ouvido.
Se, ainda assim, não me
entenderes então deixarei
tudo como está.

O Obeservador, Chuy, novembro de 2026.

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domingo, 13 de novembro de 2016

Quando eu morrer




Quando eu morrer, se eu morrer, que os 
abraços que vierem em minha despedida
estejam trajados de alegria.
Por favor não chorem, as lágrimas me 
entristecem, e quero estar feliz quando 
da minha partida.  

Quando eu atravessar a antessala, se 
possível, quero que orem uma oração,
que cantem uma linda canção.
Ainda que a emoção se faça presente,
peça-a que respeite o ambiente de
alegria, não induzindo os visitante 
às lágrima. 

Quando morto, navegarei os mares,
nadarei nos rios e, quiçá, caminharei os
belos parques. 
Morto, viverei a vida como não a vivi
em vida, sendo espírito gozarei do amor
que, não raro, me foi negado aqui. 

Em espírito voarei embrenhado ao vento,
subirei aos céus e confundir-me-ei com
as preces.
Morto serei pó, me confundirei com o 
orvalho que se deita com as flores na 
surdina das madrugadas e se levanta com
a chegada dos primeiros raios do sol.

Não quero ser enterrado quando do meu 
último suspiro!
Que os meus restos sejam solto ao ar 
para que repousem onde o vento o deitar. 
Sendo pó penetrarei nas entranhas da
terra e fertilize os jardins e ali serei,
outra vez, vida.

Quando do meu ultimo suspiro, não 
cubram o meu corpo com a terra, pois 
quero, no pós vida, ouvir o declamar dos 
meus poemas ao nascer do sol.
No pós vida quero continuar a admirar a 
lua em seu eterno valsar. 

Quero que a vida se despeça de mim com
singela oração e, se couber, cantando 
uma linda canção. 
Que o nosso último adeus seja um lindo 
sorriso, um alegre aperto de mão e tu me
aceitando em teu coração.

             O Mensageiro - Chuy, novembro de 2016

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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Eu não - Not me




Evasivas,
Timidez,
Indecisão.

Não,
Eu não.
A ilusão.

Calo,
Falo,
Estou mudo.

Esvaio-me,
Me dou,
Assim acontece.

Mal de paixão,
Dor de coração,
Ilusão.

O silêncio,
A madrugada,
A poesia, a brisa, a estrada.

Então!
Senão,
Intimida-me a intenção.

E o amor?
Terá o amor me deixado,
Ou nunca terei sido amado?

Não,
Eu não,
Ouço a razão.

O Mensageiro - Chuy, novembro de 2026.

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Not me

Evasive,
Shyness,
Indecision.

No,
Not me.
The illusion.

I shut up,
I speak,
I am mute.

I fade away,
I give myself,
That's how it happens.

Passion sickness,
Heartache,
Illusion.

Silence,
Dawn,
Poetry, the breeze, the road.

So!
Otherwise,
The intention intimidates me.

And love?
Has love left me,
Or have I never been loved?

No,
Not me,
I listen to reason.

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Certezas


Certezas!
As certezas são insanas, duvide delas
sempre!
Se pressionadas com veemência, as
certezas fraquejam. 

Não tenho certeza de nada!
Se me vês chorando, duvides da 
minha certeza de que sofro.
Cá entre nós, nem eu mesmo tenho 
certeza do meu sofrer.

A certeza acusa e, sua veemência,
assusta e cala.
Mas só cala os tolos, que não têm 
certeza de coisa alguma.
E, tolo não sou.

Normalmente evito abraçar-me à 
certeza, até porque, no âmago das 
discussões todas as falas se parecem 
com a certeza e só a certeza não
se manifesta.

A certeza de tudo envaidece, mas 
ganha a cor da arrogância.
Travestida de arrogância a certeza
gera incerteza, esvai-se.
Eita dúvida, a certeza fraqueja! 

Certezas!
Não me apoio na certeza pois, 
insana como é, ela vacila diante 
das incertezas e deixa o vivente na
dúvida. Melhor precaver!

O Observador - Chuy, outubro de 2016.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

As evidências - The evidence



Observando as evidências, os temores,
as angústias e as lágrimas,
deparei-me com uma única verdade; O
nascimento é o primeiro passo ao 
encontro da morte.

Dia após dia o corpo envelhece, a
dores ficam mais doloridas, o frio mais
frio, a tristeza mais triste, e a ansiedade
menos paciente.

Não temo as despedidas, tão certo
quanto à morte é o adeus.
O envelhecimento não espera, e as
certezas titubeiam quando 
confrontadas com as incertezas.

Arguindo com o tempo ganhei os meus
cabelos brancos.
Enrugado, esperando pelo amanhã 
dei-me conta de que um pouco de mim
morreu ontem e será  enterrado hoje.

A morte é a parteira da vida, é ela que
nos conforta quando vertemos anossas
primeira lágrima.
Chorada as primeiras lágrimas, é 
questão de tempo, todos morreremos.

Observando as evidencia da vida 
atentei que arguir com o tempo não é
inteligente. 
A evolução requer sacrifício e, sem
morte não existe vida eterna.

        Habacuc - Chuy, outubro de 2016.

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The evidence

By taking a look at the evidence, the
Fears, the anguish and the tears, 
I came across a single truth; 
Birth is the first step to the death.

Day after day the body ages, the
Pains get sorer, the cold colder,
The sadness saddest and the anxiety
Less patient.

I'm not afraid of the goodbyes, as 
Sure as the death is the goodbye.
Aging does not wait and the
Certainties falter when facing the
Uncertainties.

By arguing with the time I got
My grey hair.
Wrinkled, waiting for tomorrow,
I realized that a little of me died
Yesterday and it was buried 
Today.

Death is the midwife of life.
Yes!
It is death that takes us in its
Arms when we cry our first
Tears.
Now it's just a matter of time,
We all die.

By observing the evidence
I noted that arguing with the
Time is not smart. The
Evolution requires sacrifice
And, without death there is 
No eternal life.

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Manifestar - To express.

Transbordando medo, invento uma desculpa para justificar a minha culpa por não falar quando o mundo pede para eu me manifestar. Aterrorizado...