segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Bela flor - Beautiful flower!



Linda flor!
Flor, num descuido,
uma moça,
uma senhora,
Uma mulher.

Mulher,
rosas de beijos ardentes,
tulipas sorridentes,
perfume no ar.

Flor,
evento maior da estação,
paixão,
uma  linda canção.

Flor bela,
é ela esbanjando 
meiguice, caricie,
o amor está no ar.

Devanear, sorriso,
Desejos, vontades, gana de
se apaixonar,
se apaixonar por uma flor.
Um linda mulher!

Flor,
um abraço apaixonado
sobre a relva.
Um sorriso, uma canção
só para ela.

Flor bela,
Perfume da aurora,
brisa, ela e a brisa
fazendo tudo acontecer.


Flor da madrugada,
amantes, amadas, braços
e abraços e o ficar 
até o amanhecer.

Flor,
versos, desejos, encontros
consentidos e não
permitidos, amor, 
paixão.

O Observador - Chuy, agosto de 2015.

            #

Beautiful flower!

Flower, in a moment of carelessness,
a young girl,
a lady,
a woman.

Woman,
roses of ardent kisses,
smiling tulips,
perfume in the air.

Flower,
the greatest event of the season,
passion,
a beautiful song.

Beautiful flower,
she is overflowing with
sweetness, caresses,
love is in the air.

Daydreaming, a smile,
Desires, longings, the yearning to
fall in love,
fall in love with a flower.
A beautiful woman!

Flower,
a passionate embrace
on the grass.
A smile, a song
just for her.

Beautiful flower,
Perfume of dawn,
breeze, she and the breeze
making everything happen.

Flower of the early morning,
lovers, beloveds, arms
and embraces and staying
until dawn.

Flower,
verses, desires, encounters
consented and not
permitted, love,
passion.

           #

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A distância



Do que me falaria a distância senão de saudades?
Saudade de olhos que os meus olhos já não vêm mais,
saudade de sorrisos que outrora me fizeram sorrir,
saudade de braços que agora não me alcançam,
saudade dos afagos que, distantes, não me afagam.

Do que me falaria a distância senão de saudades?
Saudades do tempo e dos ventos,
saudades das chuvas,
saudades do teu perfume,
saudades, saudades.

Do que me falaria a distância senão de saudades?
Saudades do que vivi contigo,
saudades do que deixei de viver,
saudades dos devaneios que experimentei,
saudades, saudades.

Do que me falaria a distância senão de saudades?
Saudades dos amores que vivi,
saudades dos amores que perdi.
Saudades de quem me deixou,
saudade do tudo que deixei de viver.

Do que me falaria a distância senão de Saudades?
Saudade, saudade, saudades!
Vivências que se perdem no tempo viram saudades,
sentimentos se transformam em saudades e dói.
Dói, e me faz sentir saudades, saudades, saudades.

             O Mensageiro - Chuy, julho de 2016.

                       $

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Só assim




Calo!
Calo o silêncio,
calo o pranto,
calo a dor e
calo o desencanto.

Sorria.
Sorria das frustrações,
sorria dos dissabores,
sorria das dúvidas e
sorria do medo.

Não!
Não choro,
não pranteio,
não suplico,
não imploro.

Fico.
Fico com o que se sucedeu,
fico com o que não aconteceu.
Fico com o que não se deu,
Fico, fico sem sorrir.

Entendo.
Entendo o que foi,
entendo que não esqueci, mas
entendo que preciso esquecer,
entendo ser o que vivi.

Habacuque - Chuy, junho de 2015. 

           *

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Eu, vida - I, life.



Eu, vida! 
Meu corpo, só um corpo,
tudo que os olhos cegos não vêm.

Olhos cegos,
enxergam mas não vêm, iludem, 
enganam, olhos que só olham.

Meu corpo,
não sou apenas um corpo,
sou essência.

Corpo, ar, água, 
fogo, terra, razão,
sou luz.

Sou vida,
uma vida, o nascer e,
o renascer, a eternidade.

Eu, vida,
essência, verdade, luz,
espírito.

Meu corpo, eu, 
vida, luz, sol
que olhos cegos não vêm.

O Observador. - Chuy, julho de 2015.


                *


I, life.

I, life!
My body, just a body,
everything that blind eyes cannot see.

Blind eyes,
they see but do not see, they deceive,
they mislead, eyes that only look.

My body,
I am not just a body,
I am essence.

Body, air, water,
fire, earth, reason,
I am light.

I am life,
a life, birth and,
rebirth, eternity.

I, life,
essence, truth, light,
spirit.

My body, I,
life, light, sun
that blind eyes cannot see.

             *


sexta-feira, 26 de junho de 2015

O escuro veste a noite



O escuro veste a noite,
a cisma do silêncio,
as incertezas da espera, e
as dúvidas.

A solidão alimenta a
saudade, o frio do 
inverno, o abrir das 
portas, o ouvir os teus
passos.

O susto causa o arrepio,
desperta o medo, o 
disparar do coração, o
amargo da boca, e a 
palpitação.

A madrugada alimenta
saudade, mexe com as 
fantasias, desperta a
nostalgia, e me lembra
de ti. 

Os devaneios alimentam
a ilusão, induz às
perspectivas, a crença
de que podes acontecer 
em mim outra vez.

O escuro veste as noites, 
descasca as feridas, 
agasalha os abraços do
frio das despedidas, e do 
adeus. 

 Lido da Silva - Chuy, junho de 2015

              *

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sou eu



Sou eu!
Sou assim.
Sou os pensamentos confusos,
as idas e vindas,
as lágrimas.

Sou assim!
Sou os sorrisos abandonados,
as estações chuvosas,
sou o frio.

Assim!
Sou as histórias inacabadas,
sou o tempo sem nada,
sem razão de ser.

Eu sou!
Sou os abraços de despedida,
sou as lágrimas de adeus,
sou o vazio que fica.

Sou eu!
Sou eu!
Sou eu.

O Observador - Chuy, junho de 2015.

               &


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Todos tem razão



A batida na porta, o susto!
A  morte e a sorte de não ter que
viver a injustiça julgando inocentes 
enquanto a justiça, amedrontada,
se cala.

A dor! 
As lágrimas chorando os sorriso 
calados e o medo, travestido de 
obediência, 
obedecendo.

O susto!
A janela bate e o medo, 
desconfiado, vai ver o que é. 
Ufa, alívio!
É só o vento, com medo, querendo
entrar. 

O início foi confuso, mas passada a 
gritaria percebeu-se que, apesar de
ninguém dizer nada, todos sabiam  
da situação.  
Sábia, a sensatez evita opinar. 

Silêncio!
A injustiça vocifera mas, desta feita,
ainda que timidamente a justiça se
manifesta,  se fez ouvir. 
Ouça!

A injustiça argumenta e a justiça,
ainda que acanhada, a contesta.
Prevalece o entendimento de que 
ninguém sabe nada, mas que todos
tem razão.

  O Observador -  Chuy,  junho de 2015

                &


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Os "por que" - The “whys”



Os "por que" questionam,
dialogam, divergem,
discutem as respostas 
cabidas e as descabidas, 
perdem-se nos 
emaranhado dos "por que".

São só detalhes, estrada da 
imaginação, dúvidas, as 
vezes pesadelos e mais 
perguntas.

O que seria das respostas
evasivas, sem o "por que" 
a questiona-las?

Pouco importa os "por que"
se eles estiverem mudos.
Que as dúvidas se 
desesperem.

As dúvidas, se angustiadas,
angustiam, doem, ferem e
reclamam os "por que".

Angustiada, a angustia, 
ainda  que timidamente, se 
apoia nos "porque" para 
disfarçar a sua necessidade
de questionar, "por que"?

Que importa, as apreensões, 
o frio, tristezas e as 
frustrações causadas 
pelos "por quê".

O vazio da mudez pare 
as perguntas.
Os "por que" calam-se
e as dúvidas ocupam o
seu lagar.

Os "se não" zombam 
da embriagues dos 
"por que" e apontam:
- Farta é a mesa do 
silêncio.
 
Prudentes os "por que"
evitam as explicações
precipitadas dos "porque"
e, calado, espera pelo
que vem a acontecer.

O Observador - Chuy, maio de 2015

          %

The “whys”

The “whys” question,
dialogue, diverge,
discuss the answers
that are fitting and those that are unfitting,
get lost in the
tangle of “whys.”

It´s is just details, the road of
imagination, doubts,
sometimes nightmares and more
questions.

What would become the evasive answers
without the “why”
questioning them?

The “whys” matter little
if they are silent.
Let the doubts despair.

The doubts, if anguished,
distress, hurt, wound, and
demand the “whys.”

The anguished, anguish,
albeit timidly,
relies on the “whys” to
disguise its need
to question, “why?”

What does matter, the apprehensions,
the cold, the sadness, and
the frustrations caused
by the “whys.”

The emptiness of silence stops
the questions.
The “whys” fall silent,
and doubts occupy
it´s place.

The “whays” mock the 
intoxication of the
“whys” and point out:
- The table of silence is full.

Prudent, the “whys”
avoid the hasty explanations
of the “because”
and, silent, wait for
what will happen.

             %

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Ilusório - Illusory


Pelo arraigado da paixão, e não por
causa da violência dos impropérios
ditos nas desilusões,  me calo, me
faço mudo.

Sem me importar com o ridículo,
que zomba da minha suposta 
fraqueza, debelo o orgulho 
aceito ser para ti o que acreditas 
que sou.

Sei que para ti não passo de um
tolo, o máximo do idiotismo
Ignorando as evidências, 
parecendo insensível, permaneço
ao teu lado.

Fingindo acreditar no que sei 
nunca haver existido entre nós,
me fazendo crer ser um débil
não me vou de ti, e nem te deixo 
partir.

Me dou!
Não me cuido e descuido dos 
cuidados que me acodem.
Sem paciência trato as minhas 
dores com indiferença.  

Sem graça, me calo diante da tua 
afeição pelo desamor, e 
inconsequente, aceito ser para ti 
tão somente o que acreditas que 
sou.

Lido da Silva - Chuy, maio de 2015.

               *

Illusory

Because of deep-rooted passion, and not because of
the violence of the insults
spoken in disappointment,  I remain silent, I
make myself mute.

Without care about the ridicule,
which mocks of my supposed weakness,
I suppress my pride and 
accept to be for you what you believe 
me to be.

I know that to you I am nothing more than a
fool, the height of idiocy. 
Ignoring the evidence, 
appearing insensitive, I remain
by your side.

Pretending to believe in what I know 
never existed between us,
and making myself believe I am weak, 
I will not leave you, nor will I let you 
go.

I give myself!
I don't take care of myself and neglect the 
care that comes on my way.
Without patience, I treat my 
pain with indifference.  

Without grace, I remain silent in the face of
your affection for indifference, and 
inconsistently, I accept to be for you only 
what you believe 
I am.

                       *


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Gota a gota


Gota a gota
escorro pela vida até que a velhice, ávida 
por vidas, abrace meu corpo cansado e
o toma para si.
Gota a gota espero a hora de partir e,
quero partir sem me despedir.

Nada nesta vida parece fazer
sentido e me cansa observar o tempo
me consumir pouco a pouco sem me
dar opções.
Me observo sendo consumido dia após
dia sem ter a quem reclamar.

Vou do desespero à consternação, ouço 
cantigas e canções.
Apaixonado choro os amores vividos,  
pensando na angústia da hora do adeus. 
Ilusões e desilusões, gota a gota sou 
consumido.

Gota a gota,
escoo pelas fendas do que entendo
ser a vida.
O  meu lamento não para de lamentar
ainda que sabendo que o tempo não o 
está a escutar.

De lembranças e recordações vivo o
que acredito ser a vida.
Curto as dores e convivo com as 
feridas, se sinto frio me agasalho na 
saudade e nas lembranças do tempo 
que passou.

De gota em gota
me despeço do que creio ter sido me 
dado a viver.
A velhice chegou com o tempo, tempo
que me consome desde momento que 
me foi dado à luz, luz, que cansada, 
ameaça se apagar.  

     O Mensageiro, Chuy, abril de 2014
                         
                    #

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Descompasso - Descompasso


Não faz sentido,
estou perdido,
vivo escondido,
esquecido,
em descompasso.

Deixado ao tempo,
jogado no relento,
resto, sobejos,
beijos,
abraçado pela solidão.

O destempero,
meu desespero,
a doce amargura,
o afago da ternura,
a acides do não,
o sorriso do sim.

Aturdido esqueço,
me perco,
sei deste cálice,
passo,
não insista, 
estou em descompasso.

O Observador - Chuy, abril de 2015

       *

Descompasso

It makes no sense,
I am lost,
I live hidden,
forgotten,
out of step.

Left to time,
thrown out in the cold,
remnants, leftovers,
kisses,
embraced by loneliness.

The imbalance,
my despair,
the sweet bitterness,
the caress of tenderness,
the acidity of no,
the smile of yes.

Stunned, I forget,
I lose myself,
I know this chalice,
I pass,
don't insist,
I'm out of step.

            *


Manifestar - To express.

Transbordando medo, invento uma desculpa para justificar a minha culpa por não falar quando o mundo pede para eu me manifestar. Aterrorizado...