domingo, 18 de agosto de 2019

Me rejeitas - You reject me



Escuto os teus prantos no meio da madrugada
E, com o coração repleto de ternura, venho ao
Teu lado me sentar.
Te consolo, te conforto mas ainda assim me 
Rejeitas, não me percebes, não reconheces o
Amor que dedico a ti. 

Por que não chamas por mim?
Por que não visitas a minha casa, a nossa
Casa?
Sinto a angústia do teu espírito, sinto o 
Desespero de tua alma e a carência de amor
Do teu coração, mas insistes em não me 
Chamar. 
Insistes em não conversar comigo e sofres
Caminhando sozinho.

Ouço os teus soluços no meio da madrugada,
Venho te confortar, mas não me percebes.
Não percebes o amor que tenho por ti e,
Angustiado, assisto o teu desespero sem 
Nada poder fazer por ti.
Nunca me reconheceste como teu pai e
Sempre rejeitaste o amor que te oferto.

                               Habacuc, abril de 2017.

                                   *
You reject me

I hear your cries in the middle of the night
And with a heart filled with tenderness,
I come to stand by your side.
I console you, I comfort you but you still
Reject me, you don't understand me,
You don't recognize the love that
I dedicate to you.

Why don't you call me when you are in
Need?
Why don't you visit my house, our home?
I feel the anguish of your spirit, I feel the
Despair of your soul and the lack of love
From your heart, but you insist on not
To call me.
You insist on not talking to me and in your
Suffer you walk alone.

I hear your sobs in the middle of the night
And then I come to comfort you, but you
Don't understand me.
You don't understand the love that I saved
For you and, anguished, I watch your
Despair without be able to help you.
You never recognized me as your father
And you always rejected the love that
I offer you.

                            *

sábado, 17 de agosto de 2019

As tuas preces





As tuas preces se perdem no vazio que existe  entre
O teu coração e eu. 
O vazio que existe entre nós agiganta-se quando 
Logo após tuas preces não reconheces o teu irmão,
Quando finges de surdo diante dos lamentos dos 
Menos afortunados.

As tuas preces ferem os meus ouvidos porque não
Oras com sinceridade, e quando conjugas os verbos
O faz sempre na primeira pessoa do singular. 
As tuas orações começam sempre no “eu” , 
Permanecem no “eu” e terminam no
- “para mim” - .
Não suporto ouvir as tuas orações e, por mais que 
Eu queira, me é difícil conceder-te o meu perdão.

As tuas orações angustiam o meu coração, elas são
Torturas, algo terrível de ouvir. 
Não sei por que gritas tanto quando oras, por 
Ventura pensas que eu não seria capaz de ouvir-te se
Orasses em tom moderado?
É triste ver-te adentrando em minha casa com o
Coração repleto de ambições e desejos diferentes 
Do que tenho para te oferecer.

          Habacuc - Castries, agosto de 2019.
                       
                  *

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

A paixão - The passion


Dado as súplicas da paixão
O desamor cala, nega, deixa pra lá.
A decepção só morde, não assopra,
É o afago na pele de quem se quer enganar.

Dos amores não correspondidos,
O desalento perverso, sádico, cuida.
Falemos das feridas do desengano que chora;
Chora coração!
O engano é de matar.

As coisas do coração são coisas sérias,
Qualquer brincadeira fere, machuca.
No trato com o amor, o deslize é adultério.

Considerando os devaneios da paixão, 
Não se bate à porta de um coração onde não deseja
De fato morar!
Nada é tão triste quanto às lágrimas da desilusão.

   O Mensageiro - Castries(Sta. Lucia), agosto de 2019.
  
                         @

The passion

Given the pleas of the passion
The unlove is silent, denied, let it go.
Disappointment only bites, it doesn't blow,
It's the caress on the skin of those who want to be deceived.

From the unrequited love,
Perverse, sadistic discouragement takes care.
Let's talk about the wounds of crying disillusionment;
Cry heart!
Deception is a killer.

The things of the heart are serious things,
Any joke hurts.
Dealing with love, a single slip is adultery.

Considering the daydreams of the passion, 
Don't knock at the door of a heart if you don't want
to live in!
Nothing is as sad as the tears of the disappointment

                       @


Morte - Death





Que tu morte, em tua discrição, quando chegado o meu tempo não
Me tome em teus braços com violência, não me pregues sermões.
Que tu sejas breve na cerimonia da minha partida para evitar os
Lamentos, e que a minha despedida se resuma em umas poucas 
Orações.

Que tu morte, me poupe dos sofrimentos que anunciam o teu 
Aproximar, que sejas amiga, que aprendas a me ter por amigo antes
De me buscar.
Como o tempo de todos chegam, o meu também haverá de chegar
Não me furto à realidade da vida, não me importo em te esperar.

Morte!
Te guardo como a extensão da vida que me foi dado a viver.
Obediente te vivo, experimentarei o teu abraço, os teus afagos, e
Serei  o que me deres a ser, já me imagino luz, já me aceito como 
Outro ser.

Morte! 
Que a minha hora seja aquela apontada pelo Criador!
Não é bom costume a precipitação, tampouco o atraso, então que
Sejas pontual quando da minha hora, pois os prantos me 
Entristecem, alem do que odeio as despedidas.

                   Habacuc - Castries, agosto de 2019

                                @

Death

May you death, at your discretion, when my time has come don't
Take me violently, don't preach to me.
Death, may you be brief at my ceremony´s departure to avoid the
Lamentations, and may my farewell be summed up in a few
Prayers.

May you death spare me the sufferings of your approach, may you
Be a friend of mine; you had better learn to love me before comes
To catch me up.
Death, as everyone's time arrives, mine time certainly will also 
Comes, so I do not deny the reality of life, I do not mind to wait 
For you.

Death!
I understanding you as an extension of my life, I want to live you.
So, obedient I will live you; I will experience your embrace and
Your caresses, I will be what you want me to be, I already 
Imagine myself as light, I already see myself as another being.

Death, may my time be the one appointed by the creator!
It is not a good habit to be hasty or to be late, its better be 
Punctual at the time of my leave, because I don't like tears and 
I hate the soffering. 

                                             @

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

O sono dos culpados - The sleep of the guilty



Durmo o sono dos culpados, omito, 
Me calo quando deveria  protestar.
As orações não me ouvem,  não 
Me respondem, não se apiedam do
Meu lamentar.

Que os pesadelos me façam gritar,
Que me acordem aos solavancos.  
O que importa!
Faz-se necessário eu  contestar, 
Mas não contesto.
O castigo vem a galope, é só
Esperar.

Quando o silêncio contesta, as 
Noites se alongam.
Ruminar pecados não conforta, 
Então penso em orar.
Omissão, omissão, omissão!
Chega de tanto calar.

Durmo o sono dos culpados, 
Omito, sufoco o protestar.
Calo.
Calo mas contesto.
Contesto os argumentos que 
Tentam me amordaçar.

              Habacuc, agosto de 2019

                 @

The sleep of the guilty

I sleep the sleep of the guilty, I omit,
I shut up when I should protest.
Prayers don't hear me, do not
Answer me, It has no pity of my 
Regret.

May the nightmares make me 
Scream, may they wake me up 
With bumps.
I don´t care!
It is necessary to me to contest, but
I don't object.
Punishment comes at a gallop, it's
Just a matter of time.

When the silence contests, the
Nights lengthen.
Ruminating sins does not comfort,
So I think about to pray.
Omission, omission, omission!
Enough of being silent.

I sleep the sleep of the guilty,
I omit, I suffocate the protest.
I keep myself quiet.
I'm silent but I contest.
I contest the arguments that is
Trying to gag me.

                 @

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Como beijo de mãe



  
Em forma de chuva derramo o meu amor sobre ti,
Te envolvo com tudo que a bondade é, e te abraço
Com carinho, com doçura te beijo.
Desejando te ver feliz, estimulo a natureza a cantar
Para ti, e ela canta. A natureza canta canções
Sublimes, canções que expressam o âmago do amor
que sinto por ti.

Te amo muito além do que é dado alguém amar.
Sonho poder te dar muito mais amor, mas não
Me permites. A tua desobediência obstrui o
Fluxo do nosso relacionamento e alimenta a
Recusa que tens em me aceitar, em  crer em mim.
Que lástima! Como gostaria de ficar mais contigo,
De estar em tua companhia mas me refutas,
Ignoras o meu carinho, o meu amor.

Em forma de luz te entrego o afago do meu olhar,
Calor que não queima, mas que te agasalha das
Agruras da vida, que te acaricia como o suave beijo
De mãe. Não importa o que faço! Me recusas.
Recusas a me ver, não aceitas o meu amor e assim,
Amargurado assisto o teu sofrimento sem que eu
Possa tomar comigo a tua dor.

                                 *



quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Pecador - Sinner





Quem vos autorizou a dividir a minha casa?
Quando foi que vos autorizei a dispersar as
Minhas ovelhas? Sou Deus único, com uma só
Igreja, eu sou a Igreja. As vossas orações soam aos
Meus ouvidos como ofensas, blasfêmias e os
Vossos pedidos que nunca chegam a mim, se são
Atendidos, saiba que não sou eu que os atendo.

Quando que em sonhos ou em visão vos solicitei
Que criassem novas congregações, novas Igrejas?
Quando foi que vos autorizei que falassem
Em meu nome? E tu pecador que, com tua
Abstinência de fé e imensa gana por poder e
Vantagens materiais, separa a minha família e
Desgoverna o meu rebanho, nunca entrarás em
Meu reino.

O que vos leva a crerem que aceito ou aceitarei as
Vossas congregações? Porque pensam que me
Farei presente em vossas casas, ou que ouvirei as
Vossas  orações? E tu pecador, não oras para mim e
Nem oras por teus irmãos, pensas somente no
Dinheiro que enche as tuas mãos.
                                                           
  Extraído do livro – A VOZ DO AMOR -  POEMAS   

                     *

Sinner


Who authorized you to break a parts my house?
When did I authorize you to disperse my sheep?
I am the only God with one Church, I am the
Church. Your prayers to my ears sound like an
Insults, as blasphemies and your requests that
Never get in my home, if it is answered, it is not
Replied by me.

When in vision or in dream I have asked you to
establish new congregations, a new Church?
When did I authorize you to speak in my name?
You, sinner! That with your abstinence of love
And plenty of desire of power and materials
Advantage separated my family and misrule my
Flock, you will never get to enter in my kingdom.

What leads you to believe that I agree or accept
Yours congregations? What leads you to think
That I will be present in your home or that I will?
Hear yours prayersYou sinner, that never say
pray for me, neither for your brothers, you
Think only about to make money, only about
The money that fills your hands.
                                                        
                         @

                       


domingo, 21 de julho de 2019

Loucos





Que sorte a sorte dos loucos que ouvem
E vêm as insanidades que a sanidade
Esconde dos sano.  
Que sorte, a sorte dos loucos que não 
Choram rusgas!

O barulho bate à porta, aguça a surdes,
Esta se guarda muda, não responde.
A lucidez lhe enche de medo, 
Apavorada a surdez não ouve.
Não atende à porta.

O louco em sua felicidade "irreal" ri.
Ele ri, zomba da situação.
É só o barulho batendo à porta e a lucidez,
Louca, não permite que a abram.

Que sorte a sorte do louco que não se
Importa com o fustigar do frio em sua
Pele nua.
Insano, ele anda nu, mas só o sano o 
Incomodado em sua nudez.
O sano o olha.

Que sorte a sorte dos loucos que não
Choram o ontem que não viveram.
Não importa!
O louco é louco e o sano, em sua loucura,
Nunca o entenderá.

                                        Lido da Silva


                      @

sábado, 13 de julho de 2019

Essência




De repente, não mais que de repente,
O ontem se fez hoje e tudo o que era
Saudade em mim se transformara
Em felicidade e te vivi, te vivi .

De repente, não mais que de repente,
A tristeza que me vestia desvaneceu-se,
O sol brilhou no que é a minha essência
E o meu eu voltou a sorrir, e sorriu.

De repente, não mais que de repente,
A minha incompreensão compreendeu
Os mistérios da existência, entendi então
Que ainda podia te viver, e te vivi.

De repente, não mais que de repente,
Eu estava em teus braços, sob os cuidados
Do teu afeto, vivendo o frescor do teu
Amor, e de repente uma vez mais te senti.

Não mais que de repente,
Depois de viver a equivocada ilusão
De te haver perdido, te descobri vivendo
Comigo, me permitindo te viver.

                       @

domingo, 7 de julho de 2019

Sorte - Suerte




Não maldigo a sorte,
quando a sorte sem sorte chega para mim.
Tomo um gole ou faço uma oração, não importa
a fé não abandona o meu coração.

Há muitos que não creem, nem pensam em devoção,
há outros tantos que não acreditam, mas não
abrem mão de suas orações.
Não importa é fé.

Não reclamo do que não ganho,
até porque, se não ganhei é porque não era meu.
O que me foi dado a ter tenho e,
o que a mim estiver designado terei.

Sorte a sua, gente sem fé! 
Mesmo sem crer, recebe o seu quinhão.
E vocês ateus de ocasião!
Sei que em seus infortúnios desmancham-se em
orações.

Não maldigo do tempo!
Não reclamo da sorte e nem repreendo os 
tombos com palavrões.
São os meus tombos, a minha sorte, meu 
desígnio, não abro mão.

A minha fé é viva, eu vivo.
As lágrimas, quando em oposição ao sorriso, são
provas, provações.
Aceito-as, elas enobrecem o meu espírito, que 
sorte!
Não vivo aflito.

                 Lido da Silva - Castries, julho de 2019.

                                   @

Suerte


No maldigo mi suerte,
cuando la mala suerte me viene.
Tomo un sorbo o digo una oración, no importa
la fe no abandona mi corazón.

Hay muchos que no creen, ni piensan en la devoción,
hay muncho otros que no creen, pero no 
renuncian a sus oraciones.
No importa, es fe.

No me quejo de lo que no gano,
Porque si no gané es porque no era mío.
Lo que me he asignado tener lo tengo y, lo que me 
no sea asignado lo tendré.

¡Qué suerte tenéis, gente sin fe!
Incluso sin creer, recibe su porción.
¡Y ustedes, ateos ocasionales!
Sé que en sus desgracias se funden en 
oraciones.

¡No maldigas el tiempo!
No me quejo de la suerte y no reprendo a
mi infortunio con malas palabras.
Estas son mis caídas, mi suerte, mi diseño,
no me rendiré.

Mi fe está viva, vivo.
Las lágrimas, se in oposición a la sonrisa,
Son pruebas, ensayos.
Los acepto, ella ennoblece mi espíritu, que 
¡suerte!
No vivo angustiado.

                      &

domingo, 19 de maio de 2019

O vociferar



Ouço ruídos nas ruas,
Os questionamentos são tantos
Que o vociferar esqueceu a cautela e,
Vocifera, vocifera sem parar.

As insatisfações espreitam,
O medo já não assustam as vozes,
Quando as vozes perdem o medo,
O medo não consegue perdurar.

As ruas estão inquietas,
O vai e vem não para, os múrmuros saem a noite.
Os outorgantes exigem serem informados,
Querem saber o que tem sido feito com o 
Que outorgaram.

Os ouvidos moucos, certamente, serão 
Atropelados, até porque o vociferar não vocifera 
De uma garganta só.
Se os outorgantes não estão satisfeitos com os
Outorgados mudanças virão.  

É sábio ouvir o vociferar das ruas,
Até porque as ruas sabem o que querem e, no 
Momento parece exigirem serem ouvidas,
Ouvidos, ouçam às ruas!

Os outorgantes estão indignados com os
Otorgados, o pudor há muito se escondeu de 
Vergonha, a vergonha, rubra de vergonha, não se
mostra.
A ponderação está de prontidão.


        O Observador - Castries, maio de 2019.


                  @


Manifestar - To express.

Transbordando medo, invento uma desculpa para justificar a minha culpa por não falar quando o mundo pede para eu me manifestar. Aterrorizado...