sábado, 25 de maio de 2024

Minhas filhas

 


Tenho duas filhas, uma se chama

Ausência, e a outra, se chama

Saudade.


Um dia, emparedado pelas 

incertezas, perguntei ao meu 

destino:


Para onde terá o senhor levado

as minhas filhas, que nunca

mais as vi?


Cínico, o destino me respondeu: 

“A tua filha Ausência reside na 

sua ausência, e a Saudade vive 

em tua saudade".


Angustiado, perguntei ao

destino quando ele haveria de

trazer as minha filhas de voltar.


Com o seu sorriso sinistro, ele

me respondeu: "Não sou do

tipo que devolve o que toma".


     O mensageiro - Chuy, maio de 2024.


                   @ 


Pague para ver

                                                Photo:S. Trindade


Não duvide das minhas dúvidas, na

dúvida, cale-te e, se quiseres,

pague para ver.


O céu se fez escuro, não com o 

objetivo de te convencer, mas para

mostrar a verdade que te recusas a

ver.


Não torço pelo colapso, mas ele

está a acontecer. Esta é a minha 

verdade, sem querer te convencer.


O céu chora ao prantos, mas os

viventes se recusam a ver, então

me guardo mudo, não serei eu a 

querer te convencer. 


Não duvides das minhas dúvidas,

na dúvida, cala-te e, se quiseres,

pague para ver. 


              O Mensageiro, Chuy, maio de 2024


                               @


sábado, 18 de maio de 2024

As minhas dores - My pains


Se as minhas dores fossem as tuas
dores, certamente demonstrarias,
por elas, alguma compaixão.

Ignoras as minhas dores como se
não soubesses das agonias que 
afligem o meu coração.

Se as minha dores fossem as tuas
dores, certamente, as tomaria em
teus braços e as confortaria.

As minhas dores, são só, as 
minhas dores, eu sei, elas não 
afligem o teu coração.

Os amores, como tudo nesta vida,
se destratados, morrem. 
Não tarda estarmos velando o 
nosso amor.

    O mensageiro, Chuy, maio de 2024.


                    #


My pains


If my pains were yours pains,
you would surely show
some compassion for them.

You ignore my pains as if
you were unaware of the agonies
that afflict my heart.

If my pains were yours pains,
you would certanly take them in
your arms and comfort them.

My pains are only my
pains, I know it, they do not
afflict your heart.

The loves, like everything else 
in this life, dies if neglected. 
It won't be long for us be 
mourning our love.

               #


domingo, 31 de março de 2024

O meu fardo - My burden

 


Envelheci.

O que me foi dado a viver, vivi. 

Os meus olhos, agora cansados, vêm,

ainda que sem muita nitidez, a hora

da minha despedida.

Vou partir!


Quero  partir desta vida sem fardo algum.

Tudo que fiz, tudo que ganhei e tudo

que vivi deixo aqui.

A única coisa que pretendo levar comigo

quando da minha despedida é o teu 

perdão.


O teu perdão. 

O perdão que te peço aqui, agora.

Me perdoe! 

Permita-me despojar-me deste fardo,

este peso que não trouxe comigo

quando nasci.


Envelheci! 

Envelheci e, não tarda, terá chegado a 

hora da minha despedida.

Parto e não levarei, senão, a saudade

dos entes queridos que deixo aqui.

Envelheci.


              Habacuc - Chuy, março de 2024



                        #


My burden


I've grown old. 
What I was given me to live, I lived. 
My eyes, now tired, see, even if not very 
clearly, the hour of my farewell. 
I'm leaving! 

I want to leave this life without any burden. 
Everything I've done, everything that  
I've earned, and everything that I've 
lived in this life I'll leave here. 
The only thing that I want to take with 
me is you forgiveness. 

Your forgiveness. 
The forgiveness that I'm asking you here, 
now. 
Please, forgive me! 
Allow me to shed this burden, this weight 
that I didn't bring with me when I was 
born.
 
I have grown old! 
I've grown old and soon it will be the time 
to me to say goodbye to this life. 
I'm leaving and I don´t want to take 
nothing with me if not the nostalgia of the 
ones that I loved. 
I've grown old.

                    #



sábado, 2 de março de 2024

O “daqui a pouco”. - The "in alittle while".


Não sou tolo para acreditar
no que o “daqui um pouco” 
promete entregar, 
promessas costumam falhar.

A farsa disfarça e 
esconde
as verdades sobre as quais
ela não gosta de falar.
Uma situação a considerar.

Oremos! 
Oremos pelos que não 
sabem orar.
Olhemos!
Olhemos pelos que não
conseguem enxergar.

Não chorem!
Nestes casos não cabe, 
chorar não!
Vai passar! 

O “daqui a pouco” esta
dançando, e tem um monte
de estúpidos batendo 
palmas para ele dançar.

Habacuc - Chuy, março de 2024

            @ 

The "in alittle while".

I'm not foolish enough to
believe in what the
"in a little while" promises 
to give; 
promises often fail.

The farce disguises and 
hides the truths it doesn't 
like to talk about.
A situation to consider.

Let's pray!
Let's pray for those who 
don't know how to pray.
Let's look!
Let's look at those who 
can't see.

Don't cry! 
In these cases, crying is not
appropriate! 
It will pass!

The "in a little while" is 
dancing, and there are a lot 
of fools clapping for him 
to dance.

              @


domingo, 28 de janeiro de 2024

Vou voltar para o Gama

 


Vou voltar ao Gaminha para me reencontrar

vivendo a minha infância, onde eu corria

descalço sobre os cascalhos, os 

pedregulhos e a terra vermelha que 

dominava o cenário daquela época. 

Quero voltar à cidade do Gama!

 

Quero voltar ao Gaminha e lá reviver toda

a minha infância.

Quero visitar as cercania do, então hospital

velho, aquele hospital construído com

madeira.

Eu vou voltar ao Gama.


Vou voltar ao Gaminha e reviver a minha 

adolescência.

Quero andar nas ruas onde no passado

caminhei, reencontrar as coisa que há 

muito lá deixei e, quem sabe, rever as

amizades deixadas perdidas no tempo. 

 

Eu vou voltar à quadra 2 Norte, a SHIS

Norte,  onde vivi a minha primeira paixão e

onde experimentei a minha primeira 

desilusão.

Quero voltar à rua onde eu namorava à lua

acreditando ser ela só minha, tão minha.  

 

Eu quero voltar ao Gama, cidade onde 

cheguei, ainda no início da década de 

sessenta e fui adotado por ela como filho

e a adotei por mãe.

Eu quero voltar para o Gama, cidade a

qual, verdadeiramente, nunca deixei.


                          Mauro Lucio - Chuy, janeiro de 2024.


                          @ 


O vento sopra - The wind is blow.



Nunca soube porque o vento sopra,
mas sempre desconfiei que quando
ele sopra ele me traz a idade, e que
quando ele vai, ele leva consigo a
minha juventude.
E já levou quase tudo.

Sempre gostei de assistir o 
bailar das chuvas, mas nunca as 
tirei para dançar.
Tenho medo dos relâmpagos e não
gosto dos trovões, eles me soam
como sermões.

Envelheci ouvindo o cantar dos
ventos mas, ainda hoje, ele me
assusta quando canta no meio das
madrugadas escuras.
Gosto do vento, mas não gosto do
seu lamentar

Quando chove no meio da noite,
me ponho a cismar.
As chuvas tardias são como as
paixões não correspondidas, do
nada se fazem violentas e, as 
vezes, chegam a matar.

Ainda hoje não entendo bem o
porque de o vento soprar.
Já estou velho, o vento levou
consigo a minha juventude e
deixou comigo apenas um corpo
fraco,  envelhecido.

Habacuc – Chuy, janeiro de 2024.

            @


The wind is blow.

I never knew why the wind blows,
but I’ve always suspected that when
it blows, it brings me age, and that
when it goes, it takes with it
my youth.
And it has already taken almost everything.

I’ve always enjoyed watching the
rain dance, but I’ve never
invited it to dance.
I’m afraid of lightning and don’t
like thunder; to me, they sound
like sermons.

I’ve grown old listening to the song of the
winds, but even today, it still
frightens me when it sings in the middle of
dark, early mornings.
I like the wind, but I don’t like
its lament.

When it rains in the middle of the night,
I start to brood.
Late rains are like
unrequited passions—out of
nowhere they become violent, and
sometimes they even kill.

Even today, I still don’t quite understand
why the wind blows.
I’m old now; the wind carried
my youth away with it and
left me with nothing but a
weak, aged body.

               @


quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

O empurrão

 

                                                            Photo: By Gavis


O empurrão, o tropeço, o chão.

Caio e me machuco mas não

digo palavrão.

Nunca satisfaço a vontade da

agressão. 


Dos meu lábios, cortados,

brota um sorriso sem graça.

Passa nada!

Esqueço a ferida e oferto o 

meu  perdão.


A lâmina que corta as ervas 

nunca foi amaldiçoada por 

estas.

Porque haveria eu de te 

amaldiçoaria?


Por isso caio e, ali mesmo no

chão, enxugo as minhas 

lágrimas e faço uma oração.

Oro pelos que, assim como eu,

foram empurrados.


Aproveitei e orei, também, 

pelos que caíram e se 

levantaram proferindo 

maldições.

Lhes disse: façam mais isso

não! 


   Habacuc - Chuy, janeiro de 2024.


               @ 


domingo, 21 de janeiro de 2024

Duvidar - A dudar

 


Não ouso duvidar das coisas sobre

as quais a dúvida tem dúvidas.

Outro dia, diante de uma dúvida, 

em pânico, estanquei.

 

Estanquei e, cheio de dúvidas,

atordoado, olhei para um lado, 

olhei para outro, e me deparei com

a dúvida zombando das minhas 

dúvidas.

 

Perdido entre o sim e o não, com

as dúvidas transtornando o meu 

coração, tomei a decisão de não 

duvidar das coisas sobre as quais

a dúvida tem dúvidas.

 

Não duvidar das coisas sobre as 

quais a dúvida tem dúvidas pode 

até não ser a melhor decisão, 

mas evita outras tantas 

complicações.

 

Lido da Silva – Chuy, janeiro de 2024.

 

              @


A dudar



No me atrevo a dudar de las cosas 
sobre
las cuales la duda tiene dudas.
Otro día, ante una duda, 
presa del pánico, me detuve.

Me detuve y, lleno de dudas,
aturdido, miré hacia un lado,
miré a otro y encontre la
duda burlándose de la mía
dudas.

Perdido entre el sí y el no, con las dudas
perturbando mi 
corazón, tomé la decisión de no dudar 
de las cosas sobre las cuales
la duda tiene dudas.

No dudar de las cosas sobre las cuales
la dudas tiene dudas puede ser que
no sea la mejor decisión, pero, seguro,
que evita muchas otras complicaciones.

                            @



domingo, 14 de janeiro de 2024

Que susto!

 

                                                             Photo by Gavis

De repente me deparo com a 

verdade completamente

despida diante dos meus olhos

me mostrando como realmente

sou.

Que susto!


Ela estava ali diante de mim

me mostrando tal como sou,

um ser igual aos outros, um

pecador.


Com a verdade me apontando,

me descobri sendo uma 

pessoa muito diferente daquela

que eu me imaginava ser. 


Aos olhos da verdade sou uma

criatura comum, com os

mesmos defeitos que tanto

critico nos viventes.  


Diante da verdade, me percebo

um ser menos especial do que

sempre acreditei ser.

Me descubro um ser comum. 


Sem preâmbulo me descubro

um simples mortal com todos

os pecados dos mortais.

Viva a verdade!


Fui despertado pela verdade e

me descobrindo sendo um ser

com os mesmos pecados

daqueles que sempre condenei.


    Habacuc - Chuy, janeiro de 2024.


                  @ 


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Distorções - Distortions

 



Não gosto da arrogância da

sinceridade.

A preguiça da dúvida me

incomoda.

Desprezo a covardia da 

indecisão.


Aqui e ali a certeza tropeça

em sua arrogância.

A dúvida, em sua inércia

eterna, não desce do muro

e, a indecisão me causa 

muitas aflições.


Não critico a sinceridade só

por criticar.

Quanto a dúvida, sei lá!

Melhor não confiar.

A indecisão, sempre me 

deixa na mão.


Outro dia a sinceridade me 

questionou sobre as minhas

dúvidas e, então lhe 

questionei, quais dúvidas?

Confusa ela gaguejou, sem

mais conversa me afastei.


Dispenso a arrogância da

sinceridade.

Fujo das meias verdades 

da dúvida e guardo 

distância da indecisão.


 Lido da Silva - Chuy, janeiro de 2024


          &


Distortions

I don’t like the arrogance of
the sincerity.
The laziness of the doubt
bothers me.
I despise the cowardice of 
the indecision.

Here and there, the certainty stumbles
over its own arrogance.
Doubt, in its eternal
inertia, won’t come off the fence,
and indecision causes me 
much distress.

I don’t criticize sincerity just
for the sake of criticizing.
As for doubt, I don’t know!
Better not to trust it.
Indecision always 
lets me down.

Other day, the sincerity 
questioned me about my
doubts, and so I 
asked her, “What doubts?”
Confused, she stammered, and without
further conversation, I walked away.

I do without the arrogance of
sincerity.
I flee from the half-truths 
of doubt and keep 
my distance from indecision.

            &

As minhas loucuras. - My crazy moments.

Não vivo as minhas loucuras como um louco. Se me desse tomar as minhas loucuras por guia, sorriria quando tomasse a minha vida por vadia. As...