domingo, 28 de janeiro de 2024

Vou voltar para o Gama

 


Vou voltar ao Gaminha para me reencontrar

vivendo a minha infância, onde eu corria

descalço sobre os cascalhos, os 

pedregulhos e a terra vermelha que 

dominava o cenário daquela época. 

Quero voltar à cidade do Gama!

 

Quero voltar ao Gaminha e lá reviver toda

a minha infância.

Quero visitar as cercania do, então hospital

velho, aquele hospital construído com

madeira.

Eu vou voltar ao Gama.


Vou voltar ao Gaminha e reviver a minha 

adolescência.

Quero andar nas ruas onde no passado

caminhei, reencontrar as coisa que há 

muito lá deixei e, quem sabe, rever as

amizades deixadas perdidas no tempo. 

 

Eu vou voltar à quadra 2 Norte, a SHIS

Norte,  onde vivi a minha primeira paixão e

onde experimentei a minha primeira 

desilusão.

Quero voltar à rua onde eu namorava à lua

acreditando ser ela só minha, tão minha.  

 

Eu quero voltar ao Gama, cidade onde 

cheguei, ainda no início da década de 

sessenta e fui adotado por ela como filho

e a adotei por mãe.

Eu quero voltar para o Gama, cidade a

qual, verdadeiramente, nunca deixei.


                          Mauro Lucio - Chuy, janeiro de 2024.


                          @ 


O vento sopra - The wind is blow.



Nunca soube porque o vento sopra,
mas sempre desconfiei que quando
ele sopra ele me traz a idade, e que
quando ele vai, ele leva consigo a
minha juventude.
E já levou quase tudo.

Sempre gostei de assistir o 
bailar das chuvas, mas nunca as 
tirei para dançar.
Tenho medo dos relâmpagos e não
gosto dos trovões, eles me soam
como sermões.

Envelheci ouvindo o cantar dos
ventos mas, ainda hoje, ele me
assusta quando canta no meio das
madrugadas escuras.
Gosto do vento, mas não gosto do
seu lamentar

Quando chove no meio da noite,
me ponho a cismar.
As chuvas tardias são como as
paixões não correspondidas, do
nada se fazem violentas e, as 
vezes, chegam a matar.

Ainda hoje não entendo bem o
porque de o vento soprar.
Já estou velho, o vento levou
consigo a minha juventude e
deixou comigo apenas um corpo
fraco,  envelhecido.

Habacuc – Chuy, janeiro de 2024.

            @


The wind is blow.

I never knew why the wind blows,
but I’ve always suspected that when
it blows, it brings me age, and that
when it goes, it takes with it
my youth.
And it has already taken almost everything.

I’ve always enjoyed watching the
rain dance, but I’ve never
invited it to dance.
I’m afraid of lightning and don’t
like thunder; to me, they sound
like sermons.

I’ve grown old listening to the song of the
winds, but even today, it still
frightens me when it sings in the middle of
dark, early mornings.
I like the wind, but I don’t like
its lament.

When it rains in the middle of the night,
I start to brood.
Late rains are like
unrequited passions—out of
nowhere they become violent, and
sometimes they even kill.

Even today, I still don’t quite understand
why the wind blows.
I’m old now; the wind carried
my youth away with it and
left me with nothing but a
weak, aged body.

               @


quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

O empurrão

 

                                                            Photo: By Gavis


O empurrão, o tropeço, o chão.

Caio e me machuco mas não

digo palavrão.

Nunca satisfaço a vontade da

agressão. 


Dos meu lábios, cortados,

brota um sorriso sem graça.

Passa nada!

Esqueço a ferida e oferto o 

meu  perdão.


A lâmina que corta as ervas 

nunca foi amaldiçoada por 

estas.

Porque haveria eu de te 

amaldiçoaria?


Por isso caio e, ali mesmo no

chão, enxugo as minhas 

lágrimas e faço uma oração.

Oro pelos que, assim como eu,

foram empurrados.


Aproveitei e orei, também, 

pelos que caíram e se 

levantaram proferindo 

maldições.

Lhes disse: façam mais isso

não! 


   Habacuc - Chuy, janeiro de 2024.


               @ 


domingo, 21 de janeiro de 2024

Duvidar - A dudar

 


Não ouso duvidar das coisas sobre

as quais a dúvida tem dúvidas.

Outro dia, diante de uma dúvida, 

em pânico, estanquei.

 

Estanquei e, cheio de dúvidas,

atordoado, olhei para um lado, 

olhei para outro, e me deparei com

a dúvida zombando das minhas 

dúvidas.

 

Perdido entre o sim e o não, com

as dúvidas transtornando o meu 

coração, tomei a decisão de não 

duvidar das coisas sobre as quais

a dúvida tem dúvidas.

 

Não duvidar das coisas sobre as 

quais a dúvida tem dúvidas pode 

até não ser a melhor decisão, 

mas evita outras tantas 

complicações.

 

Lido da Silva – Chuy, janeiro de 2024.

 

              @


A dudar



No me atrevo a dudar de las cosas 
sobre
las cuales la duda tiene dudas.
Otro día, ante una duda, 
presa del pánico, me detuve.

Me detuve y, lleno de dudas,
aturdido, miré hacia un lado,
miré a otro y encontre la
duda burlándose de la mía
dudas.

Perdido entre el sí y el no, con las dudas
perturbando mi 
corazón, tomé la decisión de no dudar 
de las cosas sobre las cuales
la duda tiene dudas.

No dudar de las cosas sobre las cuales
la dudas tiene dudas puede ser que
no sea la mejor decisión, pero, seguro,
que evita muchas otras complicaciones.

                            @



domingo, 14 de janeiro de 2024

Que susto!

 

                                                             Photo by Gavis

De repente me deparo com a 

verdade completamente

despida diante dos meus olhos

me mostrando como realmente

sou.

Que susto!


Ela estava ali diante de mim

me mostrando tal como sou,

um ser igual aos outros, um

pecador.


Com a verdade me apontando,

me descobri sendo uma 

pessoa muito diferente daquela

que eu me imaginava ser. 


Aos olhos da verdade sou uma

criatura comum, com os

mesmos defeitos que tanto

critico nos viventes.  


Diante da verdade, me percebo

um ser menos especial do que

sempre acreditei ser.

Me descubro um ser comum. 


Sem preâmbulo me descubro

um simples mortal com todos

os pecados dos mortais.

Viva a verdade!


Fui despertado pela verdade e

me descobrindo sendo um ser

com os mesmos pecados

daqueles que sempre condenei.


    Habacuc - Chuy, janeiro de 2024.


                  @ 


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Distorções - Distortions

 



Não gosto da arrogância da

sinceridade.

A preguiça da dúvida me

incomoda.

Desprezo a covardia da 

indecisão.


Aqui e ali a certeza tropeça

em sua arrogância.

A dúvida, em sua inércia

eterna, não desce do muro

e, a indecisão me causa 

muitas aflições.


Não critico a sinceridade só

por criticar.

Quanto a dúvida, sei lá!

Melhor não confiar.

A indecisão, sempre me 

deixa na mão.


Outro dia a sinceridade me 

questionou sobre as minhas

dúvidas e, então lhe 

questionei, quais dúvidas?

Confusa ela gaguejou, sem

mais conversa me afastei.


Dispenso a arrogância da

sinceridade.

Fujo das meias verdades 

da dúvida e guardo 

distância da indecisão.


 Lido da Silva - Chuy, janeiro de 2024


          &


Distortions

I don’t like the arrogance of
the sincerity.
The laziness of the doubt
bothers me.
I despise the cowardice of 
the indecision.

Here and there, the certainty stumbles
over its own arrogance.
Doubt, in its eternal
inertia, won’t come off the fence,
and indecision causes me 
much distress.

I don’t criticize sincerity just
for the sake of criticizing.
As for doubt, I don’t know!
Better not to trust it.
Indecision always 
lets me down.

Other day, the sincerity 
questioned me about my
doubts, and so I 
asked her, “What doubts?”
Confused, she stammered, and without
further conversation, I walked away.

I do without the arrogance of
sincerity.
I flee from the half-truths 
of doubt and keep 
my distance from indecision.

            &

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Não sei! - I don't know!



Nem tudo que peço à vida ela me da
de acordo com o meu pedido. 
Não sei! 
Penso ser melhor que o engano que 
me engana e então não gosto.

O desengano é bruto, não brinca mas
tambem não engana. 
Gosto!
Daí eu não brinco, e se brinco o faço
com prudência. 

A verdade não é amiga, é conselheira.
Ela fala pouco, e se se manifesta o 
faz para corrigir.
Sua críticas, ainda que duras, são 
sempre necessárias. 

Não sou dado às ilusões mas 
confesso que, não raro, devaneio.
A moderação me observa, coitada!
Não lhe dou sossego.

A frieza da realidade dói tanto 
quanto as verdades da vida. 
A verdade intimida as minhas ilusões 
e desencoraja o meu devanear. 

Lido da Silva - Chuy, janeiro de 2024.

                @


I don't know!

Not everything that I ask to life is given to me
exactly as I ask for it.
I don’t know!
I think it’s better than the deception that
fools me, and so I don’t like it.

Disillusionment is harsh; it doesn’t play games, but
it doesn’t deceive either.
I like that!
So I don’t play games, and if I do, I do so
with caution.

The truth isn’t a friend; it’s an advisor.
It speaks little, and when it does speak,
it does so to correct.
Its criticisms, though harsh, are
always necessary.

I’m not one for illusions, but
I confess that, not infrequently, I daydream.
Moderation watches over me—poor thing!
I give her no peace.

The coldness of reality hurts just as much
as the truths of life.
The truth intimidates my illusions
and discourages my daydreaming.

                @

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Faz tempo!



Há muito não vens em minha casa e, eu sinto
falta de ti!
Sei que sentes necessidade de conversar
comigo mas, quando em minha presença, não
me diriges palavra.

Há muito te espero em minha casa, mas
quando vens, tímido, ocupas o fundo da sala
onde quase não consigo ver os teus olhos.
Não entendo porque nunca te sentas ao meu
lado, vives te escondendo de mim.

Há tempo não me visitas e, as vezes que o 
faz, guarda silêncio, finges não perceber a
minha presença.
Gostaria tanto que compartilhasses comigo
os teus desalentos.

Gostaria que me falesses das tuas angústias
mas ficas mundo e, se oras o faz aos gritos de
tal forma que mal consigo ouvir as tuas 
orações, ouvir o teu coração.

Faz tempo que não vens em minha casa e,
quando vens, deixas o teu coração lá fora.
Estou com saudades de ti, venha me visitar!
Sinto falta de ti.

Há tempos não te vejo, sei que tem andado
muito calado ultimamente.
O que te aconteceu?
Venha me visitar!
 
Habacuc - Chuy, dezembro de 2023.

                    &

domingo, 24 de dezembro de 2023

Os teus pensamentos - Your thoughts


Vigie os teus pensamentos!
Conduza-os, jamais permita-os
te conduzir.
Os pensamentos, se não
controlados, levam à loucura.

Os pensamentos são asas,
são como algodões soltos ao
vento.
Folhas secas desgarradas dos
ramos a voarem sem destino.

Controle os teus pensamentos
antes que estes te roubem à
paz!
Pensamentos vadios te
entregam à loucura.
Te empurram para o 
precipício, te entregam ao 
suicídio.

Pensamentos!
Se não controlados, são
permissivos, são companhias
não recomendadas.
O pensamento negativo é a
porta por onde entra tudo de
ruim em tua vida.

Cuidado com o que pensas!
Os pensamentos são o
preâmbulo de tuas atitudes.
O que pensas agora é,
certamente, o que fará a
qualquer momento da tua
vida.

      Habacuc - Chuy, dezembro de 2023

 

                 *


Your thoughts


Watch your thoughts! Guide them, never let them guide you. Thoughts, if not controlled,
lead you to madness. Thoughts are wings, they are like cotton balls
blown by the wind. Dry leaves torn from the branches, flying aimlessly. Control your thoughts before they rob you of
your peace! Stray thoughts lead you to madness. They push you toward
the precipice, they lead
you to suicide. Thoughts! If uncontrolled, they are permissive, they are unrecommended
companions. Negative thougts is the door through which
everything bad enters in
your life. Be careful with what you
think! Thoughts are the preamble
to your actions. What you are thinking
now is, certainly, what
you will do at any
moment in your life.
*

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Cabisbaixo - Head down

 

Te observo caminhando cabisbaixo, triste,
um tanto quanto perdido no teu mundo,
um mundo que não é o mundo que
reservei para ti.

Andas de um lado para o outro, falas das
tuas dores com as pessoas que encontras
em teu caminho, mas não falas comigo,
não me procuras, te escondes de mim.

Te observo mergulhado em teus problemas
e sinto vontade de conversar contigo, mas
me ignoras, me desprezas ou, quem sabe,
até já me esqueceste.

Te vendo caminhar sozinho, ponho-me ao
teu lado e , calado, te observo.
Sinto vontade de te abraçar, de te ajudar a
encontrar a solução para os problemas,
mas não conversas comigo, me desprezas.

A tua tristeza me enche de amarguras e,
então choro, choro junto contigo a tua dor.
Choro as dores que fustigam o teu coração.
Quando vais entender que te amo, que te
quero bem?

Converse comigo!
Fale-me dos teus problemas, aceite a mão
que te estendo.
Quero te ajudar, quero que saibas, preciso
que entendas o amor que tenho por ti.

                              Habacuc - Brasilia, fevereiro de 2011

                     *

Head down

I watch you wondering, head down, sad,
losted in your world,
a world that is not the world that
I reserved for you.

You walk from one side to the other, you
talk about your pain with people you
meet on your way, but you don't talk to
me, you don't look for me, you yourself
hide from me.

I watch you immersed in your problems
and I feel like talking to you, but you
ignore me, despise me or, who knows,
you've already forgotten me.

Seeing you walking alone, I stand by
your side and, silently, I watch you.
I feel like hugging you, helping you to
find the solution to you problems,
but you don't talk to me, you despise
me.

Your sadness fills me with bitterness
and then I cry, I cry with you your pain.
I cry for the pain that torments your
heart.
When will you understand that I love
you, that I love you?

Talk to me!
Tell me about your problems, take the
hand that I extend to you.
I want to help you, I want you to know,
I need that you understand the love that
I have for you.

                             *


sábado, 16 de dezembro de 2023

Quando vens me visitar?

 



Pense! 

Dê asas aos teus pensamentos e os deixe voar,

deixe-os livre como o vento, sem pensar no 

tudo que pensas ser a vida.

Feche os teus olhos e abra a tua alma.

Abra a porta do teu coração para que novos 

sentimentos adentre em teu ser e o liberte dos

escravos prisioneiros da tua vontade que, se 

livres, fugiriam para onde não os alcançaria. 

 

Me encontre enquanto tudo que costumas 

pensar está distante de ti. 

Encontre-me! 

Me aceite! Aceite que eu viva em ti, aceite

que sou o amor.

Me encontre no cantar dos pássaros, no

ziguezaguear das águas passeando no leito

dos corregos e no soprar do vento.

Me encontre nas batidas do teu coração, e 

ouça eu te falar na voz do silêncio, quando 

este te dizer que sou o amor.

 

Tendo me encontrado, te atire em meus

braços e se agasalhe em meu amor.

Aceite o meu amor e me ame!

Não! Não desperte agora, ainda não

terminamos!

Continue devaneando, dê  asas à tua 

imaginação, deixe-a voar.

Gosto de estar contigo! 

Gosto quando estás comigo.


            Habacuc - Chuy, dezembro de 2023


                                  @ 

 


Se eu compreendesse a noite - If I understood the night

Se eu compreendesse a noite como sempre acreditei compreendê-la eu jamais a deixaria dormir só. Se eu entendesse a solidão da noite eu estar...