sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O teu nome


Saudade é o teu nome,
personagem que o tempo não apaga,
roupa que não rasga,
sono que, o sono, não dorme.

O teu nome é tristeza,
ferida que gosta de doer,
dor que não permite esquecer, que
dói forte do amanhecer ao anoitecer.

Conheço-te por lágrimas,
pesadelo que vivo ainda que não 
queira viver,  sou só lágrima quando
longe de você. 

O seu nome é desilusão, verdade 
que machuca, sabor amargo da
decepção, o “não” gritando na face
da expectativa da aceitação.

O seu nome é saudade, mulher
sem vaidade, criatura que 
desconhece o verão, que faz muito
frio e machuca o meu coração.

O Observador - Chuy, fevereiro de 2015

                        @


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Desnudo - Naked


O traje que me veste ao rasga-se,
me expõe, me deixa nu.
Nu, a minha coragem esvai-se,
acovarda-se, e me deixa à mercê
dos medos, e esses desnudam os 
meus medos.

Os meus medos, conhecendo os
meu medo os assustam. 
Assustados os meus medos 
suplicam por clemência, mas a 
clemência, inclemente, finge não
os ver.
  
De repente os meus medos se 
deparam com  as verdades que
os despiu. 
Com medos, os meus medos se
escondem para não serem 
reconhecidos como meus medos. 

O traje que me veste ao rasgar-se
desnuda os meus medos que, 
com medo, escondem-se da 
verdade para não serem expostos
como medo, são os meus medos
com medo.


O Observador - Chuy, fevereorp de 2015.
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Naked

The garment that clothes me, when it tears,
exposes me, leaves me naked.
Naked, my courage fades,
cowers, and leaves me at the mercy
of my fears, and they lay bare
my fears.

My fears, knowing
my fear, frighten them.
Frightened, my fears
beg for mercy, but
mercy, merciless, pretends not
to see them.

Suddenly, my fears
come face to face with the truths that
stripped them bare.
As fears, my fears
hide so as not to be
recognized as my fears.

When the garment that clothes me tears,
it lays bare my fears, which,
fearful, hide from the
truth so as not to be exposed
as fear—they are my fears
that are afraid.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

No encalce da vida - In the twilight of life


No encalço da vida, vivo o que a vida
me dá a viver.
Vivo o soprar dos ventos, a escuridão 
da noite, e o silêncio da madrugada. 
Não lastimo, estou ao encalço da vida,
e vivo as feridas que esta caminhada  
me fere.   

Estou no encalço da vida,  vivo a 
estupidez do medo, ouço segredos 
que me pedem segredo do que 
querem me contar. 
Estúpido!
Guardo culpas que não deveria 
guardar, segredos que não são 
meus e que não pedi para que me
contassem.

Estando no encalço da vida, canto as 
suas canções como se estas fossem
minhas.   
No frio a verdade me sacode, me fala
de sentimentos inesperados, e o 
medo que vive em meu encalço me 
calça, me derruba, caio.

No encalço da vida, invejo tudo que
ela se nega a me entregar.
Fujo dos abraços, e dos braços que 
ela insinua querer me dar, e em sua 
presença me recuso a chorar.
Estou no encalço da vida e não me 
importo se, por causa disso, não saio
do lugar. 

O Observador - Chuy, fevereiro de 2015.
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In the twilight of life

In pursuit of life, I live what life
gives me to live.
I experience the blowing of the winds, the darkness
of the night, and the silence of dawn.
I do not grieve; I am in pursuit of life,
and I live with the wounds that this journey
inflicts upon me.

I’m on the trail of life; I experience the
stupidity of fear, I hear secrets
that ask me to keep what
they want to tell me a secret.
Stupid!
I harbor guilt I shouldn’t
harbor, secrets that aren’t
mine and that I didn’t ask to be
told.

As I chase after life, I sing
its songs as if they were
my own.
In the cold, the truth shakes me, speaks to me
of unexpected feelings, and the
fear that lives on my heels
grips me, knocks me down—I fall.

Chasing after life, I envy everything
it refuses to give me.
I flee from the embraces and the arms that
it hints at wanting to give me, and in its
presence I refuse to cry.
I’m chasing after life, and I don’t
care if, because of that, I don’t move
an inch.

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Ana - Ana


Ana me beija,
só me deixe quando o nosso amor acabar.
Veja-me, vença o tempo,
o vento que não para de soprar.
Ana me beija!
Só me deixe quando a vida nos deixar.

Ana, ontem choveu,  aconteceu, 
tudo se deu.
Deu em teu coração, na balada do teu
amor vivo a minha paixão.
Ana não tema, fique comigo,
esqueça a solidão.

Ana!
No frescor da tua pele me deito
para te amar.
Amo, amo e te amo.
Te chamo para comigo ficar, preciso
da tua presença para me aquietar. 

São os teus beijos os nossos beijos,
nosso jeito de beijar.
Em teus braços repouso, deite sobre
o meu peito, venha Ana, vem viver
o meu te amar.
Amemos, permita-te comigo ficar.

 Lido da Silva - Chuy, fevereiro de 2015.

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Ana

Ana, kiss me,
don’t let me go until our love is over.
Look at me, defy time,
the wind that never stops blowing.
Ana, kiss me!
Don’t let me go until life leaves us.

Ana, it rained yesterday, it happened,
everything fell into place.
It touched your heart; in the rhythm of your
living love, my passion lives.
Ana, don’t be afraid, stay with me,
forget the loneliness.

Ana!
In the coolness of your skin I lie down
to love you.
I love, I love, and I love you.
I call you to stay with me, I need
your presence to calm me. 

Your kisses are our kisses,
our way of kissing.
I rest in your arms, lie down on
my chest, come Ana, come live
my love for you.
Let’s love, allow yourself to stay with me.

                  @


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Dance


Que dancemos!
Que dancemos apaixonadamente
como se dançássemos a última paixão.
Que tudo em nossa volta dance,
que sejamos todos envolvidos pelo
inebriar das canções.
Dance!
Dancemos todos, dancemos como se
dançássemos a nossa última canção.

Não te quedes escondida atrás dos
copos!
Não fujas da paixão. 
Deite em meus braços, entrega-me o 
teu coração.
Dance, dancemos, dancemos, a 
música nos chama!
A música toma-nos em seus braços e
nos entrega ao devanear.
Dancemos, deixemos-nos nos 
apaixonar.
Sintamos o beijo das músicas nos
beijar.

Que dancemos!
Que nos entreguemos ao dançar.
Que falemos de amor, que nos 
permitamos enamorar.
Não te esconda desta canção, baile!
Baile!
Entregue-se à paixão.
Que a música nos tome em seus 
braços e nos conduza ao altar. 
Dancemos, doemos os nossos 
corações.

Que dancemos!
Que dancemos, dancemos.
Que transbordemos felicidades, que
vivamos a paixão. 
Dancemos, vivamos esta nova 
estação.
O amanhã será um outro dia, dance,
agora só dancemos, dance, 
dancemos, não pensemos, 
esqueçamos a solidão.

    Lido da Silva - Chuy, fevereiro de 2015

                  &

O que eu disse - What I said


... e o que eu disse me bate,
bate! 
Angustiado peço clemência,
mas clemência o que eu 
disse não tem.

O que eu disse está dito, e
investido de uma autoridade
que não lhe outorguei, 
me bate.

O que eu disse me bate até 
ás lágrimas.
Atira-se em minha face me 
faz calar.

O que eu disse me bate, urra
em meus ouvidos e me deixa
mudo, me deixa calado, 
envergonhado.
 
Repetindo o que falei, ao
ser questionado, o que eu
disse nega a vericudade do  
que foi dito.

O que eu disse diz não
guardar consigo as minhas 
falas, mas as repete sempre
que tem oportunidade.

O que eu disse grita em 
meus ouvidos, acusa-me 
de haver lhe roubar a paz
com o que lhe disse.

O que eu disse está dito
e nem o arrependimento
consegue apagar, então
foi, não voltará jamais.
 
O que eu disse me julga, 
me condena, me leva ás 
lágrimas enquanto sorri.
Eu disse, está dito.

Já tendo me condenado,
o que eu disse não aceita
o meu arrependimento.
Tarde para voltar atrás.
 
O que eu disse me 
consome, rouba a minha 
fome, não me deixa 
dormir.

 O Mensageiro - Chuy, fevereiro de 2015

                  &

What I said

What I said has been said, and
endowed with an authority
I did not grant it,
it strikes me.

What I said strikes me until
it brings me to tears.
It is thrown in my face and
silences me.

What I said strikes me, roars
in my ears, and leaves me
speechless, silent,
ashamed.

Repeating what I said, when
questioned, what I
said denies the truth of
what was said.

What I said claims not to
keep my words to itself,
but repeats them whenever
it has the chance.

What I said screams in
my ears, accuses me
of having robbed it of its peace
with what I said to it.

What I said has been said,
and not even regret
can erase it; so
it’s gone, never to return.

What I said judges me,
condemns me, brings me to
tears even as I smile.
I said it; it’s been said.

Having already condemned me,
what I said won’t accept
my regret.
It’s too late to take it back.

What I said
consumes me, steals my
appetite, won’t let me
sleep.

       &

sábado, 31 de janeiro de 2015

Não espere o não - No esperes por el “no”.



Não!
Não espere o não.
Não ouça essa canção que machuca o
teu coração.

Não!
Não cerre os teus olhos.
Não cale os teus lábios.
Não tema uma nova paixão.

Pense!
O tempo não para.
A tristeza não finda.
A vida continua.

Não!
Não tome o não por opção.
As lágrimas vêm e vão.
Ouça outras canções.

Não!
Que o não, não te leve para longe.
Que o não, não cale o teu coração.
Que o não, não mate esta  paixão.

Não! Não! Não. 

       Lido da  Silva - Chuy, janeiro de 2015
                
                          &

No esperes por el “no”.


¡No!
No esperes por el "no".
No escuches esta canción que hiere
tu corazón.

¡No!
No cierres tus ojos.
No calles tus labios.
No teme una nueva pasión.

¡Piense!
El tiempo no para.
La tristeza no ha terminado.
La vida continua.

¡No!
No tomes el “no” por opción.
Las lágrimas van y vienen.
Escuche otras canciones.

¡No!
Que el “no”, no te quite de mí.
Que el “no”, no cierre tu corazón.
Que el “no”, no mates nuestra pasión.
                   
¡No! ¡No! No.

                         &

domingo, 11 de janeiro de 2015

Vivo só - I live alone


    Photo by Gavis

Sozinho.
Em sua companhia me sinto só,
sem ser ouvido por ti falo só.
Sem teu corpo em meus braços estou só,
estou só, sou só.

Sozinho,
Em sua companhia vivo a solidão.
Vivendo o teu amor vivo de ilusão,
te amando, só eu amo,
estou só, vivo só, sou só.

Sozinho,
ao teu lado, experimento a solidão.
Em tua presença te sinto ausente.
Estando contigo me sinto vazio,
esperando o teu amor, vivo em vão. 

Sozinho.
A solidão é a estrada que caminho,
a estória que vivo vivendo é a minha
paixão por ti.
Estou só, me sinto só, vivo só.

Vivendo contigo experimento o 
amargo da indiferença, o frio do 
desabrigo e pago o alto preço de 
quere viver contigo. 

Me sinto só, vivo só e sou só.

 Lido da Silva - Chuy, janeiro de 2015

               &

I live alone

Alone.
In your company I feel alone,
without being heard by you I speak alone.
Without your body in my arms I am alone,
I am alone, I am alone.

Alone,
In your company I live in solitude.
Living your love I live in illusion,
loving you, only I love,
I am alone, I live alone, I am alone.

Alone,
by your side, I experience solitude.
In your presence I feel you absent.
Being with you I feel empty,
waiting for your love, I live in vain.

Alone.
Loneliness is the road I walk,
the story I live is my
passion for you.
I am alone, I feel alone, I live alone.

Living with you I experience the
bitterness of your indifference, the cold of
homelessness and I pay the high price of
to want to live with you.

I feel alone, I live alone and I am alone.

                      &



sábado, 10 de janeiro de 2015

Não sei


Não sei,
a vida não me deu a viver, o 
tempo escondeu, guardou, 
esqueceu.
Não sei!

Não sei, 
a vivência não me ensinou,
a idade chegou, envelheci, 
esqueci e então,
não aprendi.

Não sei.
Se o tempo me mostrou não
vi e, se vi, não prestei atenção, 
não ouvi, não vivi, perdi,
Não sei! 

Não sei,
se algum dia ganhei, perdi e,
se amei, sofri, chorei.
Acho que não sei, 
definitivamente, não sei!

Não sei,
Choveu, secou, fez calor mas
logo esfriou.
Nevou e o sol saiu para ver e
então derreteu, não sei, não sei!

O Mensageiro - Chuy, janeiro de 2015.

                  &

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A flor do campo





Melancólico, o vento assobia a sua canção
do amanhecer.
O vento toma em seus braços as flores 
do campo e as tira para dançar, e com elas 
dança. 
Ele dança, toma o seu corpo frágil e, sem 
cuidado, atira-a de um lado para o outro,
rodopia, torce-a e a contorce fazendo-a 
vergar-se ao chão.
Flexível como a loucura da paixão, ao 
ser torcida e contorcia pelo vento, a flor 
exala o seu suave perfume e o deixa 
perfumar o amanhecer.

O vento vai e volta mais rápido do foi! 
Como um louco apaixonado toma a flor
outra vez em seus braços e mais uma 
vez com ela dança.
Ele dança ao ritmo do seu assobiar, e
assobia sempre a mesma canção. 
O vento sopra em rodopios e contorções, 
ele contorce e torce o corpo frágil da flor 
que verga sob a fúria do seu soprar.
A flor verga até o chão e na relva se 
deixa amar pelo vento que, enquanto a
ama, sussurra ao seus ouvidos a sua 
melancólica canção.

Para o vento, a fúria do seu soprar nada
mais é que uma dança.
Soprando ele toma a flor em seus braços
e a tira para dançar. 
O vento baila e o seu bailar acompanha
o ritmo do seu melancólico assobiar.
A canção do vento é frio, tão frio quanto
o frio que agasalhando os corações.
Linda como as noivas a flor do campo 
dança, e ao sopro do vento se torce, se
contorce, rodopia seguindo os passos 
do vento sem argumentar.

               O Observador - Chuy, janeiro de 2015

                          $

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Alá é o amor - Allah means love


Alá não odeia, Alá ensina a amar, Alá é amor.
Alá perdoa, Alá não faz guerra, Alá não separa irmãos.
Alá não prega a guerra porque guerra santa não existe,
É inconcebível imaginar que Alá prega o ódio.

Aqueles que pregam o ódio desconhecem Alá.
Quem mata inocentes não têm amor no coração,
Os que alimentam guerras ignoram a beleza da paz.
Alá é amor, Alá é paz, Alá é perdão, Alá ama.

Quem discrimina são os homens e não Alá,
Quem odeia são os homens e não Alá
Quem mata são os homens e não Alá
Que faz guerras são os homens e não Alá.

Não faz sentido imaginar que Alá deseja a morte.
Não há amor naqueles que matam por amor.
Não há perdão naqueles que não perdoam o irmão.
Não há Alá no coração dos que matam por religião.

Que amemos como Alá ensina a amar,
Que concebamos perdoar como Alá manda perdoar,
Que recorramos à paz desejada por Alá,
Que alegremos o amor, amando.

Alá não odeia nem prega o ódio,
Alá pede que perdoemos e não que nos matemos,
Alá é amor, prega o amor e ama, 
É inconcebível imaginar Alá tolerando o ódio.

O Mensageiro - Chuy, janeiro de 2015.

                                &


Allah means love


Allah does not hate, Allah teaches us to love, Allah is love.
Allah is forgiveness, Allah hate war, Allah does not separate family.
Allah does not preach holy war because holy war does not exist,
It is inconceivable to think that Allah preaches hate.

Those who preach hatred do not know Allah.
Those who kill innocent people have no love in their heart.
Those who preach wars ignore the beauty of peace.
Allah is love, Allah is peace, Allah is forgiveness, Allah means love.

It is men who discriminate,  not Allah,
It is men who hate, and not Allah,
It is men who kill, and not Allah
It is men who make wars, and not Allah.

It makes no sense to imagine that Allah loves death.
There is no love in those who kill for love.
There is no forgiveness to those who do not forgive their brother.
There is no Allah in the hearts of those who kill for Allah.

May we  love our brothers as Allah teach us to love.
May we forgive each other as Allah teach us to forgive.
May we search for peace as Allah teach us peace.
May we bring some happiness to love by  loving each other’s.

Allah does not know hates or preaches hate,
Allah asks us to forgive and not to kill,
Allah is love, preaches love and love,
It is inconceivable to think Allah tolerating hate.


                       
                                  &

E nós dois? - How about you and I?

E nós dois? Eu sempre me pergunto se ainda nos veremos, se ainda nos falaremos nesta vida. O Mensageiro - Chuy, setembro de 2026 ...