Pareço o nada.
Sou como o vento que sopra sem
direção, sou como
a chuva que cai no meio de um sonho.
Pareço o nada, me sinto vazio, saio ao encontro do
nada e me
perco.
Me perco antes de me encontrar, na rua pareço o
nada, caminho passos lentos, vagos e não chego a
lugar algum.
Ando sem rumo,
me deixo guiar por instintos que
invariavelmente me enganam.
Caminho só, sigo sem rumo, e para não ficar
mudo,
converso com o que penso ser eu.
Ando só.
Pareço o nada, um nada que espera
por mim em
todas as esquinas.
O nada que ao passar por mim, baixa a cabeça,
finge não me ver.
O nada me conhece mas finge não me conhecer, não
fala comigo, me cala.
Ontem a tarde passastes por
mim e fingistes não me
ver, quando já ias distante olhastes para trás para
certificar-se de que eu não havia te reconhecido.
Te olhei, te vi, fingi não te ver.
Sou o nada!
Sou o nada correndo atrás do nada.
Vivo em uma esquina onde todos passam, me olham,
mas não me veem.
Sou onde
passam os pensamentos, os lamentos, as
tristezas, estou ali.
Sou a esquina passam os sentimentos que há muito me
abandonaram.
Sou o nada.
Sou o que restou depois de eu muito amar sem ser
amado.
Sou o que restou depois de muito me apaixonar.
Sou o nada.
Lido da Silva - Brasília, fevereiro de 2012.
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*
I feel like nothing
I’m like the wind that blows aimlessly; I’m like
the rain that falls in the middle of a dream.
I seem like nothing; I feel empty; I set out to meet
nothingness and lose myself.
I lose myself before I find myself; on the street I seem like
nothing; I walk with slow, aimless steps and never reach
anywhere.
I wander aimlessly, letting myself be guided by instincts that
invariably deceive me.
I walk alone, I wander aimlessly, and so as not to remain silent,
I talk to what I think is me.
I walk alone.
I seem like nothing, a nothing that waits for me at
every street corner.
The nothingness that, as it passes me, lowers its head,
pretends not to see me.
The nothingness knows me but pretends not to know me; it doesn’t
speak to me it silences me.
Yesterday afternoon you walked past me and pretended not to
see me; when you were already far away, you looked back to
make sure I hadn’t recognized you.
I looked at you, I saw you, I pretended not to see you.
I am nothing!
I am nothing chasing after nothing.
I live on a street corner where everyone passes by, looks at me,
but doesn’t see me.
I am where thoughts, regrets, and
sorrows pass by I am there.
I am the street corner where the feelings that long ago
abandoned me pass by.
I am nothing.
I am what’s left after loving deeply without being
loved.
I am what’s left after falling deeply in love.
I am nothing.
*
Meu querido amigo, somos todos um nada naquilo que procuramos, ou melhor, somos nômades no terreno de nossas ilusões, estamos sempre sós porque o que almejamos está dentro de nós mesmos, adorei teu poema pois me transportou ao que sinto no momento e deu o impulso, o doce impulso da poesia e do amor que nos transporta, bjs
ResponderExcluirOi minha Linda, que bom te encontrar aqui novamente!!! Minha querida! Ainda que eu concordasse contigo quando dizes: - Somos todos um nada naquilo que procuramos, ou melhor, somos nômades no terreno de nossas ilusões ... haveria um sentimento em mim que gritaria bem alto - NÃOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!! Porque ha tantas pessoas que se completam em outras e, de alguma forma são felizes. O que quero dizer é que este poema veste como uma luva a vida de algumas pessoas ao mesmo tempo que nao passa de um disparate para outras tantas. É avida! Felizes aqueles que por si só conseguem ser felizes. bjs.
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