Penso e "despenso“ tudo que um dia pensei
Ser um sonho lindo.
Encaro a realidade de que o amor só existe
Em meus devaneios.
Envelheci, o vento soprou forte, e o tempo
Não me poupou.
O tempo levou a minha juventude, a minha
Agilidade, e as minhas forças.
O tempo também carregou consigo as
Minhas lembranças, e deixou em seu lugar
O vazio do esquecimento.
Esquecido, não me lembro da última vez
Que fui amado.
Penso, repenso e "despenso“.
"Despenso" tudo que acreditei que jamais
Rejeitaria.
Despenso as promessas de amor que hoje
Não passam de promessas vazias.
Despenso as promessas as quais prefiro
Esquecer para não ser forçado a acreditar
Que as promessas que ouvi eram mentiras,
Simples devaneios.
Penso, repenso em minha juventude,
Quando acreditava em amor eterno e então,
"Despenso“ tudo que pensei.
Hoje, envelhecido, só acredito que o meu
Próximo amor será eterno porque o pouco
Tempo de vida que me resta não me dará
Tempo de que me apaixone uma outra vez.
Dispenso as apresentações do tempo, não
Bulo com o vento para que ele, aborrecido,
Não sopre forte.
Dou um jeito, me escondo, não fico
Exposto ao sol para não ver as minhas
Rugas evidenciadas.
Não vou induzir o tempo a perceber que
Estou velho demais para ter mais uma
Chance de me apaixonar.
"Despenso" os pensamentos que pensei
Até agora, para entender a lógica de amar e
Ser amado.
Penso!
Penso no porque de o tempo passar tão
Rápido quando estou enamorado.
Penso no porque de o tempo fazer com que
A minha vida pareça extremamente curta,
Mesmo quando, em momentos de
Angústias, não penso já preparado para
Deixar de viver.
O Observador - Brasília, dezembro de 2011.
*
Pantry
I think and "dismiss" everything I once thought
was a beautiful dream.
I face the reality that love only exists
in my daydreams.
I grew old, the wind blew strongly, and time
spared me nothing.
Time took my youth, my agility, and my
strength.
Time also carried away my memories, and left
in their place the emptiness of oblivion.
Forgotten, I don't remember the last time I was
loved.
I think, rethink, and "dismiss."
I "dismiss" everything I believed I would never
reject.
I dismiss the promises of love that today are
nothing more than empty promises.
I dismiss the promises the ones that I prefer to
forget so as not to be forced to believe that the
promises I heard were lies, simple daydreams.
I think, I rethink my youth, when I believed in
eternal love and then,
I "dismiss" everything I thought.
Today, aged, I only believe that my next love
will be eternal because the little time of life
I have left will not give me time to fall in love
again.
I dismiss the introductions of time, I don't mess
with the wind so that it, annoyed, doesn't blow
too hard.
I find a way, I hide, I don't stay exposed to the
sun so as not to see my wrinkles highlighted.
I won't induce time to realize that I'm too old to
have another chance to fall in love.
I "dismiss" the thoughts I had until now,
to understand the logic of loving and being
loved.
I think!
I think about why time passes so quickly when
I'm in love.
I wonder why time makes my life seem
extremely short, even when, in moments of
anguish, I don't think I'm ready to stop to live.
*
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